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Mostrando postagens de 2021

Coluna 01 | Mulherio das Letras na Lua - Apresentação

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coluna 01 Apresentação da nova coluna MULHERIO DAS LETRAS NA LUA A lua é relacionada à mulher e vista como entidade feminina desde o início dos tempos. Ao influenciar a natureza, as marés, e o nosso corpo, em suas diversas fases, ficamos à sua mercê, quando o quisito é emoção e sensibilidade. Desde as crendices populares, ciência, misticismo, filosofia, literatura, entre outros, a sua grandeza, luminosidade, magia, explendor e mistério, há séculos seduzem, inspiram, instigam e nos conduzem. A poesia tornou-se a ponte entre nós, simples mortais e essa divindade que ainda hoje, tentamos conquistar. A mulher ainda não chegou com os pés na lua, mas com certeza a nossa cabeça, sentidos e imaginário há séculos coabitam nesse território tão íntimo de cada uma de nós. Pensando nisso, e em todas as expressões relacionadas à lua e a mulher, foi criado por Chris Herrmman o grupo no Facebook Mulherio das Letras Na Lua ,  somente para produção poética em língua portuguesa. Esta coluna, tem o intuit

Divina Leitura | A palavra vencendo a clausura: uma leitura de "Cicuta e cilício" de Jeanne Araújo

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  Coluna 15 A palavra vencendo a clausura: * uma leitura de Cicuta e cilício de Jeanne Araújo - por Divanize Carbonieri Cicuta e cilício  (Penalux, 2021) de Jeanne Araújo é um contínuo monólogo amoroso, monólogo que se queria diálogo, mas que, sem encontrar as respostas desejadas, retorna ciclicamente para sua emissora. A voz poética que ecoa nesses poemas ressoa a de Mariana Alcoforado, freira a quem são atribuídas as Cartas portuguesas , publicadas inicialmente em 1669. Nessas cartas, um eu feminino se dirige ao amado distante, ora com esperanças de voltar a vê-lo, ora convencido da irreversibilidade do abandono. O livro de Araújo apresenta a mesma dualidade. O êxtase amoroso se confunde com o desamparo, dois sentimentos que causam uma sensação constante de delírio ou frenesi na subjetividade que ali se expressa. A continuidade já mencionada se refere à presença constante da mesma voz, que, de poema em poema, expõe seu drama interno ao mesmo tempo em que tenta uma interação com o

Coluna 05 | Fala aí... Carlota Marques Canha (Portugal)

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| coluna 05 | A saudade de já não ter ou poder é bem maior por Carlota Marques Canha                                            (autora convidada)  Tanto se fala de “ sau.da.de” como aquele sentimento de nostalgia que corrói, que dilacera sem nos apercebermo-nos como e quando surge, mas está lá bem presente dentro de cada um de nós. Dói bem mais do que uma ferida aberta que nunca cicatriza ou um trambolhão num dia qualquer que nos deixa uma lesão, embora efémera, é desconfortante, é penetrante, até esgotante e imensurável quando se pensa que vai passar como tantas coisas, mas não passa, agudiza-se a cada hora, a cada dia. Só de pensarmos ou idealizarmos algo pelo qual norteamos a nossa atenção e pensamento e que não conseguimos atingir pelas barreiras que defrontamos, pelas vicissitudes da vida que temos de suportar e viver com, é uma sensação tão agreste de saudade, pelo motivo de já não ter ou de poder que o tempo e nós mesmos já não vamos conseguir recuperar. Ter saudade do tempo,

Coluna 01 | LIVREMO-NOS! - Apresenta: Carta à rainha louca de Maria Valéria Rezende

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coluna 01 Em homenagem à nossa querida  Maria Valéria Rezende , escritora e responsável pelo "chamamento" ao  Mulherio das Letras , hoje com mais de sete mil mulheres ligadas à literatura espalhadas pelo mundo, estreiamos a coluna  LIVREMO-NOS!  com a indicação do livro,  Carta à rainha louca,  (3ºlugar - categoria: romance) do  Prêmio Oceanos 2020  (Um dos prémios mais importantes da literatura de língua portuguesa).  Carta à rainha louca de Maria Valéria Rezende "O livro ajuda a analisar melhor por que a gente ainda não conseguiu superar realmente, de maneira, séria o machismo" Maria Valéria Rezende "A história é trágica, mas carregada de humor. A narradora escreve à rainha dona Maria, em Portugal, com a intenção de informá-la sobre os infortúnios das mulheres na colônia. Ela mesma é filha de um capataz de engenho, português que cruzou o Atlântico em busca de sucesso, mas não encontrou terreno pra isso. É uma das sobrantes, sem dote nem futuro como parideira,

MulherArte Resenhas 01 | "Outros cantos": um integrante do cânone literário

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  Outros cantos : um integrante do cânone literário - por Ane Ramos Durante evento com escritores, ao apresentar seu romance Outros cantos como um dos finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura 2017, Maria Valéria Rezende comentou a ambiguidade presente no título de seu livro. Tratava-se de outras vozes, outras cantorias – como o aboio de um sertanejo quando chama o gado – e também outros lugares, outros territórios. Com isso, a autora ampliava as possibilidades de interpretação de sua obra. Outros Cantos flui das percepções de uma narradora mulher de mais de 70 anos que, ao fazer uma viagem de ônibus ao agreste do Brasil, relembra a viagem que fez há mais de 40 anos com destino ao povoado sertanejo de Olho d’Água. Na época, como futura professora do programa de educação para adultos do governo militar, o Mobral (Movimento Brasileiro de Alfabetização), aceitara paralelamente uma missão solitária em pleno regime de ditadura no Brasil: estabelecer uma frente popular que pretendia alast

Coluna 04 | Fala aí... Terezinha Malaquias (Alemanha)

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                                                  | coluna 04 | Banzo por Terezinha Malaquias                                                       (autora convidada) Acordei-me hoje bem mais cedo do que eu gostaria. Perdi o sono em algum lugar e não consegui encontrá-lo no sofá da sala, onde sentei-me para rezar e meditar. Esse é o meu ritual diário há muitos anos, mas principalmente na pandemia.   Depois fiz abdominais, e dancei um pouco sem música. Queria mesmo era acordar o meu corpo para o novo dia que amanheceu para mim. Fui para a cozinha e fiz bolachinhas de polvilho inspirada na receita que  minha avó materna  fazia e ensinou para a minha mãe.   Mamãe não me ensinou porque eu não quis aprender a fazê-las. Nunca me interessei antes porque prefiro comer salgados do que doces.   Mas nesse ano atípico, eu fiz pela segunda vez essa receita que passa pelo ao menos por  três gerações de mulheres da minha família materna. Coloquei-as no forno para assá-las e rapidamente o perfume  bom

Preta em Traje Branco | Carta para as Paulas, Jamals, Enzos, Lohaines, Samuels de Joyce Dias

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  Coluna 9 Carta para as Paulas, Jamals, Enzos, Lohaines, Samuels, que encontro todos os dias no exercício da função e na vida. Tem os boletos, os Crushes, a faxina, a vontade de dormir mais . Mas, sabe o que mais tem, Paula, Jamal, Enzo, Lohaine, Samuel?  Tem os amores que dão certo, aqueles que fazem a gente sentir borboletas no estômago, que mesmo longe, trazem felicidade. Pode não durar para sempre, mas sempre haverá outro amor. Tem felicidade do boleto pago, aquela sensação de sonho realizado, de poder ter coisas que conquistou junto com alguém ou sozinho. Tem a sensação maravilhosa da louça lavada e da casa limpa, talvez, coisa de virginiano, restem a liberdade... Ahhh, a liberdade de ir e vir, de ser quem você quiser ser e o que você quiser. Tem seus amigos, você.  Vai fazer algumas amizades que passarão e tá tudo bem, mas terá aquelas que irão durar para sempre, mesmo longe. Tem sua família, que pode aumentar, ou não, você pode ter/adotar filhos, ou ser tia/o de alguém super le

Coluna 02 - In-Confidências - por Adriana Mayrinck

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                  |  coluna 02 | Boas e Más Intenções - um paralelo entre as duas margens do Atlântico em tempos de pandemia. por Adriana Mayrinck O primeiro momento foi de surpresa, incertezas e sentimentos adversos. Quase um ano se passou, após a invasão de um inimigo invisível, que não escolhe a quem atacar, mas silenciosamente, parou o mundo, deixando a vida em suspenso. E conseguiu atingir a todos, em setores diversos, sem piedade.   Mas não só aumentou o desemprego, lotou hospitais, levou os profissionais de saúde à exaustão e desespero, destruiu famílias e distanciou amigos, cancelou o ritmo natural da vida cotidiana, como também exerceu imensa influência exarcebando a revolta,  a violência, o racismo, o feminicídio, entre tantas outras doenças enraízadas em nossa sociedade moderna.   Nasci no Brasil, construí a minha história e há quase 4 anos, escolhi Portugal, como segunda pátria. Acho que sempre me senti luso-brasileira, e sinto-me em casa, respeitando e amando igualmente os

Coluna 03 | Fala aí... Maria Antonieta Oliveira (Portugal)

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                                                | coluna 03 | Recordar é viver  por Maria Antonieta Oliveira                                           (autora convidada) Não é fácil vivermos estes tempos de confinamento, em que um inimigo invisível, pode surgir e atacar-nos a qualquer momento. Temos que nos reinventar, mudando hábitos, criando espaços e viver de outro modo. Ler, escrever, ouvir música, fazer meditação, yoga, sei lá que mais, algo que ajude a passar o tempo, nestes tempos em que o tempo parece ser muito mais longo do que era antes. Ter pensamentos positivos, recordar momentos felizes, falar com pessoas que amamos, mesmo que seja através da internet, que felizmente, tem sido um meio de interação entre famílias e amigos, muito valioso, tudo isto nos aliviará o desespero da “prisão” a que este vírus nos impôs. Ao falar em recordar momentos felizes, lembrei-me de um excerto de um livro, que está em standby, mas que um dia sairá à luz do dia, e que passo a transcrever: - LEM