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Mostrando postagens de Fevereiro, 2020

Ela tem o superpoder de congelar o tempo - a fotógrafa Marisa Pereirinha

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A fotógrafa Marisa Pereirinha Frequenta dos palcos às salas de parto, fazendo um tour pelas ruas onde flagra e transfigura em únicas cenas múltiplas do cotidiano. Passeia pelas passarelas, bastidores, enquadra arquiteturas, expõe-se. Sua melhor revelação: descobrir-se Marisa Pereirinha , fotógrafa. Alguns trabalhos : Dr. Jekyll e Mr. Hyde A Dama das Camélias Os Monólogos da Vagina Os Monólogos da Vagina Ballet Ballet Ballet Paisagem Paisagem Paisagem Av. Paulista Av. Paulista  Concurso Cultural Fotográfico “Fotografia de Rua” - SENAC 2019 Pré Wedding Chá de bebê Chá de revelação Registro de parto Registro de parto Marisa Pereirinha - Autobiografia Ariana, paulistana e "arteira". Amo tudo que é ligado a arte e a natureza. Formada em Ciências Contábeis, trabalhei na área administrativa por 30 anos, mas a música, o teatro e fotografia sempre

A poesia de Rita Queiroz

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Ismael Nery   (IM)POSSÍVEIS RETRATOS Recrio manhãs, crendo nos (im)possíveis Retratos dos contempladores de arco-íris. Desfaço as malas, plenas de recordações De um feliz ano velho Fantasma na corrente sanguínea. Navego por águas turbulentas Escorredouro dos ventos De 1968, ano que não terminou. Nas esquinas por onde passei As rimas do relógio Deixaram cicatrizes no meu ir e vir. Na hora da estrela, não sou Macabéa Sou Tereza Batista, cansada de guerra. Di Cavalcanti (RE)ESCRITAS DO DESTINO Quiseram calar A voz da luta Que clamava por justiça. Quiseram apagar O sonho de muitas Que ecoam todos os dias. Quiseram amedrontar A pureza inocente Que pulsa no ventre. Quiseram proibir A escrita de denúncias Que aflora na poesia. Quiseram nos matar Na rua, na escola, na tribuna Mas somos infinitas e sempre vamos gritar!   "Círculos" - Wassily Kandinsky Artista Plástico russo (1866-1944) COSMOLOGIA

Meu melhor amigo - Chris Herrmann

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Crônicas que as lembranças me embrulham de presente - 04 Meu melhor amigo por Chris Herrmann O melhor amigo que eu tive na vida era gay. Digo que era, porque ele não está mais entre nós. Eu o conheci nos anos 80 quando ainda vivia no Brasil. Trabalhávamos na mesma empresa. Foi uma amizade incrível. Ele era a pessoa mais gente que eu havia conhecido em todos os sentidos, em todos os tempos. Maravilhoso companheiro no trabalho, com os amigos e a família. Ele tinha três empregos porque os pais morreram e ele ajudava financeiramente os irmãos mais novos, como um pai. Eu não sabia que ele era gay. No trabalho ninguém sabia também. Naquela época, a homofobia era até pior do que hoje. Um dia estávamos almoçando no centro do Rio e ele me disse que precisava contar algo muito sério. E falou mais ou menos assim: "Chris, nós somos amigos e eu gosto muito de você. Por isso, devo ser sincero, mesmo que isso signifique que você não queira mais a minha amizade. Se isso acontecer, eu

Um Conto inédito de Sandra Godinho

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Aquarela por Luciane Valença Três Quartos de Um Amor ‘O primeiro me chegou como quem vem do florista’ [ 1 ] , mãos de afeto desenhando no meu corpo um mapa de desejos inconfessáveis, escalando montes, escavando vales em febre e furor até devassar meus pudores. Foi o desfolhar das camadas que me surpreendeu. O afago fingido na roda com os amigos, o beijo belicoso para selar uma discussão inoportuna, a carícia carente, roubada no meio da noite, imposta como penitência mal cumprida. O calor mal desabrochado na madrugada morria ao alvorecer, no gozo frio adormecido no leito. ‘O segundo me chegou como quem chega do bar’ [ 1] , a boca trazia o destemor, poesias embaladas no vinho, marinadas com a sede do mundo, engolindo sua fome de possessão com suor e saliva enquanto sua seiva me alimentava de desejo. Foi o primeiro tapa que me surpreendeu. Eu, ainda embaçada com a promessa descumprida de que o acontecido nunca tornaria a acontecer. Depois do tapa, o soco, cedendo a um ab

A Poeta Marilia Kubota - "Esperando as Bárbaras"

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foto Inês Santos  Q U A N T O   À S   E S C A P U L A S quanto às escapulas faltam asas por isso fico em casa tramando pra que os pássaros nunca saiam e se percam como as palavras soltas com as quais golpeio a página. C O R E S preto preto preto. são as unhas sujas na banca de frutas. branco branco branco o sorriso cúmplice de manhãs de sol. preto cinza preto. a tinta que turva a lua do poeta. cinza carmesim. é a maçã e a sombra traçadas pelo pincel. E U  T A M B É M  Q U E R O eu também quero  mentir bastante eu também gritar céu-silêncio  eu (impossível controlar) quero que você sirva ao ponto cego se entregue à fúria  não acredito num deus que desmancha S U B V E R S Ã O abrir a porta, todas as manhãs  colocar o tijolo que cabe no edifício da super produção de bens. ao meio-dia pastar nuvens, depois de comer boa comida para bons músculos. ao fim do expedi

Microconto de Nic Cardeal

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  NÁUFRAGOS (por Nic Cardeal) Ele prometeu voltar depois do outono. Ela fez de conta que acreditou. Ele havia esquecido a chave no carro. Ela arrumou as malas e foi para a praia. Ele percebeu algo estranho durante o banho. Ela atirou-se ao mar sem avisar. Ele encontrou a carta sobre a descarga. Ela descarregou a dor por cima das águas salgadas. Ele deixou a água escorrendo a transbordar na banheira. Ela escorregou por baixo das ondas geladas. Ele chorou dores vivas entre as letras mortas das folhas gastas. Ela perdeu o pé e a água era tão funda. Ele gritou por ela pingando tristezas no envelope rasgado. Ela sangrou a boca na pedra afiada. Ele atirou a carta em pedaços janela afora. Ela respirou o mar inteiro boca adentro. Ele deitou a cabeça zonza no travesseiro. Ela engoliu pesadelos derradeiros no abismo profundo. Ele sonhou delírios azuis na madrugada.  Sobraram restos indigestos naufragados de amor. * da série 'contos em miniatura para dores máximas' (Ima

Cinco poemas de Kátia Borges

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O gourmet momentâneo Margaret Atwood parece estar com frio o modo como aperta o casaco preto na parte da frente Amo seu nariz, seus pequenos olhos azuis e aquele poema sobre o coração arrancado do peito que lemos na aula de teoria da lírica O papel amassado passando de mão em mão como se fosse o órgão vivo. Caixa preta Como quem rasga o peito e não discute suturas para o peito aberto.   Pouco importa andar com o coração à mostra os seios nus repartidos pelo esterno fissura entre as costelas – a dor das tais fissuras – q ue se tem quando se rasga o peito. Pequena flor Meu apartamento, no 12º andar, fica tão perto da varanda do vizinho do outro prédio que, se esticar o braço com jeito, conseguirei regar suas plantas. Escrevo sobre mim, essa lonjura, e sobre você, pequena flor, na solidão do sábado. A vida é esse verde entre nós. Talvez biólogos nos expliquem a fluidez do amor, a essa altura.

Café Crepúsculo - um conto de Chris Herrmann e um presente!

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imagem: pixabay Café Crepúsculo por Chris Herrmann Marta teclava o dia inteiro (e mais algumas horas) com aquele (dez) conhecido, Sérgio,  que a fazia sorrir e esquecer do vazio que asfixiava seus dias. Tudo parecia tão perfeito, tinham muitos interesses em comum. Até que ele passou a insistir para se encontrarem. Como assim? Será que ele a achará gorda e feia? Não, ele é tão jovem, belo, inteligente... e, modéstia a parta , ela também não fica atrás com seus trinta e poucos anos de exílio nos livros, pensou. O medo da rejeição parecia ser maior que a vontade de tê-lo perto. Durante semanas, Marta conseguiu adiar um encontro. Sérgio insistia. Marta queria, mas cada vez que se lembrava das decepções sofridas, puxava o freio. Sua irmã, Ângela, foi quem a encorajou para, finalmente, se encontrar com Sérgio. Marta passou a semana pensando na combinação de roupas, bijouterias, bolsa, maquilagem. Ao mesmo tempo, pensava, que Sérgio tinha que gostar dela ao natural.