Isabel Furini, Divani Medeiros, Vanice Zimerman, Marli Boldori, Maria Antonieta Gonzaga e Maria Helena Leandro: Pão para os pobres...
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| Fotografia de Vanice Zimerman |
Sem pão...
Isabel Furini
As vezes, acordo junguiana
às vezes, acordo freudiana
às vezes, com um machucado
profundo na alma, pensando
nas crianças sem pão, sem abrigo
dormindo na rua, fracas, abatidas
olhando a Lua que ilumina as casas,
as praças, as pontes, as ruas…
qual é a cor da fome?
e qual é o nome que merece o homem
que condena quem dá pão aos pobres?
*
Pão para os pobres
Divani Medeiros
Alimento que vem do trigo
Com cores, recheios e sabores.
Nutre a humanidade.
Gera saciedade.
Feito com muito amor
Na vida e para a vida.
Partilhar é necessário.
Uma mistura de emoção
Em qualquer situação.
Pão para os pobres
Um gesto nobre...
*
Chama Que Alimenta…
Vanice Zimerman
O pão bento,
Entre os grãos de arroz,
Antiga tradição, permanece
Qual sutil chama a iluminar,
Alimentando a alma...
O pão para os pobres,
Com aroma de solidariedade,
Recém-saído do forno —
Das mãos abençoadas
O menino recebe
E, sobre a mesa
Num antigo guardanapo
Com esmaecidas tramas azuis,
Emocionado, ele o coloca...
E com as mãozinhas
Em posição de prece;
O pequeno fecha os olhos
E agradece...
*
Pão para os pobres
Marli Boldori
Antes de amassado nas mãos,
o pão nasce no coração de Deus.
Desce à terra revestido de simplicidade,
pois conhece o caminho das portas humildes,
das mesas onde o silêncio também tem fome.
O milagre é discreto
em cada pedaço repartido.
Não desafia a natureza,
mas transforma pessoas.
Quem oferece o pão
entrega junto a acolhida,
uma palavra que sustenta,
uma presença que consola.
Os pobres não esperam apenas alimento.
Mas que alguém reconheça sua existência,
que lhes devolva o nome, o abraço e a esperança.
E quando uma mão encontra outra,
Deus permanece entre elas,
abençoando o gesto simples
que faz do pão uma oração.
*
Pão de Cada Dia
Maria Antonieta Gonzaga Teixeira
O Pai Nosso de cada aurora
rezado em silêncio e devoção
é luz que desperta a esperança
é força que sustenta a missão.
Para cumprir nossa jornada
com coragem, fé e gratidão
é preciso cultivar a vida
com saúde no corpo e no coração.
Mas a alma se enche de perguntas
diante de tamanha aflição:
como pode um país tão rico
conviver com tanta privação?
Dizem que milhões de brasileiros
ainda vivem na pobreza.
Onde está a justiça sonhada?
Onde floresce a verdadeira grandeza?
Pobres e ricos são irmãos
filhos do mesmo Criador.
Todos necessitam do pão
do trabalho, da paz e do amor.
Castro-Paraná-Brasil. 07/07/2026
*
Delícias degustada
Maria Helena Leandro (Mahe)
Pão,
Pão para os pobres?
Se somos todos pobres e necessitados.
Inexiste pão na humanidade,
Não.
Existe a rejeição
Do pão elaborado,
Pães que percorrem …
Sem os valores dos nutrientes.
Delícias degustada do vago
Em colheres todos os dias.
Regeita - se o pão
De sabores amargos;
No estreito
Do lugar livre desce em peripécias,
Cuspido no chão
Não espera a explossão
Existido do contido mel
Que faz
O sabor da festa dos frutos asmos
Da alma e do corpo.
Emburrados esperam as
Delicias do degustar do vago;
Que em vivendas se alimentam
Salgado de pitada a maior
Ingerido, em lamentos
Às noites preciso em término
Resfalecer o brilho do dia.
Acrescentar as águas sagradas,
Farinha de milho
Cozeu no fogo e o sabor se refez refaz -se
Em sabores da festa dos frutos asmos.

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