Postagens

Mostrando postagens de junho, 2026

SANDRA PINTO EM DEZ POEMAS | DO LIVRO "SEMEADURA: POEMAS E OUTROS ESCRITOS"

Imagem
fotografia do arquivo pessoal da autora   Dez poemas  de  SANDRA PINTO do livro "Semeadura:  poemas e outros escritos" capa do livro Semeadura: poemas e outros escritos  ERA DO GELO ao olhar no espelho vejo minha imagem deformada como Dora Maar de Picasso o que se despedaçou? cato os estilhaços  olho com lupa tento entender o que houve? como e quando aconteceu? vivi as quatro estações  petrifiquei na Era do Gelo quando um  corpo congelou às margens do Estige acompanhei a chegada de Caronte levando o corpo do morto fiquei eu com as memórias vivas  o coração partido não há nada a fazer senão arte junto os fragmentos crio um mosaico  escrevo (in: I. Manejo do solo - a morte fertilizadora , pp. 14-15) -*- imagem do Pinterest   A ROSA alcancei uma imagem para além do que imaginava ver olhei a morte de pertinho transubstanciação  de mortes plásticas  de mortes emocionais morri minha alma putrefata evaporou adubou o que estava s...

UM CONTO DE NATHALIA BATISTA

Imagem
fotografia do arquivo pessoal da autora   FLORES SILVESTRES  CULTIVADAS EM VASOS 10 de novembro Minha querida irmã Margarida, Estou com muita saudade de você e de nossa família. Como está a nossa mãe? Já melhorou dos nervos? Ela estava tão feliz no meu casamento, que fiquei esperançosa de, enfim, melhorar das dores! Mas, preocupei-me com a sua última carta, quando você falou de sua piora repentina!  Eu estou muito bem e feliz na minha nova casa!  Meu marido é muito bom, como a nossa mãe disse que seria. Ele me deu alguns rendimentos para que eu pudesse ir à costureira encomendar vestidos novos. Para ele, é muito importante que eu esteja bem vestida, quando formos visitar sua família na capital.  Por favor, me escreva o quanto antes, sinto a sua falta! Com amor, Rosa. * 20 de novembro Minha querida irmã Rosa, Fico muito feliz em saber que você está bem! Sinto sua falta todos os dias, aqui tudo é mais cinzento sem você.  Ontem aconteceu uma coisa extraord...

Francine Cruz apresentará livro infantil na Biblioteca Pública do Paraná

Imagem
Em junho de 2026, o Coletivo Feminino Marianas apresenta "Vovô foi embora, mas deixou muita história!", com a autora Francine Cruz e a ilustradora Débora Bacchi, no dia 13 de junho; s das 10h às 11h, na seção infantil da Biblioteca Pública do Paraná (BPP), localizada na rua Cândido Lopes, 133, no centro de Curitiba (PR). Francine Cruz é Doutora em Educação (UFPR, 2025). Possui graduação em Educação Física pela Universidade Federal do Paraná (UFPR, 2006); Especialização em Atividade Física e Saúde (UFPR, 2008); Especialização em Educação das Relações Étnico-Raciais (UFPR, 2015); Licenciatura em Letras Português/Inglês (UTFPR, 2016) e Mestrado em Educação (UFPR, 2020). Bolsista em Projeto de Pesquisa na UFPR (2003 - 2007), bolsista em Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência PIBID (2014 - 2016). Possui experiência na área de Educação com ênfase em Educação Física Escolar, Atividade Física na Terceira Idade e Educação das Relações Étnico-Raciais. Membro do Grupo ...

TRÊS POEMAS DE MARIANA AGUIAR COUTO

Imagem
fotografia do arquivo pessoal da autora  A VÓ CEGA DA MENINA INOCÊNCIA O poder está de sapatos lustrados sentado à mesa. E rabisca ordens em papéis de timbre.  Escondida em forma de dom, encontra-se a persuasão. De onde a ordem vem. O que será feito é dito com doçura — imponência bruta. Dinheiro, política, poder.  A sombra do mal é o espelho do medo. A inocência pobre. Magra,  Baixa,  De olhos grandes. Atenta. Nos seus pés o primeiro tênis. — Felicidade. Pagamento. Olhos que brilham. Então parte, segue sua missão. Obstinação precoce. Forçada.   São pés pequenos que cruzam uma longa estrada. Mãos pequenas que pulam a cerca. O terço que se prende,  Por lá cai e fica.  A vó quem deu. — Proteção.  Rasga os bichos,  Segue ordens.  Mas a surpresa é a visita do ódio… Que chega sem avisar.  A inocência toma o lugar do bicho. Morre sem ver.  Deixa a vó. Que é cega,  Esperando uma  volta.  O feijão pra esquentar....

DOIS POEMAS DE MARIA EMANUELLE OSÓRIO PRATES

Imagem
  fotografia do arquivo pessoal da autora   NA PLEURA FOI FERTILIZADA A VÁRZEA o bicho humano é filhote de gravuras nasce ternura de pés de ouro saltitando serra acima deglutindo bananeiras e estrelas esperando nas vazantes um barco que nunca chegará é preciso ensiná-lo a plantar um barco dizer que também o bicho humano é a transumância farejando as sempre-vivas navegando rumo às brânquias das colinas dizer que a essa forma em nossa língua chamamos barco (cada palavra mil e uma flores) espera a canoa, filhote humano o barco que sai de dentro da nossa caixa torácica (* poema do livro Flor na mulera ) imagem do Pinterest  -*- PALCO BANGUELA   quando estiveres no ringue que viu teu fêmur tornar-te menino lembra-te da ingremidade das ribanceiras belorizontinas com o ritmo de um mindinho esquerdo nocauteado lembra-te do primeiro beijo do primeiro soco moldado pela saliva todos os dentes na plateia têm o sotaque híbrido de tua bisavó que nunca conheceste mas foi ela quem t...