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Poemas e fotopoemas de Giulia Lorenzini Nogueira | "um poema quando nasce esparrama pelo chão"

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  Que se faz da vela além de fogo (2019).  Giulia Lorenzini Nogueira. Poemas e fotopoemas de Giula Lorenzini Nogueira um poema quando nasce esparrama pelo chão   livros de poesia amuletos panfletos etc talhados um a um   pelo silêncio-princípio inconformado da sua própria capa cidade   não almejam servir-lhe de portas abertas   menos ainda de oráculos decertos: a tua procura é quem devora por onde pisa. Para ser um artista (2017). Giulia Lorenzini Nogueira. ofício   escrever difícil e esnobe é sina de quem fez pacto urgente pela própria sobrevivência   quando nasci cravaram-me a perigosa feitiçaria:   ou te curvas ao sangue e faz da tua palavra veículo de transmissão   ou viverás acorrentada pela tua própria caligrafia.   maresia   as portas se abriram o orvalho escorreu   experimentou a serenidade de um bom dia no mar   amanheceu. Jogo de ligar os pontos/pele de ligar as pintas (2019).  Giulia

Cinco poemas de Tatiane Silva Santos | "No sonho"

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Anke Sundermeier. Fonte: pixabay.com. Cinco poemas de Tatiane Silva Santos "No sonho" Língua/Lengua   Uma mariposa com asas pretas enormes se atirou em meu rosto bem no meio do sonho ela se esvaindo colada à minha pele asa se quebrando aos poucos na pinça dos meus dedos apavorados com os pequenos pedaços que se desgrudavam sem pressa   eu despedaçada mariposa despedaçada   em espanhol mariposa significa borboleta e tem vezes que a gente não se conforma com a língua do outro. Castália   os vapores, oráculo, colunas transe penhasco o mesmo céu   tantas palavras   em qualquer  - outra - língua   o que sonhava a Pitonisa quando ninguém tentava adivinhar o futuro? Alicja. Fonte: pixabay.com Piernas   [México. Ángeles Mastretta]. Arráncame la vida é um ótimo título de livro   a melhor parte dele é onde uma cigana traz a importante lição: ensinar a mulher a sentir   [...] só abrir bem as pernas achar o timbre [melhor não traduzir

Um poema de Mar Becker | "à parte do reino"

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  Engin Akyurt. Fonte: pixabay. Um poema de Mar Becker à parte do reino   as mulheres são todas iguais   todas, sem exceção. as de ontem, iguais às de hoje, as de hoje, iguais às de amanhã   que não se engane o meu amor, porque em breve a ex dele voltará através de mim, para dizer pela minha boca o que não pôde dizer pela sua   eu farei o mesmo, pela boca da próxima e assim sucessivamente   é uma maldição entramos na vida de um homem como se fôssemos cada uma uma só   com o passar do tempo nos tornamos todas iguais   juramos sempre o mesmo amor no começo rogamos sempre as mesmas pragas antes de bater a porta, no final   sempre a mesma garganta a mesma língua de gárgula .   as mulheres são todas iguais   por isso quando caminho pelo bairro me olho nos olhos que me olham sou a moça parada à janela, translúcida   sou a que atravessa o dia pensando em rosas   do povo de hiroshima de gertrude stein de ninguém   esto

De Prosa & Arte | Datas Comemorativas

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  Coluna 6 Datas Comemorativas  Eu tenho refletido sobre datas comemorativas. E não é de hoje. Tudo numa sociedade vira comércio e especulação financeira. As lojas ficam cheias e nos estapeamos como abutres em cima das ofertas. Com licença, por favor, obrigada, Boa sorte, bom dia, deixaram de ser usados com frequência. Viraram luxo. A gente se surpreende quando escuta. Eu fico melancólica e nostálgica perto do fim do ano especialmente no Natal. Gosto mais de lembrar a sensação desta data na infância, quando depois da meia noite meus tios e tias vinham com um sacolão imenso cheio de coisinhas do Paraguai: caneta de 12 cores, Estojo, ioiô luminoso, bola e corda que tocava música. E a gente brincava junto com irmãos e primos. Era uma alegria tamanha. Minha mãe me colocava a melhor roupa e me penteava os cabelos. Botava um brinquinho brilhante e uma sandália novinha. Tinha ponche com champanhe e com guaraná, às vezes na peraltice infantil a gente errava os potes. Depois de comer, beber e b

Machismo estrutural | Quando a imprensa também exclui as mulheres

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EDITORIAL  O machismo na Imprensa Chris Herrmann Editora Não é novidade alguma, por mais que se negue, que ainda vivemos em uma sociedade patriarcal, que privilegia os homens nas mais diversas situações de vida. Claro que há séculos já foi ainda pior e muito mais injusto do que nos dias de hoje. Essa diminuição de injustiças contra a mulher só foi possível depois de muita luta, sacrifício e sangue derramado. Há mulheres que se dão satisfeitas pela situação atual, seja por falta de informação, seja por terem tido uma educação machista, ou por falta de oportunidade. Mas também há mulheres que sabem valorizar o que as mulheres do passado sofreram para que hoje possamos ter mais direitos e visibilidade que antes.  E é aí que o feminismo entra, não como um movimento que visa “humilhar” os homens, ou para ser o contrário do machismo. Não. O feminismo não se baseia nisso. O feminismo apenas luta para que haja igualdade de direitos. É muito triste que em pleno Século XXI ainda haja necessidade

Especial Música e Cultura | Cida Ajala

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  Especial Música e Cultura: Cida Ajala Maria Aparecida Ajala Jesus, nome artístico Cida Ajala , é compositora, integrante da Orquestra de Viola Caipira de Presidente Prudente, filiada à Associação Prudentina dos Escritores-APE e participante do Coral Santa Rita, onde serve a Deus no Ministério de Música. Integrante do PRENAP (talentos e produtos da Nova Alta Paulista). Atendeu como voluntária na creche Walter Figueiredo, ministrando aulas de musicalização infantil, durante 25 anos. Suas músicas são ouvidas em rádios e web rádios do mundo. Sua última homenagem aconteceu 30/10/18, quando foi homenageada por sua composição "A Batata Doce" pela Associação dos produtores de batata doce, pelo prefeito de Presidente Prudente, Nelson Bugalho, e pelo Presidente do Batatec, Luiz Rocha. - Cida Ajala teve participação na obra literária Músicas Caipiras de autoria de Luiz Barros, juntamente com os cantores Almir Sater, As Galvão, Tonico e Tinoco, Rolando Boldrin, Dino Franco, e outr

Cinco poemas de Márcia Machado | "Jogo-me na vida sem medida"

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  S. Hermann & F. Richter Cinco poemas de Márcia Machado "Jogo-me na vida sem medida" Bebido e Sentido   Café, boto fé além do sabor que pode variar ao gosto do freguês da cultura, da tradição forte, fraco, doce, amargo, o fresco que é quente desperta os sentidos levanta o astral aquece o coração. Pra quem viveu todo o processo do plantio à colheita pode descrever cada etapa: Florada branca o verde fruto depois vermelho pra finalmente seco, preto socado, limpo torrado, moído coado, bebido. Evoco memórias infância, adolescência, meus velhos pais, irmãos exploração de patrões… mãos congelando na derriça dos maduros frutos Verdade seja dita o café faz parte da minha história que posso chamar        BONITA!   Cheiros, Sabores e Amores   Aroma, substantivo masculino, desculpa aí, hoje versamos sobre os aromas femininos ah podem ser tantos! Sedutores, inebriantes, saborosos, higiênicos… Sabão, detergente, amaciante, água sanitária em mãos cansadas, que higienizam, envelhecem, s