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Mostrando postagens de Junho, 2021

Conto | Reminiscência, por Jeane Tertuliano

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|Coluna 06| EU VAGUEIO SEM SAIR DO LUGAR enquanto observo uma garota a brincar com o seu gato negro. Do alto do meu ser, eu avisto uma criança a correr, sorrindo bobamente... fecho os olhos e tento fazer com que essa sensação nostálgica evapore, pois nada é real no que vejo. Um ser pueril não pode se divertir de tal maneira estando emocionalmente em frangalhos. Deixando as janelas entreabertas, caminho até a minha cama e sento-me na beirada. Pesco Os Sofrimentos do Jovem Werther na cabeceira e o folheio; lágrimas lavam as minhas bochechas róseas enquanto me demoro no seguinte trecho: "Por que tem de ser assim? Por que o que faz o homem feliz pode tornar-se a fonte de sua dor?" Por quê?! — ouço a minha voz chorosa encher o recinto de melancolia. Passos se fazem ouvir do outro lado da porta e, apesar de o som ser demasiado reconfortante aos meus ouvidos, eu anseio fervorosamente não mais escutá-los. Deposito Goethe no seu devido lugar e rumo à porta, mas um tremor repentino me

Resenha 'afetiva' do livro SOBRE AQUILO QUE NÃO CESSA, de SOLANGE PADILHA

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  (capa do livro 'Sobre aquilo que não cessa') A POESIA QUE NÃO CESSARÁ (por Nic Cardeal)  Em  SOBRE AQUILO QUE NÃO CESSA , livro publicado pela Editora Patuá (São Paulo, 2020),  SOLANGE PADILHA  esmiúça o verbo poético como quem conhece além do fundo a existência humana e seus meandros emocionais e sentimentais, diante da realidade social e política - ainda que nua e crua -, da história, da cultura e da arte. Não a toa que na orelha o 'brinco' é de Maria Valéria Rezende, que assim a apresenta: "Este não é um livro a ser folheado e lido ao acaso, um poema aqui, outro ali. É uma viagem sem volta, creio, para a qual é preciso encher-se de ousadia, como a poeta que os escreveu. Há que se deixar envolver desde a primeira página no redemunho, redemoinho, remoinho, tornado, ciclone em que não se pode mais desenlear palavras, nem eu, nem tu, os outros, animal-vegetal-mineral, o mundo aqui e além, até o alto de onde, então, pode-se ver com nitidez o que se estende neste no

Preta em Traje Branco | Biologia e Política por Ana Paula de Oyá

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Coluna 30 Gerd Altman by Pixabay Biologia e Política   Tem algumas espécies de Pseudusbrasilispatriotas , que tem hábitos bem engraçados.    -Protestar em Av. Fechada aos domingos   -Protestar com panelas   -As fêmeas passam no salão de beleza antes de protestar   - Protestam contra corrupção com a camisa de um dos órgãos mais corruptos.   -Protestam somente de domingo.   -A maioria é apoiador de partidos políticos opressores.   -Se dizem defensores das tradições familiares e das tradições do patriarcado.   -São guiados feito gados e aceitam que a boiada seja passada na surdina.   -Apresentam sérias alergias em caso de CPIs e Investigações.   -Defendem seus territórios e pares sob quaisquer circunstâncias, mesmo que a custa da vida de uma população inteira.   -São defensores da corrupção praticada em família.   -Habitam em laranjais e bananais   -Essa espécie geralmente se apresenta na cor branca e exposta ao sol fica vermelha. -Espécie curiosa que aparece raramente em local de lutas

A POESIA DE LIGIA SAVIO - por Nic Cardeal

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(fotografia do arquivo pessoal da autora ) 8M Mulheres não apenas em março.  Mulheres em janeiro, fevereiro, maio. Mulheres a rodo, sem rodeios nem receios. Mulheres quem somos, quem queremos. Mulheres que adoramos. Mulheres de luta, de luto, de foto, de fato. Mulheres reais, fantasias, eróticas, utópicas. Mulheres de verdade, identidade, realidade. Dias mulheres virão,  mulheres verão, pra crer, pra valer! Hoje é dia de mergulhar na imensa poesia de  LIGIA SAVIO : 1) "Agora, neste limiar lembro dela asas encolhidas, mesmo assim voando no espaço,  rindo cristalinamente com olhos de morfina meninazinha, menina louca amada, odiada, cruel, gulosa, blue, lilás e negra mariposa encarnada vampira de suaves tentáculos e boca turva, lembrada só por mim (fora do calor das casas e dos mundos perfeitos)." (*poema extraído do livro 'No dorso da palavra', Porto Alegre/RS: LiquidBook, 2018, pág. 33) -*-*-*-*-*-*-                          (capa do livro 'No dorso da palavra '

De Prosa & Arte | A sombra da Morte

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Coluna 35 PublicDomainPictures por Pixabay A sombra da Morte Todos os dias eu temo morrer. Todos os dias a mesma sombra, a mesma sensação, a mesma faceta mórbida do desespero me consome. Acho que a tempos venho fugindo da morte, desviando dos seus olhos profundos e vazios, não sei se consigo essa sorte.  Na verdade, quanto mais o tempo passa, mais volumosa e aparente é a Sombra, e o relógio anda a contragosto da minha espera... O corpo vai dando sinais da maturação acelerada. A gente retarda a ideia com bons presságios, mas cada vela no bolo é mais um dia diante da passagem futura. Minha morbidez, vem desses dias densos de passagens aos milhares, com um monstro invisível pairando no ar que respiramos. Começamos a nos dar conta de quão importante é respirar sem bloqueios, acho que nunca agradecemos fielmente essa possibilidade. Eu tenho medo de morrer e sei que não devia… porque essa roupagem terrena, é inerente a forma como eu densifiquei meu carma e minhas pagas nessa breve existênci

Para não dizer que não falei dos cravos | Cinco poemas de Luiz Claudio Tonchis

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  Coluna 21 Cinco poemas de Luiz Claudio Tonchis Rapto em desvio   nada fica a não ser o essencial da ágata sobre o linho em harmonia amor que fica e não se move? em ritmo pulsante em forma quente ígnea quimera em forma fria de espanto. amor é espanto em sintonia. na ausência se ressente o medo o contrai mas se refaz como a ave gigante como motor de asas plenas em pleno ar.   o amor que em mim não fica rasteja entre pedras entre folhas secas o que fica indica o repasse do fogo e o sopro do vento     o amor que fica nos deixa prostrados se sumir por apenas um dia o raiar do sol o pôr do sol e busca no remanso essa vontade de viver entre os pomos do pomar distante   o amor se perde nos canais errantes e navega sempre sem perder de vista a conquista linda busca infinita   o amor se mira e se revela pleno nele há o fim sereno de morrer sem ira anjo acima de qualquer suspeita   o amor é como um beijo de longas linhas que se imbricam e resistem mesmo à própria morte.     Desalinhavado   na

UniVerso de Mulheres 14 - A poesia sagaz e contundente de Suene Honorato, por Valeska Brinkmann

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  UniVerso de Mulheres 14       Entidades , intstalação de Jaider Esbell        foto © Caio Flavio (@_cf_drones_bh) A  poesia sagaz e contundente de Suene Honorato, por Valeska Brinkmann  1.7 Justificado Na hipótese de viver à margem das benesses do mercado seriam mortos por um explorador qualquer que impressionado com a miséria diria: Sabe, eu não choro só porque a lágrima me desalinha me envelhece. Preciso rir as tantas vezes que o orbicular o risório o bucinador movimentem diariamente. Mas se fosse por mim ,ah se fosse se sesse, lágrima ia lágrima vinha. Pena não ter escolha. E de lá revoltariam sem ter sido assujeitados: N'oré îukaî xûéne ! 5.1 Introdução à lírica moderna De quanta teoria se precisa para ler poesia? Não introduzamos a lírica moderna em nenhum orifício nem mesmo pelo buraco dos olhos até os ossos do ofício. Michel Temer é poeta. 5.6 Patativa no centro Os poeta niversitáro quer dos críco literáro elogio sem função. Os poeta da perifa tá cansado das burrice, quer