MEU PAIDEUMA FEITO DELAS: com Líria Porto, Mariana de Matos e Maria Valéria Rezende





[Líria Porto]

eu's

narciso mergulha n’umbigo
e insiste
:
espelho espelho deus
existe alguém no mundo?


[Mariana de Matos]

foi no bnh da ilha que eu aprendi a chupar mel de flor
e no centro da cidade eu aprendi a me perdoar por me perder
valadares da pedra negra e do largo rio doce
do minério de ferro do coiote covarde e da água podre
minha paisagem de mercúrio
onde o sol força fazer refúgio
minha língua índia minha estrangeira figueira
minha insubmissão ao dólar à hiprocrisia e à franca fronteira
canto que com negros não há zelo
onde mulheres indecisas decidem
e muitos homens cultuam o medo
valadares
você quer me manchar de lama
mas mesmo na mina
eu estudo a dança


[Maria Valéria Rezende]

Percebo, Senhora, que, embora outra desgraça possa me acontecer a qualquer momento e quiçá me veja outra vez sem meios para escrever-Vos, continuo a errar por tantos assuntos sem nenhuma utilidade – a não ser a de dar-me a mim o gozo de escrever palavras – em lugar de dizer-Vos aquilo que é de grande urgência, pois que se o souberdes logo Vos movereis para tirar-me deste inferno. Com os suplícios sobre mim impostos, porém, como já Vos relatei, rodavam minhas ideias como moinhos ao vento e por isso enchi páginas e mais páginas com minha pobre escrita, sem sequer dizer-Vos quem de fato sou e como e por que vim parar a esta masmorra.” (Trecho do romance Carta à Rainha Louca).

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