Prosa Poética | Parece Mentira, por Jeane Tertuliano


|Coluna 05|

Parece mentira, mas ainda hoje, nós, mulheres, estamos sujeitas a inúmeras críticas pelo simples fato de sermos quem somos e buscarmos independência.

Parece mentira, porém, o batom vermelho estampado nos nossos lábios, o dito cujo que é sinônimo de sensualidade, também é o mesmo que aos olhos da pequenez de determinados indivíduos, nos delimita vulgares.

Parece mentira, no entanto, homens são tidos como superiores. Séculos se passaram, a sociedade patriarcal permanece imune às lutas das minhas irmãs. Até lançaram-nas ao fogo por temerem o fulgor em suas veias. Bruxas! — Os infelizes vociferaram ante as chamas da injustiça consumindo as vítimas.

Parece mentira, contudo, fomos e somos assujeitadas ao bel-prazer de monstros depravados que têm o intuito de nos aniquilar. E sim, nosso sentir aflorado por vezes é explorado de forma indevida. O amor entre os sexos seria uma utopia? Nada justifica tamanha crueldade para com mulheres que se entregam de verdade àqueles que acreditam ser seus pares para toda a eternidade.


Parece mentira, e de fato é. Dizem não ser machistas, entretanto, são. Não se importam verdadeiramente com as nossas dores e pavores, pois eles foram e são os autores de todas as mazelas incumbidas atrozmente à minha classe que sempre é vista como indecente e incapaz de ser inteligente, porque somente eles, os homens, são providos da sapiência que os tornam diferentes. Não ousem apontar-nos feministas como se tal referência fosse uma sina maldita, sendo que buscamos tão somente igualdade. Ai de vocês se quiséssemos vingança pelos infindáveis anos de crueldade! Vez e voz, é pedir demais?! Temos direito de ficarmos em paz, longe dos holofotes que nunca enaltecem as nossas qualidades.


Parece mentira, embora já não saibamos o que de fato sonda a mente do bicho homem que teima em fazer-nos tombar frente o progresso que mesmo tardio, bate à porta e expõe as verdades há muito varridas para debaixo dos tapetes seculares: somos maiores que o ódio cuspido nas nossas conquistas. A Sororidade desabrochou e homem nenhum poderá silenciar a Poesia das Eras que habita o elo de todas as Marias que se tornaram conscientes do poder que detêm nas mãos e mentes.

Danem-se as aparências, a sofrença não acobertará a nossa evolução! Em nossos âmagos calejados há demasiada paixão e ansiamos por conquistar o nosso espaço independente dos naufrágios que virão. Estamos juntas e sendo um só corpo que flameja e determinado está em alcançar a glória usurpada, seremos resistência e venceremos a peleja que possibilitará um futuro diferenciado às guerreiras que estarão libertas das invisíveis garras da pseudomacheza.




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