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ERA UMA VEZ 12 I A escritora e ilustradora brasiliense Grazi Ferreira

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  “E mais uma vez, num passe de mágica, seu desejo foi atendido e Giovana voltou a ser a menina de sempre. Sentiu aliviada ao se ver refletida no espelho” . Esse trechinho faz parte do livro O anel da fada Pléin da escritora e ilustradora Grazi Ferreira. No livro   Giovana é uma garota que quer ser igual às outras e espera que fada Pléin atenda a seus desejos usando o anel mágico. Mas a fada tem outros planos, e quer que a menina entenda que bom mesmo é sermos diferentes. Esta história mostra que é importante se conhecer e construir a própria identidade, desenvolvendo autoconfiança e uma imagem positiva de si. Graziele Ferreira é brasiliense, formada em Pedagogia, mãe, escritora e desenhista infantil. Inspirada por sua filha, começou a colocar em prática um desejo antigo de dar vida aos personagens infantis. Desde criança Grazi desenha e cria personagens, também fazia livros artesanais, porém esses trabalhos sempre ficaram guardados e foram vistos apenas por pessoas mais próximas; e

De Prosa & Arte | Arapuca ou Peruca?

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  Coluna 7 Arapuca ou Peruca?  “os teus olhos coloridos, me fazem refletir que eu estou sempre na minha e não posso mais fugir... o meu cabelo enrolado todos querem imitar” . Macau, Compositor. Todos querem imitar? Essa semana meu cabelo foi tema, virou problema. Dilema. Umas crianças depois de ouvirem uma história de Prandi que eu mesmo contava perguntaram:  Porque eram tão feios os príncipes dos quais eu falava? Que estavam ali marrons e pretos nas ilustrações que eu mostrava.  Eu trazendo sobre a cabeleira crespa meu turbante imponente, me senti impotente e aquela raiva infantil, aquela raiva habitual que me acometia em tempos passados me saltou à boca estridente. Eu engoli em seco, mas confesso que o comentário vindo daquele menino branco foi um soco! Mais do que depressa fechei o livro e perguntei às crianças ali presentes: Há aqui  alguém que tenha a pele escura como a minha?  Ou preta como a dos príncipes ODUS da história que eu lia?  Crianças da pele escura, preta ou retinta 5

Poemas e fotopoemas de Giulia Lorenzini Nogueira | "um poema quando nasce esparrama pelo chão"

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  Que se faz da vela além de fogo (2019).  Giulia Lorenzini Nogueira. Poemas e fotopoemas de Giula Lorenzini Nogueira um poema quando nasce esparrama pelo chão   livros de poesia amuletos panfletos etc talhados um a um   pelo silêncio-princípio inconformado da sua própria capa cidade   não almejam servir-lhe de portas abertas   menos ainda de oráculos decertos: a tua procura é quem devora por onde pisa. Para ser um artista (2017). Giulia Lorenzini Nogueira. ofício   escrever difícil e esnobe é sina de quem fez pacto urgente pela própria sobrevivência   quando nasci cravaram-me a perigosa feitiçaria:   ou te curvas ao sangue e faz da tua palavra veículo de transmissão   ou viverás acorrentada pela tua própria caligrafia.   maresia   as portas se abriram o orvalho escorreu   experimentou a serenidade de um bom dia no mar   amanheceu. Jogo de ligar os pontos/pele de ligar as pintas (2019).  Giulia

Cinco poemas de Tatiane Silva Santos | "No sonho"

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Anke Sundermeier. Fonte: pixabay.com. Cinco poemas de Tatiane Silva Santos "No sonho" Língua/Lengua   Uma mariposa com asas pretas enormes se atirou em meu rosto bem no meio do sonho ela se esvaindo colada à minha pele asa se quebrando aos poucos na pinça dos meus dedos apavorados com os pequenos pedaços que se desgrudavam sem pressa   eu despedaçada mariposa despedaçada   em espanhol mariposa significa borboleta e tem vezes que a gente não se conforma com a língua do outro. Castália   os vapores, oráculo, colunas transe penhasco o mesmo céu   tantas palavras   em qualquer  - outra - língua   o que sonhava a Pitonisa quando ninguém tentava adivinhar o futuro? Alicja. Fonte: pixabay.com Piernas   [México. Ángeles Mastretta]. Arráncame la vida é um ótimo título de livro   a melhor parte dele é onde uma cigana traz a importante lição: ensinar a mulher a sentir   [...] só abrir bem as pernas achar o timbre [melhor não traduzir

Um poema de Mar Becker | "à parte do reino"

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  Engin Akyurt. Fonte: pixabay. Um poema de Mar Becker à parte do reino   as mulheres são todas iguais   todas, sem exceção. as de ontem, iguais às de hoje, as de hoje, iguais às de amanhã   que não se engane o meu amor, porque em breve a ex dele voltará através de mim, para dizer pela minha boca o que não pôde dizer pela sua   eu farei o mesmo, pela boca da próxima e assim sucessivamente   é uma maldição entramos na vida de um homem como se fôssemos cada uma uma só   com o passar do tempo nos tornamos todas iguais   juramos sempre o mesmo amor no começo rogamos sempre as mesmas pragas antes de bater a porta, no final   sempre a mesma garganta a mesma língua de gárgula .   as mulheres são todas iguais   por isso quando caminho pelo bairro me olho nos olhos que me olham sou a moça parada à janela, translúcida   sou a que atravessa o dia pensando em rosas   do povo de hiroshima de gertrude stein de ninguém   esto

De Prosa & Arte | Datas Comemorativas

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  Coluna 6 Datas Comemorativas  Eu tenho refletido sobre datas comemorativas. E não é de hoje. Tudo numa sociedade vira comércio e especulação financeira. As lojas ficam cheias e nos estapeamos como abutres em cima das ofertas. Com licença, por favor, obrigada, Boa sorte, bom dia, deixaram de ser usados com frequência. Viraram luxo. A gente se surpreende quando escuta. Eu fico melancólica e nostálgica perto do fim do ano especialmente no Natal. Gosto mais de lembrar a sensação desta data na infância, quando depois da meia noite meus tios e tias vinham com um sacolão imenso cheio de coisinhas do Paraguai: caneta de 12 cores, Estojo, ioiô luminoso, bola e corda que tocava música. E a gente brincava junto com irmãos e primos. Era uma alegria tamanha. Minha mãe me colocava a melhor roupa e me penteava os cabelos. Botava um brinquinho brilhante e uma sandália novinha. Tinha ponche com champanhe e com guaraná, às vezes na peraltice infantil a gente errava os potes. Depois de comer, beber e b