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Mostrando postagens de Agosto, 2021

Para não dizer que não falei dos cravos | Cinco poemas de Pedro Vale

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  Coluna 24 Cinco poemas de Pedro Vale do livro Azul instântaneo Porto A poesia vai Pela rua, Nua. Esconde-se Nas manhãs mais Frias. E é à noite que lhe foge A voz. Lenta E lenta, Lentamente, Até Desembainhar Na F O Z *   Luz(a) alma Sossega e vive do ar A cómoda alma, armário espacial. Plana e cisma a esmola pintada Na rua nua e perfumada. Sonha a universal fundação, À beira-rio, navio-fantasma e fruição. Entoa, na guitarra infantil, dramática gente, Num acorde simples, medieval. - Ó alma lusa, Acorda e sente, Mesmo que à tangente, O que é ser filha de Portugal. Imagem de Christian Dorn por Pixabay. Hoje acordei com uma andorinha no estômago. A noite era de tempo limpo e sono. Sabia a quebra milenar, cabelo solto. Nenhuma angústia, lei, mato ou víscera defronte. O prédio seguia o seu curso normal de vida, espécie de abrigo impune. Gineceu. Observava sem capacidade estrelada o céu, quando a miúda astronomia me Espantou a inocência. A circular impressão se revelara. Tal como no meu estô

Um conto de Mônica Prata | Os Olhos Bentos de Bárbara

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Imagem de José Eduardo Camargo por Pixabay. Um conto de Mônica Prata Os Olhos Bentos de Bárbara A lida no cafezal começava todos os dias antes do alvorecer.   Lá pelas dez, a moça ajuntava o embornal com as matulas dos capiaus, descia o monte, cruzava a pinguela, seguia por algumas léguas no trieiro que margeava o pasto até alcançar a plantação   na encosta do morro do Lontra. Próximo à sombra do mangueiral, dava pra ouvir o falatório e os pigarros esparsos, na temperança da fome arcaica. - Aleluia D. Bárbra qui hoje tamo é varado di fome! - Larga di bobiça Nhô Dito, e vein ajudá na repartição dessa treinheira toda. - Uai, quedê o Mané? Já picô a mula? - Fazi é tempo. Foi lá pras banda do Rio Timbaúbas mode ajeitá uns estribu pro patrão. - Deixá pra lá! Mió assim! Manuel dos Anzóis Pereira Alves di Oliveira era casado de pouco com Bárbara dos Anjos Estival que nessa ocasião estava grávida de sete meses de Domingas Aparecida, a primogênita de uma sequência de nove filhos do

UniVerso de Mulheres 15 - Três poemas de Else Lasker-Schüler traduzidos por Valeska Brinkmann

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  UniVerso de Mulheres 15   Fragmento de Die Inianerinnen @ Else-Lasker-Schueler  Três poemas de Else-Lasker Schüler traduzidos por Valeska Brinkmann De longe   Teu coração é como a noite tão claro Posso ver - Tu pensas em mim - cada estrela a se deter   E como a lua o teu corpo Em ouro veloz De longe reluz   Von Weit   Dein Herz ist wie die Nacht so hell, Ich kann es sehn -           Du denkst an mich – es bleiben alle Sterne stehn.   Und wie der Mond von Gold dein Leib Dahin so schnell Von weit er scheint.   §§§§§§§§   Mirtáceas murchas   És como o dia sem sol, cinzento Que profano deita sobre rosas em botão. — Senti-me, como se estivesse ao teu flanco.    Como se estancasse o meu coração   Teu rosto pálido ao meu beijo enrubeceu Um sorriso escapou de teu olhar rígido.   — Minha jovem alma sob teus pés morreu E retornaste a teu ser frígido.   Verwelkte Myrten   Bist wie der graue, sonnelose Tag, Der sündig