Postagens

EM DESTAQUE

Dizeres da Terra e do Tempo - 4 poemas de Ivone Galdino

Imagem
Terra Mãe
Terra cabocla, terra pilada, exaurida terra que implora por todas as bocas, para não ser vã, perseguida, derrubada, vilipendiada. A cabocla que se mira e chora, a sua lágrima forma os rios, os córregos e os mares. Que tenta retornar ao ciclo e grita o direito do cio, desmerecida, por estranhos à sua alcova. A mulher violentada, possuída sem consentimento. germinada sem o prazer de ter. Que frutos podem dar Filhos abrutalhados, de nomes impronunciáveis, criados sem o leite que lhes confira a humanidade. Terra, mãe violentada dos seres da terra, desafia seus agressores, quando num último ato de resistência, faz brotar de seu ventre, A flor.

Inquilina da Terra

Sou terra Meus grandes pés fincados à terra Raízes duplas entranhadas nela. Meu corpo, um grosso tronco alimentado por ela. Minha copa e cabeça nas nuvens, ao léu! Vez em quando, Sou Fogo, lava ejetada da terra, dardejando ideias e palavras, No Alvo. Inquilina do mundo, pago taxa alta para aqui morar, respirar esse ar, comer do fruto da terra. Sou terra, n…

Mulher de Palavra 02 - Por trás da história

Imagem
Mulher de Palavra 02 - coluna de entrevistas literárias

Por trás da história
por Maya Falks

Hoje, 07 de abril, comemoramos o Dia da Jornalista. Sim, da jornalista porque esse é um espaço de valorização do trabalho de mulheres. Mas não foi a data que me motivou na escolha da primeira entrevistada dessa coluna; foi a dedicação que ela demonstra em correr atrás, investigar e contar histórias.

Daniela Arbex é jornalista reconhecida que foi parar na literatura exatamente pela paixão que nutre por contar histórias, e por ser incansável nessa missão. Foi assim que se tornou uma jornalista/escritora multipremiada com obras que figuram há anos nas listas de mais vendidos - só o livro "Holocausto Brasileiro" já vendeu mais de 300 mil cópias e virou documentário.

Ao todo, Daniela acumula mais de 20 prêmios nacionais e internacionais, tanto na literatura quanto no jornalismo, como o cobiçado Jabuti e o tradicionalíssimo Prêmio Esso, três vezes. Entretanto, números e troféus não são a maio…

Um conto fantástico de Aidil Araujo Lima

Imagem
Quando se perde o caminho
por Aidil Araujo
Aquela mulher atravessou o tempo escorando o corpo nas paredes da casa, sem outro que a desdobre nessa prova do viver continua. Sem conseguir ouvir o vento, vai medindo os dias na privacidade da sombra, alheia ao cortejo da cidade. Só mesmo uma necessidade de importância como essa, a apresentação do filho no teatro da cidade, a fez sair do lugar de conforto. Arrumou o corpo, saiu em descompasso, equilibrando o prumo sobre as pedras do calçamento destratado. Teatro lotado, o orgulho do filho a fez esquecer um pouco do abandono costumeiro. Olhava, sem mexer os olhos, seu filho chegando ao palco, o coração suspirava, quedando em silêncio ao som da música. Coração de mãe ouve mais além, tem pressentimento. Escutou um rangido, não era de instrumento, era de parede, desse assunto ela entendia. O pilar no meio do teatro que dava sustentação ao prédio estalou surdamente, todos distraídos na plateia, só ela antessentiu uma catástrofe, correu manso encos…

Giselle Ribeiro, uma poeta líquida e amazônida, correndo em outros rios e terras.

Imagem
exercício de ser adulto
o pai ontem escreveu uma carta esquisita amigo Wolfgang, não durou muito meu casamento com a Vida agora ando flertando a Morte
depois disso vestiu as palavras todas com um envelope e foi fazer chegar ao destinatário
nunca mais voltou.
diz-se que no caminho estourou o coração de amor pela sua nova namorada.

***

leia a bula
outro dia eu fiz uma arapuca para pegar palavras vivas em estado de poesia. nela botei esse meu velho coração ele era a isca
uma palavra caiu bem dentro da boca da isca. passei a noite com dor no peito
cedo minha mãe me levou ao consultório do Dr. Manoel. ele arrancou graveto por graveto da arapuca e disse tire essa criança da escola lá ela só vai aprender a aprisionar palavras
tire essa criança da escola caso contrário a poesia há de estourar-lhe o peito

Um passeio poético com Helena da Rosa - Cinco poemas

Imagem
QUANDO NASCE O POEMA
Dão-se as linhas às mãos, os poemas: um vício Sôfregos lábios palavras a dizerem-se mistérios Damo-nos à perdição e o amor é esse poema urgente sempre querendo nascer.


DE AMORES E GIRASSÓIS
Em algum lugar dormia o Tempo: sangrava no olhar o peso das penas Giraram sóis: olhares e palavras alinharam-se no horizonte Pétala a pétala Palavra a palavra sob asas leves aninhou-se o poema