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Entrevista com a poeta Michaela v. Schmaedel | Por Fernando Andrade

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  Entrevista com a poeta Michaela v. Schmaedel Por Fernando Andrade Fernando Andrade (F. A.): A imagem do coração batendo a vida toda, sem cansar, numa melodia percussiva, parece ser uma literalidade para a vida. Mas seu livro, já pelo título, faz um belo contraponto para esta canção que pode ser triste como uma balada. O coração nos toca naquilo que temos de mais terno, que são as afecções que nos enternecem de pulso, mãos, e dedos. Como foi esta mudança de imagem? Michaela v. Schmaedel (M. S.):   O título veio do poema "Autorretrato", um dos primeiros que fiz já pensando no livro. Depois, uma amiga que sabia da minha ideia de usar Coração Cansado como título me mandou um outro poema com o mesmo termo, do italiano Araldo Sassone, que coloquei na epígrafe. A verdade é que usar a palavra coração como uma metáfora das nossas emoções é algo bem conhecido e bastante utilizado. Mas quando me veio esta parte do poema: "da minha total descrença no mundo, / do meu coração cansa

Entrevista com a poeta Alexandra Vieira de Almeida | Por Fernando Andrade

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  Imagem de Tiberius Drumond. Entrevista com a poeta Alexandra Vieira de Almeida - Por Fernando Andrade Fernando Andrade (F.A.):  O corpo continua sendo seu lugar de pouso e destino em sua poética. Mas não um corpo utilitário, depósito de nomes, mas sim, um corpo-escrita, onde a imanência é tão forte com relação a verbos como ser, estar, permanecer. Como se faz esse corpo-escrita? Alexandra Vieira de Almeida (A.V.A.): O título representa um simbolismo místico, mítico e literário da solidão e da comunhão necessárias ao poeta para que o processo inventivo da poesia se dê. O pássaro é o próprio poeta que cria com originalidade e inventividade o texto literário. Procurei, a partir de meus poemas, despertar a libertação do corpo do ser do poeta da imaginação para o campo da realidade. Deve se criar um movimento em que o cenário do mundo todo seja inserido no seu ser-corpo para que sua relação com os outros e a realidade circundante tragam a ele os voos da criação poética. Como dizia o gra

Para não dizer que não falei dos cravos | Um conto de Fernando Andrade

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  Coluna 07 Um conto de Fernando Andrade Jogo da Velha O Voo é um pensamento. O tiro é um pensamento que saiu pela culatra. John atira por que não sabe voar. Tinha marcas não do destino, mas sim, em seus braços que eram marcas de jogo. John veio ao mundo tatuado de pequenos jogos da velha. Para cada amigo que fazia ele dizia, complete. Tinha no seu corpo jogos perdidos e jogos vencidos. Na hora de morrer farei meu último jogo com o padre, ele me dará a extrema unção e fará minha última cruz. Para cada três atos que fazia na vida e que dava certo, pois ele era um azarado, ou não prestava atenção na vida? Ele considerava a linha do jogo da velha. Na verdade, John tinha pânico de retorno. Ele quando criança jogando bumerangue tinha horror quando aquilo voltava. A lei do bumerangue era a lei do retorno, das ações que voltam para você, do amor que deu e que um dia uma mulher resolve retribuir. John, portanto, jogava velha na sua pele, pois esta não precisa de bumerangue. Toda vez que três