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Mostrando postagens com o rótulo De Prosa e Arte

De Prosa & Arte | Dispensáveis e substituíveis

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Coluna 38 Foto Maria Aparecida Castro Augusto Dispensáveis e substituíveis Nessa vida fui capaz de construir muitos (des) caminhos, transitando entre os (im) possíveis. Nada fiz sozinha, embora tenha tecido, um longo rastro de solidão em quase tudo que produzi. Desde os afetos às conquistas materiais. Minha vida sempre me pareceu um comercial de refrigerante concorrente. Aquele com muito Caramelo 4. Toda vez que desejei algo, a vida me perguntou: - Pode ser Pepsi? Eu que sempre tentei ser grata a tudo que me veio, nunca neguei. Só tomei Pepsi... Entendi que tudo era como poderia ser. Com aquilo que mereci durante as construções das trajetórias de (in) sucessos. Não posso reclamar em demasia, pois tudo que tenho, talvez seja mais do que eu mereça. E por isso, não renego. As coisas que me causaram perdas físicas, materiais e emocionais, entendi como aprendizado necessário pra me criar casca e escudo. Estou transmutando meus afetos, até aqueles que me são mais caros. Pois, não quero tolh

De Prosa & Arte | Por onde andei com a Literatura

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  Coluna 37 foto de acervo pessoal Por onde andei com a Literatura Eu sempre quis escrever. E de fato, não imaginava o quão longe eu caminharia, nos trançados que fiz entre as letras e os números.  Fui sempre mais ligada às letras, achava muito interessante a descoberta e a decodificação desse tal Alfabeto. Com os números travei brigas homéricas, pois ser sempre exata me causava um certo desconforto. Com as palavras, eu podia recriar outras lógicas, signos, mundos... Até que na adolescência me encantei pelos Astros e então comecei a calcular meus caminhos me guiando pelos corpos celestes e pelos cálculos possíveis da Numerologia. Não sou uma expert ou profissional, apenas uma amante desse Universo de possibilidades que dão significâncias a minha trajetória. Dois anos após escrever um poema chamado "Numerologia" que está na página 51 de uma boa ideia (meu primeiro livro publicado), o sonho se concretizou.  51 em sua soma é 6, número que rege o vil metal. Um signo numérico ex

De Prosa & Arte | Quando ela disse não

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Coluna 36 Foto by Maria Aparecida Castro Augusto Quando ela disse não Espera-se de nós gentileza, resiliência, paciência, candura, "postura", maternidade romântica, que sejamos "boas de cama", e que sejamos fiéis aos desejos do patriarcado. Ninguém nos conta, que dar conta do manejo de todos esses desejos alheios é capaz de tolher nossa caminhada, inibir nossa criatividade, imobilizar nosso corpo e frustrar nossos desejos. Daí a gente passa uma boa temporada numa trágica performance "feminina dócil". É sempre a última a sentar a mesa, nossas gargalhadas precisam ter um controle cirúrgico - não ser tão escandalosa que chame a atenção e nem ser tão miúda que nos torne  invisível - precisa estar no molde social ideal.  Usamos os banheiros com as crianças à porta, precisamos saber onde estão meias, cuecas, brinquedos preferidos, chupetas, o dia da reunião da escola, o motivo da nota baixa do filho mais novo. Saber separar por cor e textura as roupas do marido,

De Prosa & Arte | A sombra da Morte

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Coluna 35 PublicDomainPictures por Pixabay A sombra da Morte Todos os dias eu temo morrer. Todos os dias a mesma sombra, a mesma sensação, a mesma faceta mórbida do desespero me consome. Acho que a tempos venho fugindo da morte, desviando dos seus olhos profundos e vazios, não sei se consigo essa sorte.  Na verdade, quanto mais o tempo passa, mais volumosa e aparente é a Sombra, e o relógio anda a contragosto da minha espera... O corpo vai dando sinais da maturação acelerada. A gente retarda a ideia com bons presságios, mas cada vela no bolo é mais um dia diante da passagem futura. Minha morbidez, vem desses dias densos de passagens aos milhares, com um monstro invisível pairando no ar que respiramos. Começamos a nos dar conta de quão importante é respirar sem bloqueios, acho que nunca agradecemos fielmente essa possibilidade. Eu tenho medo de morrer e sei que não devia… porque essa roupagem terrena, é inerente a forma como eu densifiquei meu carma e minhas pagas nessa breve existênci

De Prosa & Arte | Se o amor acaba antes do fim, lavou tá novo?

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Coluna 34 congerdesign por Pixabay Se o amor acaba antes do fim, lavou tá novo? Era só um dia comum, como tantos outros, as roupas na máquina, o cheiro do amaciante. Um dia como outros, sem muita perspectiva. Vinha sendo assim há tempos. Desde que desencontrei o amor-par. Agora era só autoamor, ânsia de reinício, sem vício.  Era só mais um dia comum, como tantos outros. Nos pratos, o resto do jantar de ontem, as taças por lavar, o dia amanhecendo pela janela descortinada da varanda . Era eu recolhendo as roupas que se espalharam pelo chão da sala na noite anterior. Era você no banho, tecendo seus hábitos matutinos sem se apegar muito à minha presença. Era a porta se fechando atrás de nós, o barulho do motor do carro, a volta para casa, meu choro interno e confesso: mais uma frustração dos meus devaneios. Era mais um dia comum, como tantos outros. Era sua chegada, sua presença. Éramos nós, nos perdoando corpo a corpo sobre os lençóis e depois de satisfeitos, travando mais uma batalha e

De Prosa e Arte | Conto Crônica de Intenção - Final

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Coluna 32 Conto Crônica de Intenção Final Outra vez, ouso entrar na seara dos contos pra finalizar um sopro que deixei em suspenso. Podem ver como surgiu na coluna do dia 26/04/21. Eu ainda não estou certa de ser realmente boa com isso, mas hoje Marina voltou pra me contar da alegria de ser e estar com seu corpo. E que suas aventuras e desventuras não precisam dos bloqueios, freios ou juízos de imposição masculina. Então, deixei que me ditasse sua  liberdade . "Marina sentiu que seu corpo era carregado às pressas. Sentia um chacoalhar incômodo. A cabeça pendia e ouvia ruídos de vozes ininteligíveis.  De repente sentiu seu corpo repousar num leito firme e o estado de torpor se acentuou. Os seus sentidos apagaram-se. Caminhando sob a neblina "manhecedora", sentindo o orvalho molhar os pés descalços Maria semi cerrava os olhos aos primeiros raios solares. Ali logo adiante o viu sentado em uma esteira colorida dedilhando a harpa. Sorriu. Apressou o passo para encontrá-lo. Di

De Prosa & Arte | Despertei em versos pra te poetizar na Aurora

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Coluna 31 Despertei em versos pra te poetizar na Aurora Outra vez, ouso entrar nas linhas e entrelinhas dessa relação sem rótulo e sem título, p ra lhe dizer que ontem despertei em versos na claridade visível da janela do sexto andar. Despertei em versos na Aurora Boreal pra te dizer que essa ousadia de te poetizar, talvez esteja na mania de refletir afetos: coisa recorrente na minha breve andança pelas estradas escritas de música e poema. Ao me deitar, escolho corpos-poemas para penetrar as paisagens oníricas do meu universo paralelo, para acalentar meus sonhos, iluminar o céu  do meu inconsciente c om cores que variam entre o cor-de-rosa e o laranja. A s minhas brumas. T alvez seja saudade, e ssa loucura de te olhar em fotos, d e te mirar de longe e s orrir sozinha. Ou quem sabe ainda deixar salgar a estrada-pele do meu rosto, com medo de lhe esquecer o gosto. A melhor parte de despertar esses versos, é poder ter no alcance duma manhã que se desenha, um voo lúdico-poético no

De Prosa & Arte | Pelo Centenário de Paulo Freire

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  Coluna 30  Pelo Centenário de Paulo Freire Hoje me ocorreu contar de uma experiência pedagógica que tive em terras mineiras (minha terra natal ancestral), precisamente em Belo Horizonte, adentrando o ambiente Universitário da UFMG:  "Seguimos num grupo de docentes congressistas para ouvir palavras de aprendizado e acalanto da nossa alma educadora, trocar vivências pedagógicas e nos afinizar com as ideias de Paulo.   Nessa ocasião, tive oportunidade de reconhecer a força motriz dos povos nativos, nossos irmãos indígenas, caboclos, curadores, da força primaz do verde e da terra-mãe num lindo Toré. Eram Pataxós Hã hã hãe, Guaranis Mbya, Maxacalis e Xacriabás. Naquele rito circular sob manifestações indígenas de liberdade a presos políticos, se via a intenção de manter a resistência contra a opressão que limita o povo da terra, os origi nários. Num dos líderes indígenas, relembrei um tio, já falecido, do qual não pude beber a passagem-morte. Tudo nele lembrava seu jeito. Como mover

De Prosa & Arte | CartografArte - Um flerte com a Geografia de Milton Santos

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  Coluna 29 CartografArte -  - Um flerte com a Geografia de Milton Santos Imagem de  piviso  por  Pixabay Dias desses, em resenha virtual com estudantes do Cursinho e alguns amigos professores, fizemos uma conversa sobre a perspectiva Geográfica de Milton Santos, dissecando um texto intitulado  Elogio da lentidão. Enquanto ouvíamos Geógrafos, Físicos e Sociólogos me ocorreu uma reflexão poética que vem a seguir: Territórios, espaço habitat e o trânsito dos tambores Uma imensa metrópole  estendida nos membros que me sustentam No íntimo um ambiente rural Cheirando a capim molhado Capim limão na chaleira. Quais são os limites Que me imponho  Enquanto pessoa urbana?  Quais são os sonhos  Que nutrem natureza viva  Do meu chão de terra interno? Espaço é o que me circunda fora E a expansão que me toma dentro Que preencho de saberes empíricos  Ou ideário acadêmico. Que circunda margens alagadas de sonhos poluídos Tempo é um elo dimensional Que o urbano não domina na essência. Se criado a ser