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Mostrando postagens com o rótulo Literatura de autoria feminina

TRÊS POEMAS DE MARTA FERREIRA

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fotografia do arquivo pessoal da autora  MATURIDADE Não abaixo a cabeça por não ser a excelência que  alguém quer nem me escravizo no senso  de inferioridade Sou a mulher que posso ser dentro de cada oportunidade aplaudo minha importância vivo na paz;  sou arte foco na prosperidade Descarto preconceito para curtir a beleza dos tempos somos todos comuns no amor, na alegria;  tenho valor  o diferente é só vaidade. imagem do Pinterest  -*- GRITO DO AGORA Neste dia, o “sim” é para mim regozijando minha beleza e salto nos braços da esperança para onde está o chão que me  acolhe sem medir Piso firme, sem pressa  seguro minhas mãos com ímpeto e recupero meus sonhos de criança abraço minha alma  remida na boa  lembrança E fecho os olhos, gritando alto: “daqui não mais saio”, enquanto vejo horizontes há tanto tempo perdidos abrindo portas para eu entrar. imagem do Pinterest   -*- É POSSÍVEL RENASCER Mergulho dentro de mim e encontro min...

UM CONTO DE DEBORAH R. CORDEIRO

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fotografia do arquivo pessoal da autora   INTIMIDADE  Já senti o ódio da quina inferior esquerda do aparador pelo meu dedo mindinho do pé. Como inimigo à espreita, todas as vezes que ela se sente minimamente ameaçada se atravessa voluptuosamente contra o menor de todos. Era de se esperar um contra-golpe do dedinho, mas ele alimenta o ciclo, mesmo levando a pior. Tive que mover o móvel de lugar, já que meu pé não conseguia mudar a rota de colisão. Me intriga. Os objetos precisam das minhas mãos para quase tudo, me sinto no dever de não deixar nenhum morrer por inanimação. Nos dias de chuva, as dores de família estalam nas minhas falanges. Eu mal conseguia colocar as duas mãos num vinil para fazê-lo tocar. Antes de cozinhar, eu geralmente coloco o B.B. King , ouço The thrill is gone com alguns engulhos deixados no ralo da minha garganta. Outro dia, cozinhando e cerrando meu cérebro com a voz rouca do King , minha Panela me provocou até o limite da sanidade, derrubando sucessiva...

CINCO POEMAS E UMA PROSA POÉTICA DE IVA FRANÇA

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fotografia do arquivo pessoal da autora   CRÍVEL Porque escrevo e sou capaz  De apontar o dedo  Para meus próprios anseios  Também tenho vontade  De negar sua veracidade e devaneios  Porque escrevo  Não quero que duvides  Nas histórias descabidas  Apontadas no fio das linhas.  Muitas vezes não são fingidas   Porque escrevo Me deixe no sossego adormecido  Sei que te parece inverossímil  Palavras tortas  Numa pele de pêssego   Mas, porque escrevo  E pareço um inventário dândi  Não significa que detenho toda a razão  É que deambulo vivência  Para dar vazão ao verbo  De um todo libertário. imagem do Pinterest  -*- CAROLINA, MARIA, JOANA   Carolina acorda às quatro horas da manhã Vê o amarelo-alaranjado do crepúsculo Por cima do zinco do barraco Não tem café para coar Maria toma o trem das cinco O estômago amarrotado pelo suco, O gástrico, da noite anterior Não teve café para coar Jo...

QUATRO POEMAS DE MARIA EMANUELLE CARDOSO

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fotografia do arquivo pessoal da autora  ALGAS VERMELHAS  na primeira vez que entrei no rio fechei os olhos e mergulhei profundamente fiquei com gosto de areia e sangue na pele passei então a mergulhar como quem para a noite se despe não completamente, apenas o suficiente sabendo que tanto na noite quanto no rio a Areia sempre vem imagem do Pinterest  -*- NAMAZU os peixes-remo medem aproximadamente seis metros.  quando aparecem, dizem aos japoneses que é tempo de terremotos.  a gramática diz:  sua saída causa terremoto.  o beiço diz: o terremoto  causa sua saída.  hoje, quando se vê um peixe-remo sabe-se que é tempo de terremotos e tsunamis. as relações da causa e consequência  do influxo  e efluxo de humanos,  por outro lado, ainda não  são totalmente conhecidas.  há quem diga  que todo humano  é prelúdio de incêndio. há quem acredite que toda carbonização é prelúdio de humano.  não se sabe se houve...

CINCO POEMAS DE SONALI SOUZA

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fotografia do arquivo pessoal da autora   DRAMA Difícil escrever versos infinitos com a TV no centro da família,  da sala na casa no bairro de antenas ao infinito. “Querida, você não precisa me amar deixe apenas que eu a ame.” Silêncio. E se ela concorda acaba o drama e escrevo um verso. Se ela discorda ele a persegue e no canto dos meus olhos essa imagem idiota será mais forte e não haverá a literatura de Borges. Difícil escrever versos infinitos quando ele grita em idiota desilusão: “Suja! Você é calhorda! Você é Holly Anderson!”. E, como minha mãe e minhas tias, murmuro: “Coitado!” -*- NA AREIA DA PRAIA As palavras vêm até mim como as ondas do mar na praia. Dizem-me em sopros de ventos marinhos o que talvez me faça mulher adivinha. Mas infindo de todas as cores, do translúcido ao fosco enigma, perto de ti oceano caminho nas beiras, nas praias, respeitosa de teus redemoinhos, de teu profundo abismo, de teu horizonte inalcançável. imagem do Pinterest   -*- MEU FILHO...

Minha Lavra do teu Livro 19 | "FÓSFORO", de PRISCILA PRADO, por Nic Cardeal

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Minha Lavra do teu Livro 19 - resenhas afetivas - "FÓSFORO" A POESIA " FIAT LUX "! Fiat lux! (faça-se a luz!): como num átimo de  'inspiração tridimensional',  PRISCILA PRADO acende seu  FÓSFORO  no mundo das formas - um livro publicado pela Editora Donizela (Curitiba, 2024), em dimensões que parecem idênticas a uma grande caixa de fósforos e que, no lugar dos palitos longos, traz poemas que aquecem, apaixonam, incendeiam, quase queimam, reverberando pelo corpo até alcançar seus limites com a alma! Impossível não indagar: de que 'fogo imaginativo' se serviu a escritora para mergulhar nessa brilhante ideia? Seus poemas são rápidos, instantâneos, quase fugazes, mas que riscam (inclusive) a pele da alma: são feitos para serem ditos de um só fôlego - porque precisam ter a velocidade da luz, o calor do momento, a volatilidade das chamas. Porque quem é Poeta sabe quando está por um fio (de inspiração) na corda quase sempre bamba da realidade, por isso s...

Minha Lavra do teu Livro 18 | "OLHOS DE MANDRÁGORA", de IVY MENON, por Nic Cardeal

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Minha Lavra do teu Livro 18 - resenhas afetivas - "OLHOS DE MANDRÁGORA" UMA POESIA DE  DENSIDADE E DESASSOSSEGO    "Tirésias, contudo, já havia predito  ao belo Narciso que ele viveria  apenas  enquanto  a si mesmo não se visse...  Sim, são para se ter medo, os espelhos ." (João Guimarães Rosa, in: "Nenhum espelho  reflete seu rosto", Rosângela Vieira Rocha,  p. 19) Em OLHOS DE MANDRÁGORA (São Paulo: Patuá, 2024), IVY MENON escreve 72 poemas cujo tema central é o narcisismo cínico, um assunto tão difícil quanto perturbador.  Seus versos nos atravessam quase sem fôlego, como se nos alertassem de que é necessário estarmos - principalmente nós, mulheres - sempre (e muito) atentos(as), para não cairmos na tentação da 'maçã do diabo' (assim chamado o fruto da mandrágora). Já disse, quando convidada por Ivy a escrever a orelha do livro, e repito aqui: "Não por acaso (e estou quase certa disso) que na maioria dos poemas a autora optou po...