Decoração | Elas me fazem de gata e alpercata - 03

 

|  coluna 03  |


Decoração
por Chris Herrmann

Na terceira edição da minha coluna sobre o mundo felino, trago uma história que não é piada e que aconteceu há poucos dias com minhas gatinhas Luna e Janis.

Ironicamente, meu marido que não queria ter gatos em casa “de jeito algum”, hoje é um pai apaixonado pelas nossas gatinhas. Elas realmente são muito lindas e graciosas, mas longe de ser “santinhas”. Gatos são bichos inteligentes e criativos, quando se trata de defender seus próprios interesses. Cada vez mais, me convenço disso e meu marido também!

Pois bem, semana passada houve um episódio pitoresco e atípico das nossas gatas. Uma delas, que até então não sabíamos a autoria, urinou na poltrona que meu marido adora para relaxar e assistir TV na sala. Essa poltrona é especial e ortopédica, pois ele já operou o joelho três vezes e uma vez o pé esquerdo. Imaginem o nosso susto. Limpamos o sofá e desinfectamos, pensando ter sido uma exceção. No dia seguinte aconteceu novamente. Até que descobri ser a Luna (a siamesa) que à noite, na disputa com a Janis para ter o lugar só para ela dormir, passou a urinar para “marcar território”! Ficamos irritados, mas no final acabamos rindo, crentes que a história teria um fim. 

Meu marido comprou uma capa de lona que passou a cobrir a poltrona por inteiro, e que não daria mais acesso às meninas. Na parte do assento, a capa ficou na altura dos braços, de maneira que elas escorregariam até o chão caso tentassem pular, como em um tobogã. 



A estratégia parecia ter dado certo, embora nossas gatinhas tenham se mostrado visivelmente irritadas com a novidade. Cheiraram a capa, contornaram a poltrona e até tentaram pular mas escorregaram ao chão no tobogã. Ficaram muito decepcionadas com a impossibilidade de desbravar o território perdido! 

Tudo parecia estar resolvido, até que no dia seguinte reparei que a Luna e a Janis estavam desaparecidas da sala. Meu marido já tinha ido dormir e eu, que costumo dormir bem mais tarde, ainda estava na sala. Procurei as meninas na sala, na cozinha, no corredor e nada. Fiquei preocupada e chamei-as pelo nome, dizendo que tinha comida fresquinha (o que normalmente as faziam correr em minha direção, imediatamente).  Um silêncio total.  Daí pensei comigo: será que elas conseguiram furar o bloqueio da capa da poltrona? Não, isso não seria possível, pensei. Apenas para tirar a dúvida, resolvi levantar o lado da frente da capa e vi dois pares de olhos luzindo em minha direção! 

O mais curioso nisso tudo, é que as duas se uniram para nos dar um baile. Nesse momento, não interessava mais disputar o lugar, nem fazer pipi para marcar território. A prioridade foi a satisfação em nos enganar, e não responder ao meu chamado nem para comer. Que “santinhas”... do pau oco!

De uma hora para outra, entre Luna e Janis não havia mais uma disputa pelo lugar na poltrona, mas uma aliança de paz e de silêncio para que as duas pudessem desfrutar o “acampamento” sem interrupções indesejadas. Pode?!

Desde o episódio, nossa sala não é mais a mesma. Só o nosso amor por elas que é de coração. A sala, não! 







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