De Prosa & Arte | Passados Vencidos


Coluna 40



Passados Vencidos
Desejo um início de ano com consciência física, emocional e mental pra todos.


Exatamente às 03h40 do dia 30.12.1978 eu nascia, sob a forja de Ogum, a vibração de Yorimá, a justiça de Xangô e a plenitude de Yemanjá. Aqui e agora, 43 degraus acima: me aceito, me acolho, me respeito. Devolvo meu lugar de mulher, mãe, filha de orixá. 


"Sou uma, mas não sou só".

"E canto, canto, canto…"


Quando sangra, quando dói, eu danço se transbordo. Sou bonita, sou cheirosa e meu corpo tem o tamanho ideal para abrigar meus sonhos e projetos. Estou saneando passados vencidos. Construindo novas experiências. 

Sempre fui mais Ariano Suassuna (realista esperançosa) que Mário Cortella (otimista). 2020 e 2021 por vezes me deixaram cética em relação as boas intenções das pessoas. Fiquei defensiva e reativa. Descobri que família é quem nos traz serenidade, aprendizagem e sorriso.  Não necessariamente quem divide os códigos genéticos. 


Todos os planos que fiz, foram registrados, mas nem todos foram vivenciados. Hoje respeito o tempo de ser de cada coisa. Não me esforço pra ter controle. Nada está sob nosso controle. Perdi essa falsa ilusão. 


O rescaldo de problemas anteriores que eu vinha empurrando com a barriga me soterrou e afogou várias vezes. Para mim os últimos dois anos foram sem dúvida os mais difíceis de toda minha vida. O distanciamento e o medo me causaram ansiedade, paranoia e depressão. Estou recomeçando: hoje, amanhã e depois. 

Mereço os parabéns por não ter medo de fazer tudo outra vez e do início. Tranquilidade e serenidade. Estou construindo!
Isso é coragem...

Estar isolada e olhar pra dentro de mim foi uma das coisas mais assustadoras. 
Garimpar ouro no meio da nossa pilha de rejeitos é muito difícil.

Porém,  a linha de Guardiões Exus que me blinda, proporcionaram a virada extirpando à fórceps coisas que eu insistia em manter pra não mostrar meus fracassos e por negá-los tanto tempo descobri que já era fracassada. É mais fácil caminhar sem sobrepesos.

Fui obrigada e lançada pra fora do meu ego. Precisei assumir o quão intransigente, chata, repetitiva eu era (ainda sou, talvez em menor escala, eu disse talvez).

Em tudo o Astral foi sustentação. Todas as vezes que eu achei que o peito ia explodir em crises de ansiedade  e que as lágrimas não iam cessar: um ponto, um incenso e firmar minha Orì deu conta de me resgatar do desespero.

Eu, como capricorniana teimosa que sou, tentei insistir em comportamentos repetidos e meus protetores de luz mostraram desvios não menos dolorosos, mas com amor redobrado. Eu venci na fé em Oxalá. 

Depois de sair da bolha e com as devidas proteções e protocolos fiquei até um pouco kamikaze. Porque sou uma pessoa da Arte e estar longe disso, foi penoso. Pra manter a saúde emocional precisei retomar algumas coisas.

Eu não acredito em mudança social completa, ou que as pessoas tenham aprendido algo (sou realista esperançosa e não otimista). Continuamos no obscurantismo, negacionismo, fazendo a manutenção dos nossos EGOS inflamados. Vamos caminhando na esteira direto para o moedor de nossa carne (Pink Floyd... rsrs).

E realmente, acredito que estamos em declínio civilizatório para que possa surgir uma geração com maior potencial evolutivo e coletivo. Nossa civilização como está, já perdeu essa capacidade. Salvas raras exceções que buscam através do retorno as leis da natureza. Enfim...

Quem já fortalecia o outro física, material e emocionalmente continuou fazendo, isso só foi publicitado. E talvez tenha forçado  benevolência de mais alguns, que trocam por likes e curtidas. Mundo digital que chama, Neah?

Eu acredito em reação em cadeia: se mudo e me torno "clarividente" as mazelas do mundo e às minhas,  a ponto de desviar delas, quem está muito próximo vai se adaptar a essa mudança, realizar a própria transmutação como eco ou se afastar dela, por não tecer qualquer afinidade. 

Em todos os casos, ainda que doa, o resultado é lucro. Porém de longo prazo. Somos os últimos semeadores dessa era.

Silêncio. O silêncio é precioso exercício. É ouro, como diz o ditado. 

Que nossos silêncios apreendidos na crise, reverberem o ano todo!









 

Comentários

  1. Sempre incrível , incrível sempre,meus parabéns

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  2. Nossa, texto sensacional! Sei que fala sobre você, mas ao mesmo tempo, nessas vivências, me senti representada.
    Guiniver, vc é a voz de muitas mulheres!

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  3. Bom demais estar com você! Que 2022 seja radiante! "Tranquilidade e serenidade. Estou construindo! Isso é coragem..." Sigamos, forte abraço.

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