TRÊS POEMAS DE MARIANA AGUIAR COUTO
fotografia do arquivo pessoal da autora A VÓ CEGA DA MENINA INOCÊNCIA O poder está de sapatos lustrados sentado à mesa. E rabisca ordens em papéis de timbre. Escondida em forma de dom, encontra-se a persuasão. De onde a ordem vem. O que será feito é dito com doçura — imponência bruta. Dinheiro, política, poder. A sombra do mal é o espelho do medo. A inocência pobre. Magra, Baixa, De olhos grandes. Atenta. Nos seus pés o primeiro tênis. — Felicidade. Pagamento. Olhos que brilham. Então parte, segue sua missão. Obstinação precoce. Forçada. São pés pequenos que cruzam uma longa estrada. Mãos pequenas que pulam a cerca. O terço que se prende, Por lá cai e fica. A vó quem deu. — Proteção. Rasga os bichos, Segue ordens. Mas a surpresa é a visita do ódio… Que chega sem avisar. A inocência toma o lugar do bicho. Morre sem ver. Deixa a vó. Que é cega, Esperando uma volta. O feijão pra esquentar....