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A potência das escritoras negras | Por Vanessa Ratton

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Pamela Phatsimo Sunstrum A potência das escritoras negras - Por Vanessa Ratton Neste dia da Consciência Negra, acredito ser importante destacar as mulheres negras da escrita, uma potência pouco conhecida da maioria. Uma das mais antigas, Maria Firmina dos Reis (1822 - 1917) escritora do Maranhão, foi a primeira romancista brasileira com a obra Úrsula (1859). O livro também é considerado precursor do abolicionismo. Outro grande nome, mais conhecido do grande público, é Carolina Maria de Jesus (1914 - 1977), uma das maiores escritoras nacionais. Catadora de papéis e moradora da favela do Canindé, em São Paulo. Anônima até 1960, quando a obra Quarto de Despejo : Diário de uma favelada foi publicada. O livro é um marco de representatividade, com uma autora que escreve sobre e a partir do contexto social em que vive. A mineira, Conceição Evaristo é uma das maiores autoras nacionais contemporâneas. É uma acadêmica muito respeitada. Em sua obra valoriza a cultura negra e faz análise do panor

Dez autoras negras para seguir nas redes | E seus livros incríveis para ler

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Imagem de GDJ por Pixabay Dez autoras negras para seguir nas redes E seus livros incríveis para ler   * Ana Dos Santos https://www.instagram.com/ana.flordolacio/   * Cristiane Macedo https://web.facebook.com/profile.php?id=100041918079660 * Elisa Pereira  https://www.instagram.com/elisapereira1975/ * Janete Manacá https://www.instagram.com/janete_manaca/ * Juçara Naccioli https://www.instagram.com/junaccioli/ * Karine Bassi https://www.instagram.com/karinebassii/ * Lilian Rocha https://www.instagram.com/lilikamarques24/ * Lindevania Martins https://www.instagram.com/lindamartins/ * Luciene Carvalho https://www.instagram.com/luciene.carvalho.505960/ * Paty Wolff https://www.instagram.com/pa.tywolff/

Cinco poemas de Clareanna Santana | Do livro "Rebento"

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Imagem de Sirpa P. por Pixabay. Cinco poemas de Clareanna Santana Do livro Rebento gula põe a mão na carne e sente cheiro da fruta. esquenta em fogo suave, decerto o dedo lambuza. começa no fim da tarde só para depois que abusa. * a língua a boca em tom de barro as mãos perdidas no tempo um par de seios tão lindos que um dia eu esbarrei não sei e não saberei o que poderia ter sido se não ouvisse o gemido que um dia eu provoquei. Imagem de Shepherd Chabata por Pixabay vulva à vida vulva lucidez do dia amargo. viva a fluidez do teu afago. * ciúmes soda cáustica carne apodrecida tubo digestivo de ralo bolsa de raiva fedida ruminância sem sentido desgraça abrasiva. * tête à tête a tinta pele fresca com minha cara. a tinta seca pinta e borda. a pele clama morde e assopra. Imagem de Assy por Pixabay. Escrito antes e durante a fase de isolamento social da pandemia, o livro Rebento busca financiamento e promete apresentar uma nova fase da poeta baiana Clareanna Santana. Começou dia 05/10 a ca

|coluna 14| Fala Aí - NUA por Adriana Mayrinck

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Um livro em que a autora se despe de corpo e alma, mostrando toda sensibilidade à flor da pele e instiga o leitor a despir-se junto com ela, libertar emoções  deixar-se levar na leitura dos poemas e permitir que cada palavra toque profundamente percepções e sensibilidades.  As asas de anjo são da Ana Acto, que os empresta ao leitor e o conduz para um voo particular - do lado de dentro. Nua Minh ́alma aqui, NUA... Num vazio que me despiu e libertou das amarras que, em falsa segurança, me suspendiam Ilusório era meu voo que me levava ao céu e me mantinha cativa ao chão NUA Libertei-me com palavras e, nelas, renasci em graça alimentada do seu poder e de poder ser... E armada de letras, fé e asas, embutida de amor e verdade me concedi finalmente a tão merecida...liberdade Ana Acto Prefácio por Raul Tomé A Ana Acto é um Anjo. Afirmo-o assim, sem reservas.  E não julguem, caros leitores, que o digo de ânimo leve  ou que estou a tentar criar-vos uma imagem idílica de Ser.  Perfeito, nada di

MulherArte Resenhas 17 | "O Olho Esquerdo da Lua" de Jade Luísa - Por Antônio Torres

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  O OLHO ESQUERDO DA LUA (EDITORA PENALUX, 2021) DE JADE LUÍSA - Por Antônio Torres Nos tempos que atravessamos, ler “O olho esquerdo da Lua, de Jade Luísa, é pressentir a respiração indômita e libertadora de Lilith, tida como a mulher primeira; é vislumbrar a autonomia, sensualidade e prazeres no reino de Safo, em Lesbos; é perceber o esplendor erótico na arte de Maria Tereza Horta e de Lourença Lou; é sentir a multiplicidade de mulheres, lutas e caminhos que habitam e formam uma mulher, ao ler Mar Becker; é trilhar uma vereda original entre tudo que já foi dito e o que ainda não se nomeia e se oculta na encastelada hipocrisia. Já tivemos, nos primórdios, sociedades matriarcais, e a lua foi a primeira divindade do que passou a chamar-se humano. “O olho esquerdo da Lua” chega com essa aura de mistério e luz reveladora : de delicadezas, como em Gema (tornar-se pétala), Maré VII (asa no murmúrio das ondas) ou El comienzo del sueño (cata-vento enluarado); : de afirmação e autodescoberta

|coluna 13| Fala Aí - Os Poemas que o Diabo Amassou por Adriana Mayrinck

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                                                            Poesia nua e crua, igual a terra árida do Sertão Nordestino. Poesia latente e desbravada, igual a  semente que rasga o solo em busca de sol. Poesia transbordante e verdadeira, igual a chuva que  cai, após a seca castigante, com trovoadas e relâmpagos. Poesia que transcende a memória,  a história, o tempo, a imagem. Poesia sentida, vivida e pisoteada. Poesia dolorida pelas adversidades  e lutas da vida. Poesia de resistência e alerta em gritos silenciosos e torturados. Poesia de amor, embalada em uma rede feita à dois – e que se propaga. Poesia ferida, que traz marcas de tempos difíceis. Poesia libertadora que  atravessa oceanos e voa como pássaro que faz ninho em todo lugar. Poesia que transforma,  que chama, que arrebata. É assim, a poesia de Inêz Oludé da Silva.  Despida, autêntica, forte, e sobretudo, pincelada de arte! Arte da palavra, do sentir, do experimentar o mundo tal como é. Sem máscaras, sem comodismos, sem melindr

Pés Descalços 03 | Quanto vale seu bicho

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          Quanto vale seu bicho Por volta dos sete anos de idade tive uma galinha de estimação. Fiz promessa a ela de que jamais nos separaríamos. Cuidei desde que era pinto. Gostava de fazer casinhas e caminhas para ela com tranqueiras velhas que pegava pelo quintal. Eu a achava a galinha mais linda do mundo. Penas brancas como as nuvens e plumas rosadas, roliça e grandalhona. Li muito para o meu filho a história “A Vida Intima de Laura”, de Clarice Lispector, cuja personagem principal é uma galinha, Laura. Eu passava os momentos de folga em baixo de um pé de manga, ao lado dela, geralmente pela manhã, quando os pássaros mais cantam em meu quintal. Quando a minha avó paterna vinha nos visitar, corria até ela e perguntava “vovó, quando a minha galinha tiver os pintinhos, eu serei a avó deles?”. A minha avó abria um sorriso enorme. Depois dela, não me lembro se apeguei a outro animal. Gosto de vê-los soltos pelos matos, ainda mais sendo pássaros com suas cantigas pela manhã. Houve

A POESIA E A PROSA DE DANIELLA GUIMARÃES DE ARAÚJO - por Nic Cardeal

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  (fotografia do arquivo pessoal da autora) 8M Mulheres não apenas em março.  Mulheres em janeiro, fevereiro, maio. Mulheres a rodo, sem rodeios nem receios. Mulheres quem somos, quem queremos. Mulheres que adoramos. Mulheres de luta, de luto, de foto, de fato. Mulheres reais, fantasias, eróticas, utópicas. Mulheres de verdade, identidade, realidade. Dias mulheres virão,  mulheres verão, pra crer, pra valer! Hoje é dia de navegar na POESIA e na  PROSA  impressionantes de DANIELLA GUIMARÃES DE ARAÚJO !  1) FRUGAL esticar um lençol e devolver ao lugar os travesseiros  coar no filtro de flanela um café mais forte que antes  abrir em cada cômodo as janelas que não dão para mar nenhum  as miudezas das manhãs são enormes  há fiapos, objetos fora do lugar, roupas secando da véspera, copos sujos, chinelos largados no meio de tudo, uma pétala por um fio  são tão largas as horas da imaginação  mas nada se apressa  sabe-se de antemão como será o almoço, o jantar somos sobreviventes,  basta. -*-*-

Um conto de Cristiane Macedo | "Quando você volta?"

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  Imagem de Steward Masweneng por Pixabay. Um conto de Cristiane Macedo Quando você volta? Dos vinte e dois filhos nascidos de dona Maria Diolinda, quatorze vingaram. O mais novo era o Doca. Não sei dizer seu nome de batismo, cresceu e viveu Doca e aqui será. Doca era um rapaz lindo, mesmo já depois dos quarenta ainda era lindo, embora esse relato seja de um tempo bem antes. Para dona Maria Diolinda, Doca era o bebê, por toda sua vida foi assim. Tinha regalias que os outros não tinham. O preferido. De família abastada, Doca gostava dos luxos que podia ter e tinha. Em plenos anos 1950 vivia em ternos e chapéus muito bem alinhados. Difícil achar rapaz mais charmoso. O pai era dono de botica e foi assim que, desde bem jovem, começou a namorar Maria Quitéria. Sendo rapaz de beleza superlativa, não poderia ter decidido por melhor parceria. Pois que Maria Quitéria era a moça mais bonita daquela cidade do interior paulista. Namoraram muitos anos, até que o pai da moça exigiu um compromisso ma