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Mostrando postagens de Abril, 2020

Resenha do livro de minicontos SIMPLÍCIOS E CONFÚCIOS, de Gloria Kirinus

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CASO DE POESIA ENTRE 'SIMPLÍCIOS E CONFÚCIOS'
por Nic Cardeal 
Em SIMPLÍCIOS E CONFÚCIOS (Curitiba/PR: Kotter Editorial, 2019), um 'fazer poético' de 71 minicontos, GLORIA KIRINUS trabalha a palavra como o escultor que modela a argila em busca da forma, mesmo que dispensada a fôrma. Os destinados desta forma são os nomes - aqueles nomes condicionadores de destinos. Cada um dos pequenos contos é um verdadeiro 'achado nominal', e os nomes, por mais estranhos que pareçam, encontram cada qual o seu lugar exato na trama sempre surpreendentemente escrita por Gloria! Como, por exemplo, no conto da menina que se chama ESTRELA: 

"Quando aprendeu a escrever seu nome desenhou uma estrela. Foi essa a primeira lição aprendida de tanto ficar de barriga pra cima, sobre o gramado, soletrando estrelas. Na escola, a professora achou graça, no começo. Depois implicou seriamente: - Estrela, você precisa escrever e não desenhar seu nome. Estrela fez de conta que não ouvia. Só mai…

Maria Balé em artes integradas - prosa e fotografia

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QUAL A IDADE QUE VOCÊ TERIA?
(por Maria Balé)
Qual a idade que você teria se você não soubesse a idade que você tem?
Parece brincadeira. Não é. É pergunta de gente séria: Confúcio, mestre, filósofo e teórico político, a figura histórica mais conhecida na China cuja influência se exapandiu por toda a Ásia.
O valor ao estudo, a disciplina, a busca pela ordem, a consciência política, a importância do trabalho e o culto à harmonia são lemas que o confucionismo introjetou de maneira definitiva na história chinesa, da antiguidade aos dias de hoje. Confúcio, quinhentos anos antes de Cristo, milênios antes do Pitanguy, do silicone, do botox e da marombagem sem medida, já se via às turras com a inescapável falência de nossas células ao longo da existência.
Não me ocorre que o filósofo chinês estivesse preocupado com o viés da aparência ou a cosmética de cada fase da vida. Isso é cultura ocidental performática  para a qual a  idade é encarada como perda. Envelhecer,  para os orientais, é motivo…

Poesia de sobrevivência - Publicação coletiva

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Lílian Goulart
Sobre as dores e alguma esperança dos nossos dias
TÃO BREVE STAR


quando eu partir, penso que será nessa ocasião o dia de entregar o relatório. nada comparado a qualquer método até aqui por mim conhecido. imagino que será algo mágico, telepático, osmótico, instantâneo. agora, da maneira como eu poderia fazê-lo, seria mais demorado e poético. emociono-me de tal forma inexplicável com o fato de eu estar viva. não me recordo sequer quando foi dado este sim para a minha existência. mas uma das coisas que tenho pra mim é que não suporto isto, de verdade. não fui capacitada para aguentar tanta maldade com os seres orgânicos e inorgânicos desta esfera imensa, linda, misteriosa. não vim armada para não me identificar com tantas experiências de horror e holocausto. talvez do outro lado eu já soubesse do quanto os danos sofridos há milhares de anos por este sistema planetário prejudicaram a raça humana, mas eu não tinha ideia de que o meu equipamento pessoal não aguentaria o sofrimen…

Uma prosa poética - por Sandra Modesto

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PRECISEI FALAR COM DEUS
por Sandra Modesto

A sala gelada Luna numa maca usando uma vestimenta estranha. Uma equipe preparando – a. Ela assistindo ao vivo. Algumas agulhadas do lado esquerdo do peito. Tudo tranquilo até que a voz do homem de branco conta que não deu certo. _ Temos três minutos para tentar novamente. A mente de Luna vira do avesso. Ouviu uma ordem: _ Pode preparar rápido. Naquele momento Luna olhou pra o teto. Até então nunca tinha ficado em silêncio com Deus.Era uma tarde de agosto em um hospital a cento e cinquenta de distância.Naquele mês interminável. “É o seguinte, cara, se você achar que não tem mais jeito, meu coração está fraco e chegou minha hora, cuida bem dos meus filhos, abrace- os todas as manhãs”. Não os desampare, nunca. Não deixa ninguém se apoderar dos meus livros. Não sei se você se lembra de quando eu tinha quatro anos e minha avó me levava aos cultos evangélicos. Eu não entendia bulhufas. Depois minha avó morreu. Contam que ela sempre dizia: “Dos olhos de…