Araceli Otamendi e Elízia Fênix: Poemas
Maria Rita
Prisioneira da linguagem
a memória coletiva vive em seu próprio interior
É um desperdício, um enigma, um presente,
um passado, um futuro
Ricardo Reis aparece em nossas histórias
ditando palavras
Muda de pele como uma serpente egípcia
come balas ao amanhecer
armada de palavras, empreende o caminho e
todas as batalhas.
No saguão solitário de um hotel
em seu próprio hotel habitado
Maria Rita ilumina o azul da noite com palavras
palavras estelares, como em um poema de Vachel Lindsay
e empreende a fuga rumo a um jardim interior
Cuida de crianças sonhadoras durante dias e noites
ilumina as crianças
Maria Rita é choro, alegria, felicidade, dor, vida
Maria Rita vive nas palavras
as palavras a habitam
cria uma infinidade de palavras em seu seio
jardim interior
© Araceli Otamendi
(Buenos Aires, c. 2018)
*
Palavra tem cheiro
Ontem
A palavra
Conheci
Desejo
De escrever
Senti
Descobri
Que
Palavra
Tem cor
Cheiro
E sabor
Hoje
Escrevo
Memória
Amanhã
Talvez
Escreva
Outra História
Elízia Fênix
(Projeto Fênix de Incentivo à Leitura e Musicalização - Infanto/Juvenil 1995)

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