Cinco poemas da baiana Luh Oliveira

Aquarela de Luciane Valença

livra-me de tudo
que é
falso
avulso
analto

farsa
carma
sigma

livra-me de tudo
que é
cinza

**
teu fetiche
um corpo nu
com scarpin vermelho
o meu
uma alma nua
que reflete
no espelho

Aquarela de Luciane Valença

sou feita de lágrimas secreções e orgasmos nada em mim es cor re em vão

**

É um rasgar-se constante
para cobrir feridas
que a pele camufla
é um abrir fendas
Em desconforto silente
que agoniza
e aterroriza
todo o encantar do arrebol
Ainda bem
que não existe
o pra sempre

**


todo aquele medo
instalado no ventre
feito novelo
sem ponta para desenlaçar
dissolve-se na noite
toda vez que a lua cheia
vem saudar a poesia
que se esconde em mim

**
Luh Oliveira é baiana, mãe, poeta, professora de Língua Portuguesa, Mestra em Letras. Ocupa a cadeira de número 03 da Academia de Letras de Ilhéus. Sempre gostou de escrever versos para crianças, mas só em 2016 foi lançado seu primeiro livro infantil Poemas Embolados (Ed. Scortecci). Desde então tem trabalhado bastante nessa arte.  Em 2017 lançou O sumiço da Terra ( Ed. Penalux), em 2018  foi a vez de Pedrinho Surfista ( Ed. Penalux) e de Sorriso de Arrasar ( Darda editora). Também publicou três livros de poesia para adultos: Versos enluharados (2012), Iluhsão (2015) e Luhminosidades (2018), além de ter participação em diversas coletâneas no Brasil e em Portugal. Conheça mais o trabalho da autora nas redes sociais. @luhpoesia #luhpoesia

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