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Mostrando postagens com o rótulo Minha Lavra do teu Livro

Minha Lavra do teu Livro 04 | "DESTINOS DESDOBRADOS", de TERE TAVARES, por Nic Cardeal

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      Minha Lavra do teu Livro 04 - resenhas afetivas - A PALAVRA EM SEUS  'DESTINOS  DESDOBRADOS' “A Literatura é um estado de alma, uma sensibilidade inata que se talha na constância e na curiosidade: haveria como moldar a alma sem ferir-se? A pele que me veste é uma estratégia. O sonho, quando consciente, é quase a antecipação da realidade. Que essa outra forma de parecer real me seja perene, porque todas as realidades são relativas conforme se adentra na engenharia do mundo.” (Tere Tavares, in: ‘O aroma da alma ou todos os nomes’, Destinos desdobrados, p. 101) DESTINOS DESDOBRADOS  é um dos mais recentes livros de  TERE TAVARES , publicado pela Editora Penalux em 2021. Na maioria dos 73 contos, curtos ou longos, a escritora escreve sobre mulheres, ora sendo a própria protagonista, ora escolhendo suas personagens e as esmiuçando, na busca pela compreensão da alma feminina. Logo no primeiro texto, deparamo-nos com seu testemunho explícito pela necessidade da palavra par

Minha Lavra do teu Livro 03 | "INVISÍVEIS OLHOS VIOLETA", de ROSÂNGELA VIEIRA ROCHA, por Nic Cardeal

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  Minha Lavra do teu Livro 03 - resenhas afetivas -   A INVISIBILIDADE  FEMININA NA VELHICE  Na realidade, não faz diferença, jovem, velha, quem se lembra, lá bem fundo, lá no alto, faz tempo que me tenho por inteiro. Reflexos? Só no espelho. Deixem-me ficar velha.   (Nic Cardeal, in: Reflexos, ‘Sede de céu’)   Em INVISÍVEIS OLHOS VIOLETA (Rio de Janeiro/RJ: Ventania Editorial, 2022), ROSÂNGELA VIEIRA ROCHA trata de um tema muito importante nesses tempos de relações tão líquidas, ou já quase gasosas: em um romance realista, traz à pauta a necessidade de refletirmos não somente sobre as verdadeiras  razões das dificuldades amorosas enfrentadas pelas mulheres da terceira idade, como também sobre meios de modificar, ou mesmo aceitar, de maneira  mais tranquila, essa realidade. De acordo com a escritora, “a partir dos 50 as mulheres vão ficando invisíveis e eu quis explorar esse assunto” (em artigo de Letícia Perdição, para a coluna ‘Entretenimento’, do site ‘Met

Minha Lavra do teu Livro 02 | "CHÃO DE EXÍLIO", de WANDA MONTEIRO, por Nic Cardeal

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  Minha Lavra do teu Livro 02  – resenhas afetivas  –  "CHÃO DE EXÍLIO":  TODAS AS ÁGUAS DO TEMPO  – O GRANDE RIO  –  Em CHÃO DE EXÍLIO (Belém/PA: Amo! Editora, 2021), WANDA MONTEIRO substitui a poesia pela prosa poética, para falar sobre a perseguição política diretamente sofrida por seu pai e, indiretamente, por toda a sua família, durante o período da ditadura militar. A autora homenageia o pai – o escritor, jornalista e advogado paraense Benedicto Monteiro (1924-2008) – trazendo sua história ao conhecimento dos leitores através de contos poéticos profundamente marcantes. A narrativa é ora fictícia, ora surpreendentemente realista, repleta de recortes das lembranças de sua infância. Memórias que jamais se apagarão, pois marcadas de todas as dores possíveis pela frequente ausência do pai – acusado de subversão à ordem, devido à atuação em defesa da reforma agrária no Pará, quando acabou fugindo e, mais tarde, foi capturado e preso em Belém. Os personagens de Chão de exíl

Minha Lavra do teu Livro 01 | "ASSIM NÃO VALE", de NOÉLIA RIBEIRO, por Nic Cardeal

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Minha Lavra do teu Livro 01  – resenhas afetivas  –   "ASSIM NÃO VALE":  A MAIS VALIA DA POESIA! ASSIM NÃO VALE , o novo livro da poeta NOÉLIA RIBEIRO  (Editora Arribaçã/2022) chega-me às mãos como uma rajada intensa de realidade interpretada com enorme perspicácia - mesmo quando o imaginário a pincela lá e cá das tinturas próprias do 'fazer poético' - de forma que não há como ficarmos alheios aos sentidos, sentimentos e emoções que ultrapassam para as entrelinhas da palavra. Não há como negar: ao lermos Noélia, Gaston Bachelard ecoa: "a linguagem poética, quando traduz imagens materiais, é um verdadeiro encantamento de energia" ! Noélia nasceu para a Poesia (sim, maiúscula!), porque possui nas mãos - tanto as que seguram o lápis, a caneta, ou percorrem o teclado; quanto aquelas 'mãos da alma', que procuram no imaginário [e encontram] os exatos sentidos das diversas dimensões poéticas - aquelas inerentes aos melhores operadores da palavra!  Sim. Ela