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Mostrando postagens de março, 2026

UM CONTO DE DEBORAH R. CORDEIRO

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fotografia do arquivo pessoal da autora   INTIMIDADE  Já senti o ódio da quina inferior esquerda do aparador pelo meu dedo mindinho do pé. Como inimigo à espreita, todas as vezes que ela se sente minimamente ameaçada se atravessa voluptuosamente contra o menor de todos. Era de se esperar um contra-golpe do dedinho, mas ele alimenta o ciclo, mesmo levando a pior. Tive que mover o móvel de lugar, já que meu pé não conseguia mudar a rota de colisão. Me intriga. Os objetos precisam das minhas mãos para quase tudo, me sinto no dever de não deixar nenhum morrer por inanimação. Nos dias de chuva, as dores de família estalam nas minhas falanges. Eu mal conseguia colocar as duas mãos num vinil para fazê-lo tocar. Antes de cozinhar, eu geralmente coloco o B.B. King , ouço The thrill is gone com alguns engulhos deixados no ralo da minha garganta. Outro dia, cozinhando e cerrando meu cérebro com a voz rouca do King , minha Panela me provocou até o limite da sanidade, derrubando sucessiva...

Araceli Otamendi: Poemas inspirados em árvores floridas

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  Fotografia  Magnólias brancas A cidade cinzenta se ilumina A calçada floresce Araceli Otamendi Fotografia de Araceli Otamendi Feriado azul As árvores do porto Vestem-se de gala Araceli Otamendi Araceli Otamendi (Quilmes, Província de Buenos Aires) mora na Cidade Autônoma de Buenos Aires desde os 9 anos de idade. Graduada em Análise de Sistemas (Universidade Tecnológica Nacional – Faculdade Regional de Buenos Aires). Estudou literatura principalmente na oficina de Mirta Arlt.  É escritora e jornalista e dirige há vinte e dois anos as revistas culturais digitais Archivos del Sur e Barco de Papel.