Cinco poemas de Marta Valéria Aires F. Rosa | "Respiro lentamente o prazer da criação"

 

Imagem de Herbstrose por Pixabay.

Cinco poemas de Marta Valéria Aires F. Rosa 

"Respiro lentamente o prazer da criação"


SUBMERSÃO

 

de olhos fechados

sinto o calor do sol invadir

primeiro os meus olhos

depois boca

corpo

 

o vermelho toma conta de mim

assim como o silêncio os meus ouvidos

pele

sangue

coração

 

vejo o azul

entre nuvens brancas de paz

a água que molifica o meu coração

e me faz esquecer

o morno líquido transporta-me

ao útero materno

de braços abertos consigo tocar

a leveza do meu ser

 

respiro lentamente o prazer da criação

a vida alternada entre rajadas de vento

a paz suavizada pela imensidão do céu

na boca o sabor de viver e estar viva

no corpo o gozo da submersão.



SULFERINO

 

Adoro o frescor volátil de cortinas de voal ao vento

A brisa que embala a dança das folhas dentro do vaso de barro

A simplicidade infantil de telhas aparentes sarapintadas de terracota queimada

Duas pombas que brincam de beber água na piscina pífia

O nostálgico canto do bem-te-vi em cima da árvore morta

Fogos de artificio que sibilam no ar quebrando o silêncio sabático

De pessoas simples...

Pensamentos simples...

Sucumbidos pela imponência de duas capitonês sulferino.


Imagem de Veronika Andrews por Pixabay. 

DESPIDA

 

despi-me

em

palavras

versos

rimas

pés

descalços

mãos

desnudas

 

no arreganho

do escárnio

escancarei

minhas

digitais

 

a alma

transmutada

atravessada

ao

avesso

da

matéria

 

sete luas

meia sete

setenta

e

dois

gira

sóis

em

nove

sete

 

despi-me

perante

verbos

ditos

profanados

em

sussurros

mal

ditos

 

repetidamente

esmiuçada

descarnada

entre

pedaços de

pele

frases

e

sentimentos



HERBÍVORO CELESTE

 

sol forte

breve brisa

vento leve

vem

leva-me

à vida

 

nuvem escura

brancas nuvens

rabiscos revelados

leão forte

três sábios

 

broto roto

flor vibrante

pendão no chão

morte na vida

zangão metalizado

 

herbívoro

celeste

plana

pruma

poliniza

apis

mellifera

 

vívida e voraz

vem e leva

o néctar

leva

a minha vida


Imagem de Stux por Pixabay.


DAHLIA

 

a dahlia encachopada

elegantemente vestida

de pétalas rubras

dançava entrelaçada

na leveza de sua tez

 

altiva se destacava

na imensidão

esverdeada

pelo fino caule

doce forte bulbo

e a cabeça

delicadamente

abaulada

 

tocada

pelo Vento

embalou

encorajada

as sete corolas

seduzindo

o Monte

encarnado

 

neste embaraço

perdeu o compasso

e todas as pétalas

uma a uma

arrancadas

 

mas no seu cerne

o coração

permaneceu

pulsante

perenal

encaixotado

no seu âmago

absolutamente

deslacrado

 

 

Marta Valéria Aires F. Rosa nasceu em Barra do Garças, Mato Grosso, na região do Vale do Araguaia. Apaixonada por Literatura e escrita, cursou Letras na UFMT em 2011, exercendo paralelamente a sua profissão de Bioquímica. Além de escrever poemas, escreveu o livro Luiza Joaquina A Rocha inspirado na história de vida da sua avó materna.




Comentários

Postar um comentário

PUBLICAÇÕES MAIS VISITADAS DA SEMANA

Mulher Feminista - 16 Poemas Improvisados - Autoras Diversas

Prosa Poética | Impiedosa Realidade, por Jeane Tertuliano

Especial Literatura | Vinte autoras de/em Cuiabá

Três poemas e um conto de TAİ | "DIAMANTEMENTE NO CÉU"

Uma crônica de Dalva Maria Soares | "A janta tá pronta?"

Um conto de Evelise Pimenta | "Foi num sábado qualquer..."

Preta em Traje Branco | A autoestima concebida de Arleide Nascimento

Preta em Traje Branco | Trinca de Versos de Valéria Mendonça

Resenha do livro infantojuvenil de poemas, POEMEAR DE PERNAS PRO AR, de Adriana Barretta Almeida