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Mostrando postagens com o rótulo Nic Cardeal

SANDRA PINTO EM DEZ POEMAS | DO LIVRO "SEMEADURA: POEMAS E OUTROS ESCRITOS"

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fotografia do arquivo pessoal da autora   Dez poemas  de  SANDRA PINTO do livro "Semeadura:  poemas e outros escritos" capa do livro Semeadura: poemas e outros escritos  ERA DO GELO ao olhar no espelho vejo minha imagem deformada como Dora Maar de Picasso o que se despedaçou? cato os estilhaços  olho com lupa tento entender o que houve? como e quando aconteceu? vivi as quatro estações  petrifiquei na Era do Gelo quando um  corpo congelou às margens do Estige acompanhei a chegada de Caronte levando o corpo do morto fiquei eu com as memórias vivas  o coração partido não há nada a fazer senão arte junto os fragmentos crio um mosaico  escrevo (in: I. Manejo do solo - a morte fertilizadora , pp. 14-15) -*- imagem do Pinterest   A ROSA alcancei uma imagem para além do que imaginava ver olhei a morte de pertinho transubstanciação  de mortes plásticas  de mortes emocionais morri minha alma putrefata evaporou adubou o que estava s...

UM CONTO DE NATHALIA BATISTA

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fotografia do arquivo pessoal da autora   FLORES SILVESTRES  CULTIVADAS EM VASOS 10 de novembro Minha querida irmã Margarida, Estou com muita saudade de você e de nossa família. Como está a nossa mãe? Já melhorou dos nervos? Ela estava tão feliz no meu casamento, que fiquei esperançosa de, enfim, melhorar das dores! Mas, preocupei-me com a sua última carta, quando você falou de sua piora repentina!  Eu estou muito bem e feliz na minha nova casa!  Meu marido é muito bom, como a nossa mãe disse que seria. Ele me deu alguns rendimentos para que eu pudesse ir à costureira encomendar vestidos novos. Para ele, é muito importante que eu esteja bem vestida, quando formos visitar sua família na capital.  Por favor, me escreva o quanto antes, sinto a sua falta! Com amor, Rosa. * 20 de novembro Minha querida irmã Rosa, Fico muito feliz em saber que você está bem! Sinto sua falta todos os dias, aqui tudo é mais cinzento sem você.  Ontem aconteceu uma coisa extraord...

TRÊS POEMAS DE MARIANA AGUIAR COUTO

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fotografia do arquivo pessoal da autora  A VÓ CEGA DA MENINA INOCÊNCIA O poder está de sapatos lustrados sentado à mesa. E rabisca ordens em papéis de timbre.  Escondida em forma de dom, encontra-se a persuasão. De onde a ordem vem. O que será feito é dito com doçura — imponência bruta. Dinheiro, política, poder.  A sombra do mal é o espelho do medo. A inocência pobre. Magra,  Baixa,  De olhos grandes. Atenta. Nos seus pés o primeiro tênis. — Felicidade. Pagamento. Olhos que brilham. Então parte, segue sua missão. Obstinação precoce. Forçada.   São pés pequenos que cruzam uma longa estrada. Mãos pequenas que pulam a cerca. O terço que se prende,  Por lá cai e fica.  A vó quem deu. — Proteção.  Rasga os bichos,  Segue ordens.  Mas a surpresa é a visita do ódio… Que chega sem avisar.  A inocência toma o lugar do bicho. Morre sem ver.  Deixa a vó. Que é cega,  Esperando uma  volta.  O feijão pra esquentar....

DOIS POEMAS DE MARIA EMANUELLE OSÓRIO PRATES

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  fotografia do arquivo pessoal da autora   NA PLEURA FOI FERTILIZADA A VÁRZEA o bicho humano é filhote de gravuras nasce ternura de pés de ouro saltitando serra acima deglutindo bananeiras e estrelas esperando nas vazantes um barco que nunca chegará é preciso ensiná-lo a plantar um barco dizer que também o bicho humano é a transumância farejando as sempre-vivas navegando rumo às brânquias das colinas dizer que a essa forma em nossa língua chamamos barco (cada palavra mil e uma flores) espera a canoa, filhote humano o barco que sai de dentro da nossa caixa torácica (* poema do livro Flor na mulera ) imagem do Pinterest  -*- PALCO BANGUELA   quando estiveres no ringue que viu teu fêmur tornar-te menino lembra-te da ingremidade das ribanceiras belorizontinas com o ritmo de um mindinho esquerdo nocauteado lembra-te do primeiro beijo do primeiro soco moldado pela saliva todos os dentes na plateia têm o sotaque híbrido de tua bisavó que nunca conheceste mas foi ela quem t...

UM EXCERTO DO POEMA "E SE A CIDADE FOSSE UMA MULHER?", DE SARAH OLIVEIRA CARNEIRO

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fotografia do arquivo pessoal da autora  "E SE A CIDADE  FOSSE UMA MULHER ? " fotografia de Luciano Fogaça "Os mares continuariam a ter maré vazante, ela seria uma circunferência  e já nasceria livre. As praças teriam árvores com tranças  de laço e as manifestações políticas  percorreriam a Rua dos Cataventos do poema de Mário Quintana. Os prédios dariam mais chance às belas paisagens, hoje ofuscadas atrás  da imponência dos fálicos arranha-céus. O rural não seria o oposto do urbano.  Haveria mais correspondência,  o que permitiria que as feiras populares  do Sertão respirassem integralmente  em meio à fisicalidade destrambelhada da malha citadina. Contradições e paradoxos? Sim, teríamos.  Porém, não fugiríamos das suas antíteses. fotografia de Luciano Fogaça Espalhados pelos bairros  estariam os conselhos matriarcais comandados pelas agricultoras, mães, lavadeiras, mulheres negras, brancas, mestiças, indígenas,  lésbica...