Cinco Poemas de Rejane Aquino



Moinho

São tantos abismos que me cavalgam
que nem eu mesma sei
onde me derramo.

Destino

Aquela vida antes daquela morte,
Desvela um fio de vento
E treze miçangas de ilusões.



Recompensa

Tudo gira,
O mundo, a vida e o bumerangue
Tudo gira,
o tormento me invade,
Pois tudo gira,
Inclusive o bumerangue ( que lancei)
Tudo gira...
O mundo é uma máquina compressora
De sonhos
Enquanto gira e esmaga ( os sonhos)
Faz sorrir, o outro
insano.
Tudo gira ...
Nessa vida que purga silêncios,
exalta e abate
Abate e exalta
Pois a vida gira e nada explica
Somos pó, o vento leva
Tudo gira, vida e mundo
E nada pode desatar os nós
do retorno e da fúria
[do bumerangue].

Quimio

O espelho é meu carrasco,
Através dele, enxergo tudo
Que não queria ter me tornado:
Meu corpo, já não é tão vigoroso
Meus pés titubeiam,
Minha pele está flácida, amarelada,
Minhas unhas enfraqueceram...
O sorriso já não existe,
meus cabelos caem.
O espelho é meu carrasco,
Enxergo tudo que não queria
As lágrimas inundam minha alma,
A solidão, meu abrigo,
tristeza atravessada que me rasga.
Tudo se foi!
Resta agora
minha mãe, o leito, e o espelho
 (quebrado)





Desaguar

Teu peito,
recorte do abrigo,
No qual me derramo
No leito.




Rejane Aquino

Membro da Academia de Cultura da Bahia. Pós graduada em Produção de mídias para educação online (UFBA) e especializanda em estudos linguísticos e literários (UCAM). Graduada em letras vernáculas (UEFS). Graduada em artes visuais (IESFAC). Autora de ‘’Carolina através do espelho’’ (Mondrongo, 2018). Integrante da Confraria Poética Feminina, do Grupo O Sarau, do Mulherio das Letras e do Projeto Versos de Mulher. Contato: nannyreas@hotmail.co


Fotgrafia por Mdorea

Desenhos WP @patrickdesenhoetatoo

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