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Uma colher de chá pra ele - Marcio Sales Saraiva

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| uma colher de chá pra ele - 06 |


FACE TO FACEpor Marcio Sales
Ele era muito bonito, inteligente e romântico, mas com uma dose certa de angústia e inquietação com a vida. A idade se adequava ao gosto dela, uns vinte e poucos. Suas fotos revelavam sorriso e personalidade encantadores. Já fazia dois meses que se conheciam pela Facebook. Ela colocou-o como favorito e o acompanhava todos os dias. Em geral, era a primeira a curtir e fazer algum comentário carinhoso e elogioso sobre aquilo que ele postava: poemas de Hilda Hilst e Drummond, frases de Platão, Aristóteles, Kant, Rousseau, Schopenhauer, Nietzsche, Hannah Arendt, Bauman. Pequenos vídeos de Clóvis de Barros Filho, Mario Sergio Cortella e Leandro Karnal. Músicas de Chico Science do YouTube. Alguns quadradinhos com frases emolduradas sobre filosofia budista e taoísta. Além de matérias da mídia, sem comentários pessoais, de sites conhecidos como progressistas. Temos muitas afinidades, suspirava Mirela diante do farto material que Marce…

A intensa e ousada poética de Amanda Helena em uma crônica e um poema

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Pinterest, sem anotação de autoria
A MENINA ESCUTA RAY, ENQUANTO O MUNDO ENFUMAÇADO SORRI.
                            por Amanda Helena Ai de mim que contemplo o muro caiado dos sepulcros e seu portão de ferro bruto e roubo a história dos ossos em meu pensar. Sim, chego a sentir inveja dos ossos que se tornam vivos em minha mente , penso na mesa posta, numa família reunida, nas músicas que ouviram, no sexo que suaram e nas batalhas perdidas. Repousam agora serenos e não há mais épocas e talvez alguma alma ali recolhida também me mire e sinta inveja por eu ter vida (???) Digo, pois, a tal alma perdida " não se engane, há em mim mais pó, que das almas partidas". Naquelas lajes encerraram se histórias com sentido, de uma simplicidade pacífica e dão enfim descanso as que nessa terra andaram perdidas. Quem nasce pra pó, de infância se percebe, já vem com uma dor indefinida e um estranhamento pretérito, enquanto as mamães deslumbram se pelas garotinhas que escutam Ray com nostalgia. Pobre…

PodPapo 02 - entrevista com a escritora Lia Sena

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PodPapo - Entrevista com a escritora Lia Sena
por Chris Herrmann


O segundo número da nossa coluna de entrevista em formato de áudio é com a escritora baiana Lia Sena. Foram 20 minutos de uma boa conversa sobre literatura, sobre a nossa Revista Ser MulherArte  e a pandemia. A entrevista foi realizada na data de hoje, via WhatsApp. Para ouvir clique na seta abaixo do nosso Podcast:





Lia Sena nasceu em Mairi. uma pequena e charmosa cidade da Bahia,  mas ainda com alguns meses de vida, veio para Feira de Santana, a segunda maior cidade baiana. Cresceu, estudou, casou e teve filhos, nessa cidade, onde viveu a maior parte da sua vida. Atualmente vive em Itabuna, sul da Bahia, ao lado de filhos, filha, nora e um neto. Aos 17 anos fez o seu primeiro vestibular e ingressou na Universidade pública, num curso de Licenciatura em Ciências, por influência do irmão, mas após um ano, abandonou o curso,  ao confirmar definitivamente que Matemática e Física não lhe faziam nada bem. Fez outro vestibular e …

Um conto sensível e interessante de Giovana Proença

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Trapézios
por Giovana Proença

Desviou de um motorista desatento ao atravessar a rua. O coração mal palpitou a adrenalina do quase atropelamento, ocupado com a inquietação maior. Não havia espaços para o ‘quase’ quando saiu do encontro, o pacote na bolsa carregava o peso de todas as esperas. No anseio de prolongar a sua própria, vagou sem rumo pelas ruas da cidade. Levava o olhar baixo, registrando os padrões das calçadas. Poucos transeuntes tomavam as vias, se perguntou se todos levavam uma corrente tão pesada como a que estava prestes a se libertar. Caminhou pela avenida larga, sentindo vez ou outra o fustigar de uma folha solta, que seca, desprende-se em derradeiro resvalo ao definhar, caída das árvores que ladeiam o pavimento. Sente-se atraída por um terreno baldio, marcado pela placa ‘Não jogue lixo’. Afaga o muro em tentativa de fundir-se ao concreto, registrando a textura áspera em suas digitais. Chega ao portão que revela o declive do lote, atingida pelo vislumbre da abstrata aq…

Coluna | Preciosidades Antológicas 05 - três autoras

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Preciosidades Antológicas - três autoras
Eliana Mora, Elisa Campos e Esther Alcântara
por Chris Herrmann

Na coluna de hoje, destacamos o poema das três autoras acima, da I Antologia Digital de Poesia Porque Somos Mulheres, lançada em Maio/2020 pelo selo Ser MulherArte Editorial. Foram 149 poetas selecionadas e/ou convidadas das 208 inscritas, que nos orgulharam muito pela qualidade e diversidade das obras. Desejamos a vocês boas leituras!


clique na imagem para ler o e-book gratuito

Fotografia 6 | Projeto Pixel Ladies + Revista Ser MulherArte - Julia Pilati

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Projeto Pixel Ladies + Revista Ser MulherArte
por Bianca Velloso, Suzana Pires, Chris Herrmann e Lia Sena

Pixel Ladies é um grupo de fotógrafas brasileiras com experiências de vida diversas e a Revista Ser MulherArte é um coletivo de artistas mulheres de língua portuguesa. Ambos têm o objetivo de divulgar a produção artística das mulheres.
A arte é o que nos salva da dureza dos dias. Por isso a Pixel Ladies e a Revista Ser MulherArte lançaram um desafio poético durante a quarentena. A Pixel Ladies propõe a imagem em postagem no Facebook e as poetas que se sentirem tocadas escrevem um poema. A Revista Ser MulherArte seleciona e publica.
A fotografia número 6 foi da Julia Pilati
Estes foram os poemas selecionados com suas respectivas autorias:




Clube da Esquina

Nas ruas de Londres, nas avenidas de Nova York, na periferia de São Paulo, nas favelas do Rio, somos  meninos. Nos deixem crescer.
Valeria Bicca Ferrari

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Sororidade Frater Toda a cor é coração!
Tere Tavares

☬꧂

◼ febem do tatuapé hoje,…

Máyda Zanirato em 4 poemas

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Versos Intransitivos verbo l ela conjugou amar
no presente
no passado
no futuro ele no jamais verbo ll rasgou o verbo
ao meio
e quando quis depois
juntar as partes
viu que a conjugação ficara
no futuro do presente
indicativo de um amor
cortado
no passado
(no não mais) Verbo lll ...e o verbo se fez verso
mas não se aninhou
entre nós

Encruzilhada
Enrola bem o xale no teu rosto
o fogo do amor já não aquece
a madrugada fria Paremos um instante
Eu ficarei até fumares teu cigarro
não tenho pressa Sei que mais adiante
eu me transformarei
em estátua de sal


No espelho (I)
Há um tempo em que o coração se cala
...................................os poros
...................................as veias
...................................a respiração
perguntam quem são e a que vieram
num corpo qu vai se tornando todo
...................................silêncio
........................................e
...................................interrogação


Da Série: Drummonianas
Há que ficar atento nestes tempos:
pode bem ser que neste insta…

Uma colher de chá pra ele - Weslley Almeida

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| uma colher de chá pra ele - 05 |

Poesia para um tempo que dói


A PERMEABILIDADE DAS HORAS

A castidade dos dias
a permeabilidade das horas
meus olhos sangrando
de horizonte o arrebol
a máscara
o álcool
o desapego das coisas fúteis
carros cheios de formol
e valas com mais de sete palmos
feitas a braços de escavadeiras arrancando terra
corpos ao chão sem velas, velórios
só valetas
e uma dor que tem comunhão
com o sopro de nossa finitude
da magnitude
dos nossos corpos vãos.
ARQUITETURA DAS SOMBRAS
Ficar em casa
acostumar-se com a arquitetura das sombras
as paredes brancas
sofá, cama
geladeira e fogão
com o hábito da mão
a preguiça dos olhos
toda mecânica e automação
dos nossos corpos biônicos
com hastes de óculos
lentes de contato
pontes de safena
e celular controle remoto
como epiderme músculo ossos
links lives de extensão.


FAINA
Cunhar moedas
fazer barganha
comprar o pão de todo dia
Dar duro à prole
comer da gana
à tarde à noite
vencer o dia
Fazer da fé
a força a faina
a faca a foice
feição farinha