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Silvana Guimarães: Seis Poemas de Bem-querer & Fúria

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Laura Makabresku trapézio a manhã nasce num gesto escuro quando a espera se revela inútil como um útero que não sangra o corpo incauto põe-se de tocaia: aguarda outra deixa para se jogar e ignora o calafrio esse arrepio entre o umbigo e os seios essa dor terebrante no monte de vênus anunciam todo amor dilacera flamboyant de novo enflorece como há longos anos: nódoa cor de sangue desafia o azul sem nuvens um naco de delírio ronda a paisagem instala o passado na varanda e declara é tempo de paixão folhas flores um rumor um desvario: a voz que sussurrava entre gemidos e safadezas "meu doce" bolero haverá uma esquina onde vão se encontrar esfolar-se em um passado de asas feridas escutar a música de uma partitura vazia nenhum dos dois vai mencionar palavras como ruptura mágoa desavenças tempestade amargor ruína asfixia e a pior delas: _______ vão insistir nos seus melhores ângulo

MEU PAIDEUMA FEITO DELAS: com Silvana Guimarães, Kátia Borges e Adriana Brunstein

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[Silvana Guimarães] AÇAFRÃO Uma coisa amarela, é isso o que eu quero. Quem sabe a lua nova, quem sabe um dia manso. Talvez um galho de sol sobre um rio cansado. Uma coisa amarela, eu quero, porque quero. Talvez, cheiro de outono, quem sabe, um pedaço de vento, folha, areia, coisa que vem de dentro. Qualquer coisa, eu quero. Da cor que regenera. Qualquer tom de amarelo, que não seja sorriso. Pode ser até um beijo, alguma coisa acesa. Fogo, faca, afago de tirar meu fôlego. Quero, porque preciso, alguma coisa qualquer. Quem sabe uma palavra, ainda que fosse suja. Quem sabe só uma flor chegando com urgência. Uma coisa amarela, talvez. Como um susto. [Katia Borges] TEU MOVIMENTO Antes que te chame o pelotão de fuzilamento repara o pássaro apara o dia. Há um olhar que se derrama lento sobre a vigia e graciosidade no andar do carcereiro. Antes, sim, que chamem o teu nome, anota num papel ou na parede certo verso de cimento. Na argam