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Mostrando postagens de 2020

De Prosa & Arte | Menininha e Filhotim

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Coluna 3


Menininha e Filhotim

Oi mamãe de peito-ventre. Chega aqui para conversar. Espero encontrá-las bem.
Tenho notado uma preocupação com a adaptação das crianças de adoção tardia (termo utilizado para determinar adoção de crianças maiores). Me permitam ser muito sincera? Não me levem a mal porque lhes quero tanto bem.  Sou uma mãe de peito-ventre e tendo a acreditar ultimamente que é uma parte bem boa de mim. A maternidade, assim como a adoção são mega romantizadas. Não são fáceis. Uma mãe quer semelhança e proximidade com suas crias, quando o desejo de maternidade permeia sua construção. E nenhuma de nós é obrigada a ser mãe se não o quiser. 
Mas cá entre nós falando em adoção e não de nutrir ou parir na casinha geradora, a mãe não escolhe… é escolhida. Acho que funciona assim também na vida parida. Mas não tenho experiência para dizer sobre. Essas criaturinhas espevitadas nos acolhem como mães e protetoras. 
A princípio a gente deseja um (a) bebê com a falsa ilusão de que será mais fá…

Cinco poemas de Marcella Wolkers | "Mulheres são deusas"

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Cinco poemas de Marcella Wolkers"Mulheres são deusas"- Da série poética "Poeta Puta"
MULHERES SÃO DEUSASNasci...Sou ser humano.Nasci mulher...Então sou Deusa!Há milhares de DeusasEspalhadas pelo mundoNem todas são justasMas todas carregam uma dor dentroE essa dor é um poder!Há Deusas que transformama sua dor em venenooutras em antídotoAlgumas transformam a sua tormenta em trovoadas,Outras em dia ensolarado e de abrigo.Há Deusas que deixam escorrer na dor, as suas lágrimas eHá aquelas que deslumbram no sofrimento, o seu sorrisoMulheres hipérbole, eufemismoAmor, ódioVerdade, cinismo!Mulheres flores, espinhoDe coração generoso, mulheres do mesquinhoDe toda gente, do sozinhoDa paz, da guerraDo céu, mulher da terraDa respiração, da guelraDo mar, do arMulheres do ódioMulheres do amarDeusas que agem por impulso,Outras que só agem depois de pensarMas...Todo poder vem mesmo da dor interna

A poética que roça os sentidos | Banquete poético

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VIII TERTÚLIA VIRTUAL/02- por Marta Cortezão

“A linguagem é uma pele: esfrego a minha linguagem no outro. É como se eu tivesse palavras em vez de dedos, ou dedos na ponta das palavras. Minha linguagem treme de desejo [...] (a linguagem goza de tocar a si mesma); por outro lado, envolvo o outro nas minhas palavras, eu o acaricio, o roço, prolongo esse roçar, me esforço em fazer durar o comentário ao qual submeto a relação.”(Roland Barthes, Fragmentos de um Discurso Amoroso)A VIII Tertúlia Virtual de 09 de outubro de 2020, realizada via perfil https://www.facebook.com/marta.cortezao, teve como convidadas as escritoras e poetas Diná Vicente, Divanize Carbonieri (Mato Grosso), Eliana Castela (Acre) e Jeovânia P. (Paraíba). Para cada tertúlia, há uma seleção de dez poemas de cada participante. É esta pequena fração de poemas, que chegou-me de cada pluma poética de longíquos lugares, revelou-se, atrevidamente, com louco desejo de roçar a linguagem-pele da poesia, de sentir a pele da e na pal…