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Mostrando postagens com o rótulo Ensaios

Preta em Traje Branco | Giro Noroeste de Valéria Mendonça

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Coluna 27 Fonte aentrudeiranaescola.blogspot.com Giro Noroeste de Valéria Mendonça Em tempos de pandemia O que fazer em casa sem companhia? Talvez arrumar os armários? Limpar em cima da geladeira? Jogar as tuppeware sem tampa fora? Tirar o pó dos livros Talvez até ler aquele romance Que você comprou a mais de uma década E ainda não teve tempo de ler Andar pelo o quintal Mexer naquele vaso Plantar uma rosa Lavar os cabelos , depilar as pernas Pintar as unhas...ufa Tudo isso sem culpa Sem pressa Parar na janela olhar a lua Olhar no espelho E ter orgulho do que está vendo Pois a mudança Vem de dentro   ************************** O mais difícil desse Distanciamento social E saber que não terá COLETIVO NÓS DA VIELA Crianças correndo Nem som montado no quintal No SAMBA DO CONGO não terá ENCONTRO DE COMPOSITORES onde celebramos juntos dos amigos Com sambas autorais e muitos sorrisos Nem LUZ NASCIMENTO preparando a feijoada Enquanto rola a batucada Meus

Preta em Traje Branco | Um passeio no Atelier de Lelé Gomes

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Coluna 26 Um passeio no Atelier de Lelé Gomes A vida é de ser encontro. As múltiplas linguagens que traçam intertextos com a poética da existência. Lelé Gomes é uma multiartista. Uma criatura adorável no jeito, no trato e no fazer. É das descobertas multicolores, que imprimem versos visuais na paredes, papéis, mentes, no intangível, na virtualidade. Essa miscelânea cósmica do ser mulher e traduzir em Arte o olhar candura para o mundo. Conheçam essa deusa. A PTB abre espaço para seus versos mistos de aquarelas, traços, lastros de negritude e benção. Seja Bem Vinda Lelé!  Por  Guiniver “Ninguém é obrigado a concordar”, 2021. Desenho em papel A4 (297x210mm), 150 m/g², canetas marcadores à base de solvente.    A ilustração é um autorretrato que surgiu de uma conversa com a psicóloga sobre a conjuntura política atual, por não aceitar o negacionismo diante de tantas mortes no Brasil e minha adesão a greve pela vida. Lelé Gomes (...) Eu, ora artista, ora bruxa alquimista Sorvo a mistura de ca

Preta em Traje Branco | Cordel reconta: Antonieta de Barros de Joyce Dias

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  Coluna 25 Fonte: Acervo Familiar. Reprodução/Maruim.Org/PISMEL, Matheus Lobo.   Cordel reconta: Antonieta de Barros Viva Antonieta Mulher Preta de luta Criou essa festança Lembrem a heroína De vida não contada Urge essa mudança   Hoje é dia do mentor Daquele que nos guia Trabalho duro, senhor! Que faz seu ofício Ensina e aprende Sempre com muito primor   Respeita esse povo Que luta, leciona... Busca valorização Mas sem nunca esquecer Que bem nesse trabalho Está sua grande missão   Ninguém nasce sabendo Nessa vida de buscas Sempre há o Professor O que nos movimenta Pessoa que incentiva Esse é educador!   Saúdo com carinho Quem as vidas transformam, Rompe dificuldades, Sempre firme e em pé Com toda maestria Muda sociedades Minha singela homenagem aos professores-educadores desse nosso país e, sobretudo, a nossa heroína Antonieta de Barros, primeira mulher negra eleita no Brasil, cuja bandeira era o poder revolucionário d

Preta em Traje Branco | Poética em Maiúsculas de Susana Malu Cordoba

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Coluna 24 Estética em Maiúsculas de Susana Malu Cordoba pixabay.com christoph_mschrd  Não se pede poesia como quem compra meia dúzia de pães na padaria Embora até o ato de comprar pães para quem saboreia a insignificância de existir, é poesia Não se pede poesia com a simplicidade de quem apaga as luzes A escuridão tem seus mistérios, seus perigos e carrega poesia Não se pede poesia como quem entra em um avião e dorme no trajeto Para voar, se faz necessário abrir o relicário da infância, só assim é poesia Não se pede poesia como quem compra um saco de terra na floricultura Para se tocar a terra, é preciso estar livre, recolhido em suas miudezas e entender que a terra de onde viemos é sagrada, tem sangue, glória e somos todos pequenas sementes de poesia. ******************** Intenções   São as intenções, que dilaceram as palavras que saem de minha boca. Foi a intenção e seu liquido corrosivo, que derreteu as vogais do seu nome. Todas as vezes que seu nome abriga minha boca

Preta em Traje Branco | Dois Gritos Aguerridos de Ana Paula de Oyá

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Coluna 23 Dois Gritos Aguerridos de Ana Paula de Oyá amazoniareal.com/ gelèdes COMO DANDARA E NZINGA   Tire a mão de mim seu moço Que aqui tu não arruma nada.   Se é força que o Senhor tem, Eu posso mostrar que também a sei usar. Pois, de onde eu venho,  a capoeira é a nossa maior arma... E a ginga se faz com Inteligência   Tire a mão seu moço, Não tire a paz do meu espírito. Não me faça atiçar minha ira, que te derrubo com uma jogada de perna  e um giro   Sou Guerreira assim Representação atual de Dandara e Nzinga Que com hombridade, negritude e beleza Nunca fugiram de uma briga   E por honra e por amor que eu te digo:  que tenho meu valor!   Tire a mão seu moço, Que aqui tu não arruma nada! *************************** DIREITO   Dizem que quando nascemos tudo o que seremos e viveremos está escrito. Escreveram que eu seria uma mulher com muitos direitos e muitas vontades. Direito a ser uma mulher negra bem resolvida, com opiniões esclar

Preta em Traje Branco | Três Tretas de Valéria Rufino

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  Coluna 22 Três Tretas de Valéria Rufino Chuva Chovendo a vida Correndo sangue abaixo, a chuva Soluços, sorrisos, gritos e abraços Evaporando sentimentos, sentindo momentos Guardados em nuvens de pensamentos... mente... menta...   Chove em cima da cabeça... chuvas caem sem cabeça. Molha o coração... que soa queda d’água Navega e retorna ao nada, nadando na amplidão Sonhando à sombra do real Sentando na macia anormalidade de um ser normal.   Fechando os olhos Que sorriem o riso dos lábios Lacrimejantes lábios Osculando a libido da meditação...   Só palavras soltas Soltando num hálito O orgasmo de um grito sangrento   Os olhos se fecham para ver E sentir as batidas Caladas pela eletricidade   Olhos fechados, sorrindo sempre Vendo tudo e sempre *****************************   Decomposição                  ação                  imã...terra                           era de DES                                               NUDO

Preta em Traje Branco | A autoestima concebida de Arleide Nascimento

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Coluna 21 A autoestima concebida de Arleide Nascimento Sou Camisa de Força   Sou vento forte Sou também ventania Sou a brisa leve Sou mormaço e também maresia   Sou o samba de roda Sou negra que samba Sou batuque e senzala Sou cajuína e cana caiana   Sou a tempestade Sou o reboliço Sou muvuca e ventania Sou a chuva de granizo   Sou sofrimento e descontentamento Sou entrega e devolução Sou amor e desejo Sou vulcão em erupção   Sou loucura e camisa de força Sou amor e sou paixão Sou intensa e maluca Pra aguentar: haja coração!  ******************* Reverso   Quando sou eu quem elogia Você tenta entender o processo Abro a porta do carro pra você É  contrário é reverso E você depois delira e faz os versos Poema do salto, alto da cinta liga Eu só tento entender o manifesto Eu quem domino ou te conduzo Eu te dou prazer e amo, confesso É estranho e diferente Você diz que é retrocesso Há quem diga que é loucura Há que