Poemas - por Diana Pilatti

Fotografia por Mdorea


versos para esquecer


das cinzas do dia
teu nome me insiste

ecoa cálido síbilo
entre os dentes da noite

te exorcizo nestes versos
Órion, visgo de estrelas

da minha boca, da minha pele,
teu nome madrugada

com a mesma força
eflúvio e sede e devoção

          estro e poesia
          que decomponho

e para meu alento [e sepultura] - parto
poeira de Lua e Tempo

no viés da palavra
[desfaço nós]
sem pronúncia: sou outra

"na curva extrema do caminho"
despedida
[e em teus adros
meu nome
totem profano]

Fotografia por Mdorea

selvática

cresce ao meu redor
floresta selvagem
faminta

vigas concreto marquises

no olho da noite
aquela que tem fome
                             de vida
                             grita



Imagem da internet sem indicação de autoria



portais


daquele tempo
restam somente vultos na janela...
n|um canto
doutro mundo
aquilo que era
espia...
 
Imagem da internet sem indicação de autoria

  
versos de heresia

colhi uns goles de noite
numa concha antiga
bebi com sede
sede beduína
no meu deserto de rotinas

o tempo
úmido e salino
me encara
ampulheta estática
e me conta uma história
numa língua esquecida.
eu sei seu nome
-está inscrito nos meus ossos-
líquido
impronunciável
seu nome
sacro-pecado
cristalino

Desenho por W Patrick

crime

a vida seguia
líquida e cristalina
no meu rosto
teu beijo hediondo
e teu hálito hortelã
bálsamo
na minha bochecha-nódoa




Diana Pilatti
Professora e aprendiz de poeta nas horas vagas. Mora em Campo Grande, Mato grosso do Sul. Autora do livro “Palavras Avulsas” volume 7 da I Coleção de livros de bolsa do Mulherio das Letras, 2019. Participou de diversas coletâneas e revistas. Publica poesia em seu blog pessoal dianapilatti.blogspot.com e nas redes sociais @dianapilatti




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