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Mostrando postagens com o rótulo minicontos

Divina Leitura | Mais sobre Luciene Carvalho

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  Coluna 11 Mais sobre Luciene Carvalho - por Divanize Carbonieri Na semana passada, esta coluna se dedicou a resenhar o número especial da Revista Pixé de outubro de 2020 em homenagem a Luciene Carvalho. Naquela ocasião, eu e Maria Elizabete Nascimento de Oliveira nos detivemos em sua produção poética, tendo por base a seleção de poemas publicados na edição. Como Carvalho está completando vinte e cinco anos de carreira, resolvi continuar a celebração de sua obra, reproduzindo aqui o capítulo que escrevi a respeito de sua coletânea de minicontos, Conta-gotas (2007), e que faz parte do livro  Cuiabá, a mulher e a cidade: literatura, cinema e artes da cena , organizado por mim e por Maria Thereza Azevedo, a ser lançado ainda este ano. CUIABÁ: A CIDADE MULHER DE LUCIENE CARVALHO   Ao idealizar este texto, eu tinha o intuito de encontrar uma cartografia feminina para Cuiabá na literatura. Queria saber como a cidade teria sido desenhada nas narrativas de suas autoras. Que espécie de m

Um miniconto de Silviane Ramos | "De que cor ficou?"

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Fonte: pixabay.com Um miniconto de Silviane Ramos De que cor ficou?   De que cor ficou é o que questiona Joana a Maria. Estavam discutindo sobre os coiós que vinham tomando nos últimos tempos. Maria, mais que depressa, suspira e diz, não ficou de cor nenhuma, ficou da cor de sempre, mas minha filha pode ir à escola. Joana, indignada (mesmo que tenha tomado um coió), diz, Maria, cada vez que você é surrada a cor não muda? Sorte a sua! Eu preciso sempre disfarçar, disfarçar com maquiagem, disfarçar a voz barganhada, disfarçar "a tendência” do meu filho. Maria, já cabisbaixa… suspira mais uma vez… Suspiro sentido, como se a surra tivesse sido ainda naquela manhã, e tinha!. Olha firme para Joana e diz, você não cansa? Não cansa de ver sua vida assim? Joana responde prontamente nessa confidência tão violenta quanto as surras, Maria, estou cansada, mas para que meu filho não tenha que disfarçar o resto da vida suas escolhas, eu faço isso! Assim como suas marcas não são as mesmas

Entre Amoras e Amores | Posfácio Trilegal - Chris Herrmann

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Entre Amoras e Amores, de Chris Herrmann Ser MulherArte Editorial, 2020 Posfácio Trilegal do livro Entre Amoras e Amores Chris Herrmann No dia 23 de Julho de 2020 fiz o lançamento virtual no Facebook do meu livro com 50 minicontos Entre Amoras e Amores . Não planejei algo glamoroso, mas que apenas pudesse apresentar o meu novo livro digital de contos editado por mim, através do selo editorial desta revista. E o resultado foi que vendi bem mais do que imaginei. Foi uma excelente surpresa para quem não esperava muito. Afinal, é a primeira vez que publico algo do gênero. Meus livros já publicados foram de poesia e, por último, dois romances. Mas a surpresa mais bonita disso tudo, além do belíssimo prefácio da escritora Divanize Carbonieri , que já havia destacado, foi o trio de posfácio honroso e delicioso de outras três escritoras que também admiro muito: Líria Porto, Maria Valéria Rezende e Gisele Miraba i , que trago aqui para a revista por merecer meu destaque e,

200 palavras/2 minicontos - por Lota Moncada

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Cris Acqua Minicontos com cem palavras contadas Acompanhantes (Lota Moncada)     São fugidios, talvez tímidos, durante o dia não se deixam ver. Ficam se camuflando entre as muitas fotos ou as roupas penduradas no armário, mas sempre estão aí. Esperando uma oportunidade. Às vezes, um farfalhar, quase um suspiro, me faz virar depressa tentando surpreendê-los. Somente uma frustração. Remexo, ansiosa, nos muitos papéis espalhados, nas cartas amareladas, falo baixinho, provocando, fingindo paixão... Então, eles pulam, deixam meu cabelo em pé, reviram meu mundo e tomam conta do insuportável vazio. Hoje, estou decidida a deixá-los me assaltar e enfrentá-los. Mesmo que amanhã não tenha mais monstros, medos, fantasmas, passado...   E nenhuma companhia. ****  A melindrosa ( Lota Moncada) Todos a achavam fraquinha. Apenas se podia arrastar o carrinho do supermercado, sempre com olheiras e mal alimentada. Falava pouco também. No bairro era conheci

Resenha do livro de minicontos SIMPLÍCIOS E CONFÚCIOS, de Gloria Kirinus

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CASO DE POESIA ENTRE 'SIMPLÍCIOS E CONFÚCIOS ' por Nic Cardeal  Em  SIMPLÍCIOS E CONFÚCIOS (Curitiba/PR: Kotter Editorial, 2019), um 'fazer poético' de 71 minicontos,  GLORIA KIRINUS trabalha a palavra como o escultor que modela a argila em busca da forma, mesmo que dispensada a fôrma. Os destinados desta forma são os nomes - aqueles nomes condicionadores de destinos. Cada um dos pequenos contos é um verdadeiro 'achado nominal', e os nomes, por mais estranhos que pareçam, encontram cada qual o seu lugar exato na trama sempre surpreendentemente escrita por Gloria! Como, por exemplo, no conto da menina que se chama ESTRELA:  "Quando aprendeu a escrever seu nome desenhou uma estrela. Foi essa a primeira lição aprendida de tanto ficar de barriga pra cima, sobre o gramado, soletrando estrelas. Na escola, a professora achou graça, no começo. Depois implicou seriamente: - Estrela, você precisa escrever e não desenhar seu nome. Estrela fez de