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Preta em Traje Branco | Duo de Versos de Vanessa Kayren

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Coluna 19 Fonte: pixabay.com / geralt Duo de Versos de Vanessa Kayren TEXTO 1 É quando mergulho neste mundo eu Que me perco em dores e lamentos E viajo  até o mais profundo ser -Que sou- E quanto mais me acho Mais me perco em mim mesma. E é nessa sede saber o que não sou Que acabo por me achar perdida E desgarrada daquilo que um dia eu fui... Mágoas e ressentimentos,  fracassos, medos Me encontrando e me perdendo  a cada busca, À procura do que sou. Cavando cada vez mais fundo Como um poço dentro de mim Cavando e caindo Nesta solidão ardil que me persegue Dia após dia, noite após noite, Madrugada a dentro...     TEXTO 2 Teu olhar disparou - Me acerta – Eu sem pensar caí -Me entrego- Eu mergulho em você Te construo e reconstruo Pedaços possíveis de nós Trechos e sonhos loucos -Remonto Se me sorrir -Eu tremo Se te escutar -Derreto E volto de novo Arredia em suspiros Destemida em desejos -Despida O teu corpo no meu -Quente, nu e sem s

De Prosa & Arte | Páscoa, Renascimento e o Capital

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Coluna 25 Raheel  Shakeel por Pixabay Páscoa, Renascimento e o Capital Nestas épocas em que se lotam supermercados atrás de futilidades que nada tem a ver com a energia, com o tônus espiritual desse momento, esvaziam-se as gôndolas. Estamos passando por um período de muitas mortes. Às vezes a fé parece esmaecer. Vivenciamos um desgoverno pseudo religioso onde os menos favorecidos precisam escolher entre a iminência de morrer contaminados no trânsito diário ou de fome pelo desemprego. Ainda assim, esvaziam-se as gôndolas. Caminhamos alienados diante do capital e pouco estendemos nosso raciocínio para além do senso comum. Seguimos o discurso empresarial e econômico que sobrepõe a segurança e a saúde pública, consequentemente a vida, nas filas de supermercado atrás de embalagens coloridas. Num país onde as desigualdades sociais são intensas e a luta de classes acirrada. Quem movimenta a economia e está atrás de volante, vassouras, máquinas, balcões são "as minorias", na verdad

Um conto de Evelise Pimenta | "Foi num sábado qualquer..."

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  Um conto de Evelise Pimenta Foi num sábado qualquer do mês passado que eu senti vontade de comer alguma carne assada e fui ao mercado daquela esquina famoso por preparar carnes nos fins de semana aproveitando assim os alimentos carnes e vegetais vendidos respectivamente no açougue e na quitanda interna que também oferecia itens de granja como ovos de galinha e codorna que costumo cozinhar ao menos uma vez por semana para obtenção de boa proteína e para acompanhar a proteína da carne como a costela que decidi comprar e que o moço que faz os assados pediu para a mocinha sorridente buscar na cozinha porque eu cheguei cedo demais e as costelas estavam embaladas em papel alumínio desde o dia anterior quando foram assadas porque no próprio sábado não daria tempo de assar a tempo para o almoço dos clientes sempre desejosos de bons nacos de costela que pulavam dos ossos tamanha perfeição obtida através do fogo vindo do carvão e da churrasqueira própria para tal e foi então que eu lembrei que

Três poemas e um conto de TAİ | "DIAMANTEMENTE NO CÉU"

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  Imagem de WikiImages por Pixabay.   Três poemas e um conto de TAİ  "DIAMANTEMENTE NO CÉU" DOR DE EMOÇÃO ACUMULADA SEM VEZ DE SER TROCADA E TOCADA É DOR INCAUCULADA. * OS OLHOS TE VÊM A VOZ TE CHAMA O PENSAMENTO TE PENSA A EMOÇÃO TE PAQUERA MAS…. O CORAÇÃO NUNCA TE TOCA. * DE TANTO OUVIR, SENTIR E VER O MUNDO. DEUS TONTO E MUDO EXPLODIU! ESTILHAÇOU-SE EM ZIL PEDAÇOS QUE NO AGORA BRILHAM DIAMANTEMENTE NO CÉU. BELAS VELAS ACESAS NO VENTO DO TEMPO SOMOS TODOS! ESTRELAS À PROCURA DE DEUS. Imagem de David Mark por Pixabay.   A DESPEDIDA   Ninguém viu Quando o poeta desistiu e partiu. Assim sem pressa. Apenas um alguém...o viu. O menino. O poeta partido partiu. Só o menino viu. No mesmo lugar os dois a se ligar. Ao sabor do vento num ritmo lento e profundo, sem saber ele ia...ia.... até o fim. Neste instante! ... Um rompante explode dentro do peito do menino. O menino sente pela primeira vez o pulsar e o acordar do se

Preta em Traje Branco | Versos, Pão e Favela de Lu Amor Spin

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Coluna 18 Foto By @marcosnunes.fotos Versos, Pão e Favela  Mulher simples, humilde, Diante das pedras no caminho Nunca se curvou, Por mais que carregasse da vida Muito rancor. Driblou a fome, a miséria, Cravou sua marca, Em escritos feitos no papel, jornal, Era o que aliviava Viver no barraco de pau. Era chuva, era sol, adoecer nem pensar, Tinha bocas para alimentar, Seguia sua rotina, para garantir o pão, Nas andanças pelas ruas Deu rasteira na humilhação. Um dia sem esperar, A sorte foi lhe encontrar, Sua jornada viria a mudar, Os escritos de Bitita, Começariam a voar. Fez história no Canindé, O sonho que parecia impossível realizou, O pobre também pode, Carolina nos mostrou.     Bitita seguiu viagem, Hoje se inspira em outro lugar, Sem preocupar-se com uma casa para morar, Ou vizinhos para implicar. Seu legado continua, Versos, favela, fome, miséria, Escrita potente, feito rocha, Permanece atual. O corre no dia a dia

Entrevista com a poeta Alexandra Vieira de Almeida | Por Fernando Andrade

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  Imagem de Tiberius Drumond. Entrevista com a poeta Alexandra Vieira de Almeida - Por Fernando Andrade Fernando Andrade (F.A.):  O corpo continua sendo seu lugar de pouso e destino em sua poética. Mas não um corpo utilitário, depósito de nomes, mas sim, um corpo-escrita, onde a imanência é tão forte com relação a verbos como ser, estar, permanecer. Como se faz esse corpo-escrita? Alexandra Vieira de Almeida (A.V.A.): O título representa um simbolismo místico, mítico e literário da solidão e da comunhão necessárias ao poeta para que o processo inventivo da poesia se dê. O pássaro é o próprio poeta que cria com originalidade e inventividade o texto literário. Procurei, a partir de meus poemas, despertar a libertação do corpo do ser do poeta da imaginação para o campo da realidade. Deve se criar um movimento em que o cenário do mundo todo seja inserido no seu ser-corpo para que sua relação com os outros e a realidade circundante tragam a ele os voos da criação poética. Como dizia o gra

UniVerso de Mulheres 13 - A memória e o erotismo na poesia de Anastasia Candre, 3 poemas traduzidos por Valeska Brinkmann

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UniVerso de Mulheres 13                                                                                                             arte  ©Eliana Muchachasoy A memória e o erotismo na poesia de Anastasia Candre 3 poemas traduzidos por Valeska Brinkmann        A chagra   Avó da abundância Avó dona da dança de frutas Ela planta as sementes E delas cuida com amor maternal Pau de yuca, yuca brava, yuca doce, yuca para beber Vovó eu quero ir para a chagra Semear tubérculos, inhame, banana da terra, milho, abacaxi Replanto muitas árvores que foram derrubadas Cipós que foram cortados e sangram A terra que queimaram Vem meu irmão  E que venha a abundância Na chagra se ensina os conselhos  Na chagra foi onde me ensinaram Na chagra, a avó transmite seus saberes A seus filhos e filhas, netos e netas * Chagra é uma pequena área de terra cultivada, de aproximadamente um hectare, geralmente localizada a no máximo dois quilômetros de distância da aldeia indígena. É considerado um espaço de fecundidad