Homenagem à poeta Adriane Garcia



A revista Ser MulherArte tem o prazer de homenagear com carinho e gratidão à poeta Adriane Garcia pelo seu amor e dedicação às artes, e também pelo seu engajamento e consciência político-social.

Oferecemos esta medalha digital como demonstração da nossa admiração.




O AMOR DISPARADO

Pressente-se o perigo
O coração acelera
E ganha vantagem

O médico o chama
De taquicardia
E o cérebro sabe

Daqui pra frente
Quem é que manda.




ESTE POEMA

Este poema não vai
Segurar a lâmina
Não vai arrebentar a corda
Não vai dar de comer à criança
Suja estendendo a mão
Na rua

Não vai
Ressuscitar a ave extinta
Nem sacolejar o coração
Traído
Pelo último bombeamento
Do sangue, este poema
Não vai

Limpar a ardência dos olhos
Secar lágrimas, abrir
Sorrisos
Nem falar a palavra amiga
Ao menos abrigar uma ilusão

Não, este poema não vai
Segurar o homem no
Abismo
Voltar o tempo, acender a
Luz
Esclarecer qualquer
Confusão

Falar a verdade
Saber a verdade
Desistir da verdade
Ser a verdade

Este poema não vai
Melhorar o trânsito.




Adriane Garcia é poeta, escritora, teatroeducadora e atriz, nascida em Belo Horizonte/MG, onde reside até hoje. É graduada em História pela UFMG e especializou-se em Arte-Educação na UEMG. Sua obra poética reúne os títulos Fábulas para Adulto Perder o Sono (2013, Biblioteca do Paraná - obra vencedora do Prêmio Paraná de Literatura no mesmo ano); O Nome no Mundo (2014, Armazém da Cultura); Só, com Peixes (2015, Confraria do Vento); Enlouquecer é Ganhar Mil Pássaros (2015, e-book, Vida Secreta); Embrulhado para Viagem (2016 - Coleção Leve um Livro, orgs. Ana Elisa Ribeiro e Bruno Brum); Garrafas ao Mar (2018, Penalux); e Arraial do Curral Del Rei (2019, Conceito Editorial). Em 2017, foi curadora do Festival Literário Internacional de Belo Horizonte.

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