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Mostrando postagens de Janeiro, 2022

A POESIA DE SOLANGE PADILHA - por Nic Cardeal

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(fotografia do arquivo pessoal da autora ) 8M Mulheres não apenas em março.  Mulheres em janeiro, fevereiro, maio. Mulheres a rodo, sem rodeios nem receios. Mulheres quem somos, quem queremos. Mulheres que adoramos. Mulheres de luta, de luto, de foto, de fato. Mulheres reais, fantasias, eróticas, utópicas. Mulheres de verdade, identidade, realidade. Dias mulheres virão,  mulheres verão, pra crer, pra valer! (Nic Cardeal) Viaje na poesia maravilhosa (e instigante!) da grande escritora  SOLANGE PADILHA : (capa do livro 'Safographia') 1) sombro sem você ando duplamente (* poema publicado no livro 'Safographia') -*-*-*- 2)  Sinto a dor que morde. Bato asas. Asas batem ao vento. Mordem a dor. Sinto o vento bater asas. Rumo ao norte. Não há mais dor. (* poema publicado no livro 'Escrita labial') -*-*-*- (capa do livro 'Escrita labial) 3) O desenho de um coração é banal mas quando escrevo  eu te amo,  o sentimento torna-se possível. Às vezes penso que você mora em

A POESIA DE MAYA FALKS - por Nic Cardeal

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(fotografia do arquivo pessoal da autora) 8M Mulheres não apenas em março.  Mulheres em janeiro, fevereiro, maio. Mulheres a rodo, sem rodeios nem receios. Mulheres quem somos, quem queremos. Mulheres que adoramos. Mulheres de luta, de luto, de foto, de fato. Mulheres reais, fantasias, eróticas, utópicas. Mulheres de verdade, identidade, realidade. Dias mulheres virão,  mulheres verão, pra crer, pra valer! (Nic Cardeal) Hoje é dia de navegar na POESIA  sempre impactante da incrível escritora MAYA FALKS !  1) SUSPIRO  O silêncio marcava o compasso da dor Nos passos errantes, no traço inconstante, o olhar de terror Fumaça de pólvora nova no cano da arma Dois passos, joelho na terra, venceu o seu carma Os olhos vidrados no céu, pedindo perdão Num campo cercado de corpo, encontrou em si mesmo a pior solidão  Guerreiro,  sem trunfo ou medalha, caído no chão Preso, em meio à batalha, não foi campeão.  Na garganta, a secura da alma prendeu seu último suspiro. (* poema do livro 'Poemas pa

De Prosa & Arte | Chegadas e Despedidas

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Coluna 41   Chegadas e Despedidas "Mande notícias/ Do mundo de lá/ Diz quem fica/ Me dê um abraço/ Venha me apertar/ Tô chegando/ Coisa que gosto é poder partir/ Sem ter planos/ Melhor ainda é poder voltar/ Quando quero" M. Nascimento Venho aprendendo a me levar e trazer nos lugares que gosto, a dirigir pra mim mesma, a trocar torneiras, descobrir barulhos no carro, carregar móveis pesados, acender a churrasqueira.  Eu massageio meus pés quando estão muito cansados dos caminhos para onde os levei. Estou aprendendo a me levantar e partir, quando não há mais afeto ou respeito, que possa ser compartilhado. A vida é isso: eterno (des)aprender, (des)construir, tomar pé e consciência de si. Não é à toa que venho me obrigando a fechar ciclos. Trancar portas . Erguer paredes. Ironicamente, quando a ação é externa causa um estranhamento, quando vemos o outro fazê-lo, nos causa um amargor na língua.  Renascer é um processo muito violento. Desprender-se dos nossos maneirismos, manias t

Preta em Traje Branco | 4P - Pretas, poetas, parceiras e poderosas

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Coluna 35 4P - Pretas, poetas, parceiras e poderosas  "Não misturo, não me dobro/  A rainha do mar anda de mãos dadas comigo/  Me ensina o baile das ondas e canta, canta, canta pra mim/  É do ouro de Oxum que é feita a armadura que guarda meu corpo/  Garante meu sangue, minha garganta/ O veneno do mal não acha passagem." Carta de Amor - M. Bethânia E da seiva de cada verso brotado, das salinas gotas que cortam nossa pele, trazemos nossa magnitude de ser. Mulher preta é encontro, o primeiro olhar de sua igual, na passagem pela escada do metrô de cabelos coroados, endredados, aqueles sorrisos de completude. O abraço a distância de um conselho pra firmar a Orì. Mulher preta é deságue, é mar revolto, maresia... é brisa. Cada uma de nós irmanadas carregamos no peito e na fronte o mesmo desejo de ocupação e visibilidade. Mulher preta é aguerrida, é batalha,  é sorriso, luta sem perder o brilho. E foi assim, que na humildade de querer me completar, de querer me refazer, que produzim

Pés Descalços 05 | FARTURA

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                                                                          FARTURA Minha tia, às vésperas de natal, convidou-me para irmos ao centro pegar cestas básicas que seriam distribuídas para as pessoas carentes, para quem tinha os tíquetes, iguais aos dela. Não sei com quantos anos eu estava, mas ainda passava por baixo da roleta do ônibus. Foi um dos motivos de ter recebido o convite, não pagaria a passagem; outro seria cuidar do primo enquanto ela pegasse as cestas.        Haveria também lanches, brinquedos e parque de diversão. O local de distribuição era no parque de exposição. O nome era atrativo “parque” e eu sempre imaginativa. Chegamos ao local às oito da manhã e o sol já batia forte em nossos couros. Naquele dia, o parque de diversão que eu havia sonhado, como nos filmes de Hollywood, abriu espaço para corpos famintos, parecidos como aqueles pintados por Portinari, só que em um cenário agro de Matogrosso. Nós: eu e tia fazíamos parte da pintura. Passava das dez da manhã

De Prosa & Arte | Passados Vencidos

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Coluna 40 Passados Vencidos Desejo um início de ano com consciência física, emocional e mental pra todos. Exatamente às 03h40 do dia 30.12.1978 eu nascia, sob a forja de Ogum, a vibração de Yorimá, a justiça de Xangô e a plenitude de Yemanjá. Aqui e agora, 43 degraus acima: m e aceito, me acolho, me respeito. Devolvo meu lugar de mulher, mãe, filha de orixá.  "Sou uma, mas não sou só". "E canto, canto, canto…" Quando sangra, quando dói, e u danço se transbordo. Sou bonita, sou cheirosa e meu corpo tem o tamanho ideal para abrigar meus sonhos e projetos. Estou saneando passados vencidos.  Construindo novas experiências.  Sempre fui mais Ariano Suassuna (realista esperançosa) que Mário Cortella (otimista). 2020 e 2021 por vezes me deixaram cética em relação as boas intenções das pessoas. Fiquei defensiva e reativa. Descobri que família é quem nos traz serenidade, aprendizagem e sorriso.  Não necessariamente quem divide os códigos genéticos.  Todos os planos que fiz, f