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Para não dizer que não falei dos cravos 14 | UM CONTO DE MIGUEL ARCANGELO PICOLI

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  Para não dizer que não falei dos cravos (14) Um conto de  Miguel  Arcangelo Picoli "KORÉ CAFÉ"  Tudo tão igual... pessoas, notícias, conversas... a cidade repleta de atrações, exposições, dança, teatro, cinema, mas nada me atraía. Olhei o que havia para o jantar... dezenas de diferentes potes que só precisaria aquecer, mas nenhum me apetecia. Pensei em ir ao parque. Meu irmão disse que deveria e eu precisava ver algo do local para lhe dizer que havia ido. Vesti uma roupa qualquer e saí com tempo fechado, escuro. Melhor seria se estivesse chovendo e não pudesse ir...  Lá chegando, após estacionar refugiei-me no primeiro banco que vi, o mais afastado da feira, vendedores e ruídos da avenida. Nem os pássaros nada diziam.  Era o que desejava ... nada. Sem pensar passei a observar abelhas numa flor, uma flor qualquer.  — Pensando no mito de Perséfone?  O comentário me fez ver que não estava só naquele banco, e não sabia por quanto tempo. De qualquer ...

Para não dizer que não falei dos cravos 13 | UMA CRÔNICA DE DIAS CAMPOS

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Para não dizer que não falei dos cravos (13) Uma crônica de Dias Campos   " PARA O TÉDIO,  O TREINO" Às vezes me pergunto por que tantas pessoas se entregam ao tédio? Como se o dia não lhes oferecesse diversas oportunidades para reconhecerem o quanto a vida é pulsante.  Pois demonstrarei que em um simples passeio, mesmo que curto, muitos eventos, bons e ruins, estão aí, pululando, ávidos por serem percebidos. Para isto, contudo, será preciso que mudemos o nosso hábito, de ver para enxergar. Neste sentido, por levar uma vida sedentária, o meu médico determinou que caminhasse pelo menos uma vez por dia. Posteriormente, quando já tivesse adquirido certa resistência, deveria escolher algum esporte; e que, por óbvio, não poderia ser o levantamento de garfo. Como não quero pegar o carro para ir ao parque, o que implicaria perda de tempo e gasto de combustível, escolhi o percurso de um quarteirão ao redor do meu prédio – O quanto deveria andar não foi especificado pelo referido ...

Para não dizer que não falei dos cravos 12 | UM CONTO DE DIAS CAMPOS

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  Para não dizer que não falei dos cravos (12) Um conto de Dias Campos: "A PAIXÃO DE  LEONARDO"   Eu e Leonardo crescemos no mesmo bairro, na pacata Santa Clara do Cerro Azul, uma cidadezinha achada à lupa, no interior de Minas Gerais. Era uma época boa, em que as crianças brincavam despreocupadas na rua, empinavam pipa sem a maldade do cerol, e chupavam cana recém-descascada. E porque estudássemos na mesma (e única) escola, eu o esperava passar por minha casa para irmos juntos conversando sobre os assuntos mais importantes do dia anterior – geralmente, o estimulante comprimento da saia da nossa bela professorinha. Mas se éramos como irmãos, fosse na aparência, fosse nas estripulias, nossos gostos eram bem diferentes. Enquanto eu adorava uma boa moda de viola, Léo ficava deslumbrado quando, passando em frente à bodega do seu Carlos, conseguia ouvir um rouco solo de piano, que saía do seu rádio caixa de madeira. Eu não conseguia entender como alguém da nossa idad...

Para não dizer que não falei dos cravos 11 | A poesia de JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO

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  Para não dizer que não falei dos cravos (11) A poesia de  JOSÉ INÁCIO  VIEIRA DE MELO  ● Quatro poemas de "Garatujas Selvagens" capa do livro Garatujas selvagens   OFÍCIO   Cunhar abalos sísmicos, eis o meu ofício.  Mergulho no sonho e vou ao mais profundo  em busca do incriado. E como é estranho  o luminoso minério  que surge assim precipitado. Para não me cegar com a ensimesmada joia, que atravessa diamantes numa onda de amálgamas  espelhados, esfrego-a no corpo, cautério que toca na alma  espalhando brasas. E brotam versos vivos, sorrisos suados, lágrimas talhadas. (p. 21) -*- SOLUÇÃO  A solução para tantas palavras é apagar delas o sentido. E partir da intacta inocência  quando ainda tudo era nada. E sentir a poesia despertar o silêncio  até chegar ao outro, inventando nexos. O humano é demasiado e necessita inscrever no corpo do texto a textura do drama. (p. 26) -*- ROTA INFINITA  Minhas palavras estã...

Para não dizer que não falei dos cravos 10 | Uma crônica de DIAS CAMPOS

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  Para não dizer que não falei dos cravos (10) Uma crônica de DIAS CAMPOS LARINHA AINDA NÃO FOI PARA O CÉU ​ Há quase cinco anos, meu filho ganhava o seu primeiro bichinho de estimação. Mas esse presente não veio só porque fosse insistente. Decidimos, eu e minha esposa, que ele deveria merecê-lo. Para isto, teria que passar por um longo período de prova, de fevereiro até doze de outubro. Se até o dia das crianças ele tivesse praticado mais atos meritórios do que traquinagens,  nossa família aumentaria de um pet. Imprimimos uma tabela, a prendemos com ímãs na porta da geladeira, e nela ticávamos com tinta azul ou vermelha, conforme fossem as ações positivas ou negativas. ​ Mesmo não esperando que o leitor acredite, foi só no último dia do prazo que o lado azul superou o vermelho! Uma vez cumprida aquela condição, o garoto fez jus ao prêmio. ​S e é verdade que o guri não tinha certeza sobre qual a raça...