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Cinco poemas de Maria Alice Bragança - Beleza e força poética

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Óleo sobre tela de Luciane Valença SÓTÃO Poderia assobiar sempre que passasses. Não sei. Não aprendi. Estão cerzidos, na barra da minha saia, os temores de minhas bisavós. Queria sussurrar-te muitas noites de amor. Não posso. Vela minha voz o silêncio da espera na sacada noturna de meus príncipes. Guarda este baú, vazio, de enxoval, a menina que repete em seus passos o andar eterno de todas as mulheres. Aquarela e nanquim sobre papel de Luciane Valença CORRE UM COELHO BRANCO COM UM RELÓGIO É preciso dizer que não se tem tempo. Não há tempo para viver, para respirar. Corre um coelho branco com um relógio. Atrasado. Atrasado. Sempre atrasado... É preciso ser ativo, produtivo. O tempo dos relógios está sempre a passar. É preciso dizer que não se tem tempo. Ou ninguém vai lhe levar a sério. O tempo é mistério. O tempo não tem dono. Um relógio atrasado marca apenas o sono. Nunca o sonho. É preciso dizer ocupado, oc