A POESIA MÚLTIPLA DA EDITORA-CHEFE DA "REVISTA SER MULHERARTE", CHRIS HERRMANN | por Nic Cardeal

 
fotografia do arquivo pessoal da autora 

8M

Mulheres não apenas em março. 
Mulheres em janeiro, fevereiro, maio.
Mulheres a rodo, sem rodeios nem receios.
Mulheres quem somos, quem queremos.
Mulheres que adoramos.
Mulheres de luta, de luto, de foto, de fato.
Mulheres reais, fantasias, eróticas, utópicas.
Mulheres de verdade, identidade, realidade.
Dias mulheres virão, 
mulheres verão,
pra crer, pra valer!
(Nic Cardeal)

Hoje minha homenageada é a querida CHRIS HERRMANN, fundadora e editora-chefe da "Revista Ser MulherArte"! Não deixe de ler sua poesia fascinante:


O TEMPO 

o que me assombra
não é o tempo que perdi
reverenciando inutilidades,
nem a imagem refletida
que tiveram de mim.

me assombra é o tempo,
o que se perdeu na carcaça,
que me fez caça e prisioneiro,
que não mais me serve.

mais ainda me assombra
não é a sombra que eu era,
mas a que ficou vazia e só
nas águas de um tempo ido.

(* poema do livro Gota a Gota)

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texto e imagem do arquivo pessoal da autora 


INDISCRETA

não redondamente enganada
a lua se enquadra na janela
de todos os quartos
crescentes de amor
ela não se míngua
a encher de sonhos
os nossos desejos
mais desorbitantes
(ai que vontade
de mandá-la
pros quintos
e ir junto!)

(* poema do livro Cara de lua)

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texto e imagem do arquivo pessoal da autora 

PARA PEITO

debruçou-se no parapeito
da janela silenciosa
decidida a assistir na lata
ao luto da esperança
a noite fria e mansa
não era dada a perguntas
deixava as dela dançarem
em toda constelação
foi assim até o raiar do peito
quando estaria pronta
para uma nova luta
a de carregar o céu nas costas
e de não querer mais sentir
aquele aperto no leito
no peito da lua

(* poema do livro Cara de lua)

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texto e imagem do arquivo pessoal da autora 


A OUTRA

ela me balança
e eu não caio

quando não me
aguento
ela me carrega

quando ela me pesa
sou contrapeso
por natureza

juntas, balanceamos
nossas desmedidas
levezas

(* poema publicado na Revista Gueto, 19/08/2020)

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texto e imagem do arquivo pessoal da autora 


MUDA

nunca tive a certeza das árvores
vi minhas raízes crescerem
nômades, avançar rios, lágrimas
cachoeiras sem eira nem beiras
fazer cabo de força de mim
entre continentes e oceanos

nunca tive a certeza dos troncos
mas a dos trancos e barrancos
das tempestades sem fim

a certeza, eu aprendi
foi com a muda
que teve a planta dos pés
queimada
e as folhas arrancadas
por outonos atrevidos

a muda me ensinou a falar
para sobreviver
à próxima estação

me ensinou também
a ter a certeza
de que tudo
muda

(* poema publicado na Revista Ruído Manifesto, 26/10/2020)

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texto e imagem do arquivo pessoal da autora 


AUTORRETRATO 

de tanto
que me contorci
criei asas

de tanto
que me comovi
criei música

de tanto
que me reescrevi
deixei a vida
me tocar

(* poema extraído de sua TL do Facebook)

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texto e imagem do arquivo pessoal da autora 


RETRATO FALADO

abri a gaveta
e encontrei a menina 
perambulando perdida
na rua da infância

(* poema extraído de sua TL do Facebook)

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(*) 8M: 8 de Março = Dia Internacional da Mulher: Projeto 'Homenagem a mulheres escritoras/artistas', iniciado em março/2021, por Nic Cardeal.


fotografia do arquivo pessoal da autora 


CHRIS HERRMANN é escritora, poeta, musicista, editora, tradutora, webdesigner carioca, radicada na Alemanha de 1996 a 2021, quando retornou ao Brasil, estabelecendo-se desde então em Armação dos Búzios/RJ. Estudou Literatura, Música e Webdesign no Brasil, e fez pós-graduação em Musikgeragogik, na Alemanha. 

Organizou e participou de diversas antologias de poesia no Brasil e no exterior. Seus poemas estão em diversas revistas eletrônicas, tais como: 'Algo a Dizer'; 'Zona da Palavra'; 'Blocos Online'; 'Revista Plural – Scenarium'; 'Mallarmargens'; 'Germina'; 'Ruído Manifesto'; 'Revista Caliban'; 'Literatura & Fechadura'; 'Mirada'; 'InComunidade'; 'Obvious'; 'Caliban'; e 'Escrita Droide'. É editora-chefe da Revista 'Ser MulherArte' e diretora do 'Espaço Cultural Chris Herrmann', com sede em Armação dos Búzios, no Rio de Janeiro. 

Livros publicados: Voos de borboleta (poesia, Tubap - Clube de Autores/2015), Na rota do hai y kai (poesia, Tubap/2015); Gota a gota (poesia, Scenarium/2016); Cara de lua (poesia, Sangre Editorial-Mulheres Emergentes/2019); Borboleta, a menina que lia poesia (romance, Patuá/2018); Peccatum (romance, Arribaçã/2020); Entre Amoras e Amores (contos, Ser MulherArte Editorial/2020); Nanda disse não à Covid (infantil, Ser MulherArte Editorial, 2020); As imagestações de haichris (haicais, Ser MulherArte Editorial/2020); Coleção dispersos - Chris Herrmann (poesia, In-finita/2021).

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