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Mostrando postagens de Junho, 2020

Uma colher de chá pra ele - Weslley Almeida

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| uma colher de chá pra ele - 05 |

Poesia para um tempo que dói


A PERMEABILIDADE DAS HORAS

A castidade dos dias
a permeabilidade das horas
meus olhos sangrando
de horizonte o arrebol
a máscara
o álcool
o desapego das coisas fúteis
carros cheios de formol
e valas com mais de sete palmos
feitas a braços de escavadeiras arrancando terra
corpos ao chão sem velas, velórios
só valetas
e uma dor que tem comunhão
com o sopro de nossa finitude
da magnitude
dos nossos corpos vãos.
ARQUITETURA DAS SOMBRAS
Ficar em casa
acostumar-se com a arquitetura das sombras
as paredes brancas
sofá, cama
geladeira e fogão
com o hábito da mão
a preguiça dos olhos
toda mecânica e automação
dos nossos corpos biônicos
com hastes de óculos
lentes de contato
pontes de safena
e celular controle remoto
como epiderme músculo ossos
links lives de extensão.


FAINA
Cunhar moedas
fazer barganha
comprar o pão de todo dia
Dar duro à prole
comer da gana
à tarde à noite
vencer o dia
Fazer da fé
a força a faina
a faca a foice
feição farinha

Abre o olho – Marília Kubota

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MOSAICO Coluna 14  Conto
Abre o olho  por Marília Kubota


Sonhei que eu caminhava por uma trilha, quando encontrei uma placa em que estava escrito: Abre o olho. Meus olhos estavam bem abertos, mas logo que vi a placa, pisquei. Saiu um bocado de pus. Eu não sabia de onde vinha o pus. Talvez fosse conjuntivite ? Tinha ouvido falar que havia uma epidemia. Fui caminhando pela trilha e encontrei outra placa: Abre o olho. Pisquei e mais uma camada de pus aflorou. Conforme seguia a trilha, fui encontrando placas com os mesmos dizeres. Eu piscava e saía pus. Não percebi imediatamente, o pus saía e a remela se depositava em meus olhos. Na quinta ou sexta placa é que percebi o desconforto de ter um grude . Comecei a esfregar, o grude não saía. Eu não conseguia parar de seguir as placas. Meus pés se moviam sozinhos, e embora eu sentisse grande desconforto, as perseguia. Assim, depois da décima, meus olhos estavam tomados pelo pus. Fecharam-se. Não conseguia abrir. Esfreguei com força. O pus não s…

Gelo e fogo se abraçam na instigante Poesia de Michelle Ferret, em seis Poemas

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Wendell Well
FRIO

O dia escureceu os meus olhos Não tinha mais fogo para acendê-los Todos os fósforos foram usados Não sobrou nada Procurei pelos isqueiros Mas eles não tinham gás Nenhum incêndio foi possível hoje
Verônica Trigo Arte

DEPOIS
Abro demoradamente porta por porta de todas as gaiolas e desafio a gravidade atravessada de silêncio avisto outro país, outro planeta este, agora em esperas mesmo depois de tantas (v)idas Todo parto tem seu peso e todo tempo sua vertigem imersos na coragem da criança que pula o abismo de todas as manhãs seguimos Todos os versos são planos de fuga despedida do corpo em riste

PodPapo 01 | Entrevista com a escritora Rosângela Vieira Rocha

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PodPapo - Entrevista com a escritora Rosângela Vieira Rocha
por Chris Herrmann


Estreamos o primeiro número da nossa coluna de entrevista em formato de áudio com a escritora mineira, residente em Brasília, Rosângela Vieira Rocha. Foram 19 minutos de uma conversa bastante agradável sobre literatura, com pitadas de política e o momento atual delicado  de pandemia.  A entrevista foi realizada na data de hoje, via WhatsApp. Para ouvir clique na seta abaixo do nosso Podcast:





Rosângela Vieira Rocha nasceu em Inhapim, MG, e mudou-se para Brasília em 1968. Jornalista, escritora e professora aposentada do Departamento de Jornalismo da Faculdade de Comunicação da UnB, é advogada e Mestre em Comunicação Social pela ECA/USP. Tem treze livros publicados, para adultos e crianças. Véspera de Lua, Editora da UFMG, (romance), 1990, ganhador do Prêmio Nacional de Literatura Editora UFMG – 1988; Rio das Pedras, Secretaria de Estado de Cultura, 2002, novela vencedora da Bolsa Brasília de Produção Literária …

A poesia terna e lúdica de Alessandra Sanches

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Condição Se você flor
eu voo
na vertigem
do encontro
***
Re(construção) Descalço meu chão
costuro asas
é preciso voar
para sonhar
ainda que a vida
peça ajustes

Mosaico Não me procures por aí não me encontrarás assim mesmo que me vejas não me encontrarás sou constituída de cada pedacinho de dor de mim gosto de estar do lado de dentro


Manhã
Numa manhã de Manoel de Barros
um pio de pássaro eterniza o amanhecer
toca a alma e ilustra a vida
Sou além do que sou
cheia de céu

Uma crônica em tempos de quarentena - Por Marta Godoi

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Portugal/Margem Sul do Tejo/Setúbal  Na casa de casais
23 por Marta Godoi
As flores coloridas na Praça do Bocage dão o tom primaveril aos dias. No Montalvão, agapantos altivos, brancos e lilases imperam. Só perdem para as escandalosas bougainvilles boninas. O barulho contínuo no prédio vizinho, as obras no entorno do Convento de Jesus dão o recado de retomada mas os números de infecção pelo coronavírus também dão: estamos aí. No casarão rosa em frente, dois homens refazem o reboco do muro. O ajudante é tão franzino que quando enche a pá com os entulhos pra jogar no caminhão tenho a sensação que ele vai junto. Um fiapo. Que muro! Contornos e mais contornos. De um tempo em que se tinha mais tempo. O tempo está tão bom que lavamos as mantas usadas no finalzinho do inverno e no abril de chuvas mil. Terminei de ler o segundo romance aqui. Li o A noite passada, como uma lesma. Processar os acontecimentos sobre a Revolução dos Cravos que foi sonegada nas aulas de História, durante a ditadura, po…

Fotografia 5 | Projeto Pixel Ladies + Revista Ser MulherArte - Francine Tobin

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Projeto Pixel Ladies + Revista Ser MulherArte
por Bianca Velloso, Suzana Pires, Chris Herrmann e Lia Sena

Pixel Ladies é um grupo de fotógrafas brasileiras com experiências de vida diversas e a Revista Ser MulherArte é um coletivo de artistas mulheres de língua portuguesa. Ambos têm o objetivo de divulgar a produção artística das mulheres.
A arte é o que nos salva da dureza dos dias. Por isso a Pixel Ladies e a Revista Ser MulherArte lançaram um desafio poético durante a quarentena. A Pixel Ladies propõe a imagem em postagem no Facebook e as poetas que se sentirem tocadas escrevem um poema. A Revista Ser MulherArte seleciona e publica.
A fotografia número 5 foi da Francine Tobin
Estes foram os poemas selecionados com suas respectivas autorias:




não é cega mas é turva ante a beleza, a paixão que se nega a ver com clareza  e se curva a uma ilusão
Eliane Silva
..
Das incertezas agudas
Essa música que brota das águas Mistura-se aos flocos sussurrantes Como se gritos desses introspectivos dias
A…