Minha Lavra do Teu Livro 21 | "O FILHO DE MIL HOMENS", de VALTER HUGO MÃE, por Nic Cardeal


Minha Lavra do teu Livro 21
- resenhas afetivas -


"O FILHO DE 

MIL HOMENS", 

UMA LIÇÃO DE HUMANIDADE!

“É isso o amor. Uma predisposição natural para se favorecer alguém. Ser, sem sequer se pensar, por outra pessoa. Isso dava também para as variações estranhas do amor.” (Valter Hugo Mãe)


ONDE O AMOR
                         
              “Amar era feito para ser uma demasia e uma maravilha”
                                                  (Valter Hugo Mãe)

No amor
cabe o amor de um pai
em metades de si mesmo,
por inteira tristeza
de ser sem um filho diante do espelho,
a refletir sua face despencada
entre as ondas de um barco a esmo,
à procura de alguém
no mar profundo do inteiro do seu peito.

Cabe o amor
na casa sem portas
à espera de um filho
para iluminar suas frestas,
mesmo que antes do filho,
um boneco de pano
fazendo as vezes
de amor verdadeiro.

No amor
todo o torto, o estranho, o quebrado,
o amarelo ou vermelho, o cansado ou moribundo,
tem direito a um amor todo inteiro,
nem que seja na murcha flor da alma caída,
ou mesmo no pranto 
de um abandono ou despedida.

Há de haver um lugar para o amor
na mulher sofrida,
toda demasiada de sonhos miúdos,
ou no homem calado de sonhos tão vastos,
pois também é do amor
as realidades sangrando pelos remendos de dentro.

A ordem das dores ou dos desamores
não há de alterar a direção do amor,
pois toda tristeza que suplica esperança
há de virar alegria n’alguma colheita!

O amor está em tudo:
por dentro da chuva
que inunda o chão de injustiças,
por fora do mundo
que cai em si por precipícios nada propícios!

No amor
cabe o pai que espera pelo filho,
mesmo tardio,
como um caminho com prenúncio de rio,
também cabe o filho,
mesmo crescido,
como um rio com insistência de mar,
que sonha com abraço de mãe
desandada de si entre mazelas e perdas.

Cabe o amor
no amor possível e verdadeiro:
na mão da mãe que deu a vida,
no colo do avô que deu guarida,
no milagre de hoje que nos ilumina
também na ferida que depois cicatriza!

Em todo amor
cabem os humanos que se põem a amar o amor
- não importa o começo de qualquer enredo,
o fio do novelo estica-se inteiro
do amor tecido nesse sentido! -

Vem,
ainda que não saibas nada sobre o amor,
o amor sempre sabe demasiado de ti,
cedo ou tarde, ele te encontra,
porque tu és o amor e és também o mundo
e “amar ‘todas as pessoas’ é o destino do mundo”!

(Nic Cardeal, inspirada na leitura do livro 
“O filho de mil homens”, de Valter Hugo Mãe)


capa do livro O filho de mil homens 

O romance O FILHO DE MIL HOMENS, do escritor português Valter Hugo Mãe (3ª edição, Rio de Janeiro: Biblioteca Azul, 2024) é uma verdadeira lição de humanidade, amor incondicional, compaixão e tolerância. Um profundo mergulho na condição humana rasgada de dores, miséria, solidão e ausência de afetos. É um livro que reúne personagens excêntricas, ingênuas, sedentas de compaixão e amor, rejeitadas por uma sociedade opressora, excludente, preconceituosa e injusta. Porém, nas mãos do autor, esses indivíduos, de um modo ou de outro, acabam por se libertar e se descobrem em diversas possibilidades de superação, autodescoberta e recuperação dos próprios valores, através dos encontros uns com os outros. Como bem diz o escritor, tradutor, ensaísta e editor argentino, Alberto Manguel, no prefácio, “a antiga suspeita de que cada um de nós é um reflexo da visão do outro (com O maiúsculo ou minúsculo), que existimos no olhar dos nossos contemporâneos, manifesta-se aqui com uma intensidade dramática e apaixonada. Isolada, cada personagem sofreria com a sua desolação e angústia numa cela silenciosa; ao confrontar-se com as outras, a angústia transforma-se em regozijo e a solidão em afeto” (p. 9).

O pescador Crisóstomo, um homem de quase 40 anos, é a personagem ao redor da qual as demais passam a, de um modo ou de outro, deparar-se umas com as outras, por coincidências ou estranhezas do destino, fazendo-se então conhecer, rejeitar, odiar,  reconhecer e, por fim, também amar. É pelo olhar do pescador que, no decorrer do enredo, os sentimentos de pertencimento, aceitação, solidariedade e compreensão das diferenças se alastram e passam a permear, tal qual autêntica novidade de mundo, os olhares das demais personagens. Há em Crisóstomo uma certa ‘utopia possível de amor incondicional’ que, sim, parece plausível de ser concretizada dentro das possibilidades humanas. 

Vivendo a tristeza e angústia da solidão, o pescador anseia por encontrar um filho. Um filho que nunca teve, mas que sonha torná-lo real. Um filho possível para um amor de pai que, mais do que nunca, necessita ser repartido. Ele é um homem que, por maior e imensa causa da solidão, sente-se pela metade: “Estava sozinho, os seus amores haviam falhado e sentia que tudo lhe faltava pela metade, como se tivesse apenas metade dos olhos, metade do peito e metade das pernas, metade da casa e dos talheres, metade dos dias, metade das palavras para se explicar às pessoas” (p. 15). Talvez, bem por isso, a única inteireza em si é o amor transbordante de um pai que urge derramar-se para a comunhão com um filho. Tudo o mais em sua vida são ausências. Creio que, por tal razão, Hugo Mãe sabiamente utiliza-se, em todo o romance, da ‘imagem poética’ ("um fenômeno que antecede a própria linguagem", conceito do filósofo e poeta francês Gaston Bachelard), como um veículo precioso para conduzir a narrativa de suas personagens. Deste modo, a linguagem de Hugo Mãe vai surgindo passo a passo, calmamente, após estar estabelecida na imaginação do leitor, a denominada ‘poética do espaço’, que expressa tão intensa e lindamente esse transbordamento, inclusive transbordamento das faltas, ausências, para os arredores do espaço. Ele escreve, quando fala de Crisóstomo: “Para dentro do homem o homem caía” (p. 15), e essa expressão é repetida com várias outras personagens, dando a entender que ‘para dentro’ também é um lugar a ser ocupado – ainda que ‘em quedas em si mesmo’, em precipícios ou demasiadas funduras de sofrimento.

De acordo com Bachelard, a casa onde habitamos não é meramente uma construção quadridimensional, um espaço geométrico. É o nosso primeiro universo, nosso primeiro abrigo, nossa proteção primordial, nosso espaço sagrado de sonhos e devaneios. É na casa que desfrutamos do aconchego amoroso das nossas primeiras relações afetivas. E Crisóstomo, o homem que procura um filho, está na busca por esse espaço de ternura, de oferecer afeto antes mesmo de o receber. Um homem que navega na casa de janelas para o mar, uma casa que também não quer essa solidão: “Uma casa que não queria estar sozinha. Por isso, apelava. Parecia que também navegava. Rangiam as madeiras do chão e, sendo toda árvore, podia ser também um barco e partir” (p. 17).

Como diz Bachelard, “abordando as imagens da casa com o cuidado de não romper a solidariedade da memória e da imaginação, esperamos fazer sentir toda a elasticidade psicológica de uma imagem que nos comove a graus de profundidade insuspeitos. Pelos poemas, talvez mais do que pelas lembranças, tocamos o fundo poético do espaço da casa”, porque “a casa abriga o devaneio, a casa protege o sonhador, a casa nos permite sonhar em paz” (in: “A poética do espaço”, p. 201). A obra de Hugo Mãe está envolta dessa ‘poética do espaço’, há uma aura de ‘poesia espacial’ predominante em todo o livro, manifestada principalmente na maneira como o autor descreve os lugares como prolongamentos dos afetos e refúgios para as personagens marginalizadas – em especial a casa, o mar, a paisagem litorânea. Muito provavelmente por isso mesmo que o autor tenha feito uso da ‘poética do espaço’ como ferramenta da narrativa de “O filho de mil homens”. Isso está muito bem caracterizado na transformação da casa de Crisóstomo, a qual, aos poucos, vai sofrendo a metamorfose de construção apenas material para um lugar íntimo, acolhedor, que recupera o sentido do amor – inicialmente por meio do ‘boneco de pano’, depois, do filho Camilo (órfão logo após o nascimento, cuja mãe, com condição genética de nanismo, morre durante o parto). Quando finalmente encontra o menino tão desejado, o pescador preenche o espaço vazio de afeto da casa com o amor repartido ao filho. É quando a casa parece tomar outras dimensões, muito maiores e mais profundas do que mera construção espacial, passando a significar acolhimento, pertencimento, um sonho corporificado por ternuras tão esperadas. Nesse encontro de pai e filho, duas ausências, duas solidões, dois precipícios se neutralizam, fazendo surgir uma terceira via: a via do amor mútuo, quando “amar era feito para ser uma demasia e uma maravilha” (p. 21). Assim, tanto o pescador quanto o menino, "carregados de ausências e silêncios" (p. 21), deixam de "cair para dentro de si" na "imensidão de um sem-fim" (p. 18 e p. 21), para inundarem-se um do outro, do amor de um pelo outro. 

Porém, aquele homem necessita ocupar mais espaços da casa que lhe transborda pelos arredores do mundo à sua volta. No aconchego da morada ainda lhe falta o amor de uma mulher. Seu coração será preenchido por uma mulher que, desde muito jovem sofre o abandono do amor. Essa mulher se chama Isaura, diminuída diante do mundo e da vida, por sentir-se impossibilitada para o amor. “Apagava-se toda a rapariga, seguindo pelo ralo como se a alma se dissolvesse na água, igual a um açúcar que se perde e nunca mais volta ou volta muito dificilmente” (p. 55), depois de uns tantos anos sendo 'usada' e rejeitada por quem só sabia amar por 'uso do amor'. A mulher 'diminuída' se conformara de que “usá-la assim já era dar-lhe o amor a que ela tinha direito. O único amor a que teria direito. O amor dos infelizes” (p. 59).

Entretanto, o caminho que levará Isaura até Crisóstomo será ainda um pouco lento, porque ela seguiria acreditando que “os homens eram todos iguais. Só as mulheres podiam aceder à diferença” (p. 57). O autor trabalha com personagens diversificadas, mas que têm em comum a solidão e o sentimento de rejeição do povoado onde habitam. Isaura haveria de, antes disso, conhecer e aprender a reconhecer que homens também poderiam ser diferentes, tão diferentes e únicos como o sensível Antonino. Aproximar-se de Isaura pode dar a Antonino a chance de ‘curar-se’ do mal de sentir-se estranho, posto que “sabiam todos que havia crescido errado, diferente dos outros rapazes, diferente das pessoas. Era como alguém incompleto das ideias” (p. 61). Isaura, a seu modo, “via-o delicado e pensava que ele era frágil e imprestável como as flores” (p. 62). Naquele contexto, ambos acabam por consolidar um “casamento de aparência”. Entretanto, logo após, sem jeito para aquele amor, Antonino vai embora. E “a casa ficou estúpida”, porque é “uma casa ingénua que não aprendera ainda quem a habitava, a leviandade afectiva de quem a habitava, o quanto podiam os seus habitantes errar e precipitar-se como suicidas. A casa assim ficou, sem que lhe mexessem, deixada a murchar sozinha, sem importância” (p. 67). Tanto quanto os vazios da casa, Isaura “era uma mulher carregada de ausências e silêncios. Para dentro da Isaura era um sem-fim e pouco do que continha lhe servia para a felicidade. Para dentro da Isaura a Isaura caía” (p. 69).

Somente quando Isaura encontra Crisóstomo e ambos se apaixonam é que, no prolongamento desse amor um pelo outro e pelo menino Camilo, no prolongamento desse amor casa afora, mar adentro, é que o amor se pode permitir incondicional - com a inclusão de Antonino. Eis que, então, a casa, por sua própria natureza de ‘espaço de aconchego e proteção’ e, em consequência, em ‘prolongamento sagrado do amor’, assume-se como um verdadeiro ‘útero materno’, um ninho de receber os diferentes, os excluídos. A casa estende-se porta afora, mar adentro, na imensidão do sem-fim que é toda possibilidade de amor. Não por acaso, creio, a casa do pescador é azul – uma pequena extensão da imensidão do mar e do infinito do céu. Ao homem foi dada a sede de amplidão, e ele se arrisca à fome de infinitos, porque infinitos costumam ser íntegros, inteiros. Como o amor. Porque o amor pode fazer com que todos sejamos inteiros, mesmo diferentes. “E amar uma pessoa é o destino do mundo” (p. 138). E amar 'todas as pessoas' “é o destino do mundo”, pois é preciso arrancarmos de nós mesmos o mísero olhar excludente, para, em seu lugar, abarcarmos a profunda e tão vasta visão da inclusão.

Em resumo, toda a narrativa de Hugo Mãe, direcionada às emoções vividas pelos indivíduos diante da solidão, da ausência de amor, das suas esquisitices e diferenças incompreendidas pelo social, das tragédias enfrentadas com ingenuidade e conformismo, parece querer levar propositalmente o leitor à súbita descoberta da espetacular epifania de que “todos nascemos filhos de mil pais e de mil mães, e a solidão é sobretudo a incapacidade de ver qualquer pessoa como nos pertencendo, para que nos pertença de verdade e se gere um cuidado mútuo. Como se os nossos mil pais e mais as nossas mil mães coincidissem em parte, como se fôssemos por aí irmãos, irmãos uns dos outros. Somos o resultado de tanta gente, de tanta história, tão grandes sonhos que vão passando de pessoa a pessoa, que nunca estaremos sós” (p. 207).

Portanto, entendo que não há como escapar do pungente palpitar do coração nessa obra, pois, além de ser um livro sobre as dores, estranhezas, solidão do viver, também é sobre superação, resiliência, apreensão das miudezas essenciais que conduzem ao essencial do amor. Trata-se da descoberta de laços afetivos entre pessoas desconhecidas entre si, esquisitas aos olhos dos outros, mas que se permitem o aprendizado e a aceitação mútua, o que as conduz a essa descoberta contínua e essencial do amor. 

Sim. Os sonhos interpenetram-se na obra de Hugo Mãe, pois há o pescador Crisóstomo que sonha um filho, há o filho Camilo que sonha um pai, uma mãe. Há a mulher Isaura, diminuída (quase anulada) pela violência masculina, mas que persiste na esperança do amor como última prerrogativa de existência. Também há o sonho de Antonino, cujo coração é uma flor despetalada pelas dores do mundo, que “não sabia nada sobre o amor”, que “além de ter medo de ficar sozinho, não sabia rigorosamente nada sobre o amor” (p. 105) – mas, sem que o saiba, compreende profundamente tudo sobre o Amor – e que também sente esperança de “encontrar modo de regressar a uma mãe” (p. 108), à sua mãe Matilde, a qual, a seu modo também o ama, “odiando-o ainda mais por amá-lo a despeito de sua sensibilidade ‘fora do comum’". Há tantos outros personagens na trama de Hugo Mãe, cujas vidas se atravessam na tentativa de serem percebidos em suas (ainda que parcas) compreensões (ou incompreensões) sobre o amor. Há o amor, que para o protagonista Crisóstomo, é “uma atitude. Uma predisposição natural para se ser a favor de outrem.” (p. 124).

“O filho de mil homens” é também qualquer indivíduo, filho de mil seres humanos, pois não há que se possa supor quaisquer limites para o amor, especialmente em razão de preconceitos. Quando se assimila isso, todos os precipícios de 'cair olhos adentro' deixam de existir, pois amar é “feito para ser uma demasia e uma maravilha” (p. 21). E ali, na morada do amor, não há lugar para muros, paredes, barreiras, contenções, já que o amor, em sua apreensão plena, multiplica a dimensão humana ao dobro, triplo, quádruplo, infinito, pois o mútuo só é inteiro quando verdadeiramente plural.

Nesse livro o autor ultrapassa o conceito do gênero textual e literário de romance. Sua narrativa é pura poesia em forma de prosa, transborda a alma para dentro, conduz o coração a outras dimensões, derrama cada personagem para seus espaços individuais (casa) e circunvizinhos (povoado, bairro, comunidade, cidade etc.), formando, na fluidez do seu verbo, um imenso emaranhado poético no imaginário do leitor. Somente a um coração de poeta desse ‘naipe' é possível essa escrita sonhadora e esperançosa, mesmo diante do caos. Apenas aos devaneios da criação são dadas as asas possíveis para o voo em tão amplas e múltiplas variedades de existências assim tão próximas da realidade humana, e capazes de sensibilizar e enternecer até os mais duros humanos. 

Acredito que um livro também pode ser moradia da alma. Esse livro é minha casa, pois nele minha alma sentiu-se aconchegada. Sim: Li o livro. Li “obstinadamente o livro como se esperasse ver sair do livro o corpo inteiro” (p. 81) do “filho de mil homens”, dos filhos "de mil homens e mais mulheres" (p. 221). De fato, vi transbordarem dele todas as suas personagens. Elas invadiram minha casa e me habitaram como hóspedes da alma. É certo que por aqui peregrinarão por um longo tempo. Porque, graças aos que escrevem, também sou resultado dos livros que leio!

“O Crisóstomo, com o seu inusitado entusiasmo, mudou o mundo” (p. 203)! Mudou o meu mundo, o poeta e romancista Valter Hugo Mãe!

Nic Cardeal, em 05 de outubro de 2026.

(* citações entre duplas aspas transcritas da obra publicada em 2024, pela Biblioteca Azul, Rio de Janeiro/RJ)


fotografia do autor Valter Hugo Mãe, do Google

"VALTER HUGO MÃE é o nome artístico do escritor português Valter Hugo Lemos (Vila Henrique de Carvalho, Angola, 25 de setembro de 1971). Além de escritor, é editor, artista plástico, apresentador de televisão e cantor. (...) 
Licenciou-se em Direito, fazendo uma pós-graduação em Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Em 1999 foi co-fundador da Quasi edições, através da qual publicou obras de António Botto, Mário Soares, Caetano Veloso, Adriana Calcanhotto, Manoel de Barros, António Ramos Rosa, Artur do Cruzeiro Seixas, Ferreira Gullar, Adolfo Luxúria Canibal e muitos outros.
Co-dirigiu a revista Apeadeiro, de 2001 a 2004 e em 2006 fundou a editora Objecto Cardíaco.
Em 2007 atingiu o reconhecimento público com a atribuição do Prémio Literário José Saramago pelo romance "O remorso de Baltazar Serapião", considerado pelo próprio Saramago como um verdadeiro tsunâmi literário: "Por vezes, tive a sensação de assistir a um novo parto da língua portuguesa".
Para além da escrita tem-se dedicado ao desenho, com uma primeira exposição individual de 2020 em Vila Nova de Gaia; e à música, tendo-se estreado como voz do grupo Governo em Janeiro de 2008, no Teatro do Campo Alegre, também no Porto.
Desde o fim de 2012 apresenta um programa de entrevistas no Porto Canal.(...)" 
(excertos biográficos extraídos do Wikipédia).

Livros publicados: Silencioso corpo de fuga (poesia, 1996); O sol pôs-se calmo sem me acordar (poesia, 1997);  Entorno a casa sobre a cabeça (poesia, 1999); Egon Schielle auto-retrato de dupla encarnação (poesia, 1999); Estou escondido na cor amarga do fim da tarde (poesia, 2000); Três minutos antes de a maré encher (poesia, 2000); A cobrição das filhas (poesia, 2001); Útero (poesia, 2003); O resto da minha alegria seguido de a remoção das almas (poesia, 2003); O nosso reino (romance, 2004); Livro de maldições (poesia, 2006); O remorso de Baltazar Serapião (romance, 2006, Prêmio Literário José Saramago); Pornografia erudita (poesia, 2007); Bruno (poesia, 2007); Folclore íntimo (poesia, 2008); O apocalipse dos trabalhadores (romance, 2008); A verdadeira história dos pássaros (infantil, 2009); A história do homem calado (infantil, 2009); O rosto (infantil, 2010); As mais belas coisas do mundo (infantil, 2010); Contabilidade (poesia, 2010); A máquina de fazer espanhóis (romance, 2010, Prêmio Oceanos); Quatro tesouros (infantil, 2011); O filho de mil homens (romance, 2011); A desumanização (romance, 2013); Homens imprudentemente poéticos (romance, 2013); O paraíso são os outros (infantil, 2014); Contos de cães e maus lobos (contos, 2015); Publicação da mortalidade (poesia, 2018); Contra mim (romance, 2020, Grande Prêmio de Romance e Novela - Associação Portuguesa de Escritores); Serei sempre o teu abrigo (conto, 2021); As doenças do Brasil (romance, 2021); A minha mãe é a minha filha (conto, 2023); Deus na escuridão (romance, 2024); Educação da tristeza (romance, 2025); O século dos imbecis (fábula, 2026).



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