Especial Arte | Yara Tupynambá

 


Especial Arte

Yara Tupynambá


Yara Tupynambá, a primeira dama da arte Mineira, coloriu pela primeira vez suas retinas com as cores e luzes do Gerais de Montes Claros onde nasceu.

Aos 17 anos se fez aluna do mestre Guignard, Em Belo Horizonte, e a seguir foi aluna de Goeldi, o grande gravurista no Rio de Janeiro.

Continuou seu aprendizado com Falga Ostrower e outros. Sua primeira fase se caracteriza pelo desenho, mas foi a gravura que, de imediato, a fez conhecida. Ligada a natureza procura expressar o que sente ao contempla-la em seu explendor. Para tal, fez-se figurativa.

Ligada também á cultura, vai buscar na observação do cotidiano e na poeira do inconsciente compreensão de si e do mundo que a cerca. Ciosa de suas raízes barrocas, estudou obsessivamente os mineiros do tempo colonial e assim alcançou a força expressionista que marca seu trabalho. Grande parte da obra de Yara são documentos artísticos em que pulsam temáticas históricos-sociais.

De suas mãos ambidestra nascemobras que contemplam a força das “Minas” e a poesia dos “Gerais”.Sua figuração poética, ás vezes dramática, entre o real e o onírico, entre o histórico e o individual, vai transferindo para as telas e outros materiais, objetos aulturados:

Casarios, candeias, oratórios, vasos, bules, a neblina, aves, vegetação. Paralelamente ás centenas de quadros, surgem murais arquitetônicos, inclusive no exterior; só em Belo Horizonte há em torno de cem, a maioria em espaços públicos.

Yara artista surge na segunda etapa da arte brasileira. A primeira se caracteriza pelo Barroco e a segunda pela tentativa de modernização. Eram artistas inseridos num tempo político e por isso buscavam a identidade e ideologia do povo e o discurso ecológico.

Dentre seus companheiros de geração estão Wilde Lacerda, Álvaro Apocalipse, Jarbas Juarez, Chanina e outros.

Yara destacou-se também como professora de artes na Guignard e na EBA da UFMG, onde foi também diretora (a melhor professora de gravura da época).

Apesar da idade avançada, mais de 80 anos, ela não se limita. Ainda ministra aulas de História da arte e pinta diariamente. Fez história e caminha na história; confirma-se como pessoa em processo. Sua obra gigantesca e bela é o resultado vitorioso de uma c onsciência operária, que contém em si uma virtualidade estética piena de valores humanos.

É neta de europeu e bisneta da índia da tribo dos Tupynambás. Recebeu o titulo de artista do Ano concedida pela Associação Brasileira de críticos de arte em 2011. Desde 1987, a artista mantém o Instituto Yara Tupynambá, que desenvolve trabalhos de incentivo ás artes plásticas, bemcomo atividades culturais e educacionais em Minas Gerais.


YARA TUPYNAMBÁ

“Se queres ser universal, parte de tua pequena aldeia” Esta frase de Tolstoi que norteou grandes obras, como as de Chagall foi também para mim um rumo a ser seguido em meu trabalho. Durante minha vida de artista procurei focar em tudo aquilo que tinha sentido, vivido e me emocionado no meu entorno, vivencias diversas que resultaram em fases de minha produção. A infância passada em pequenas cidades interioranas, quando a vinda de um circo significava um mundo de encantamento e fantasia esta presente nas figuras dos equilibristas, mágicos, e trapezistas. As diversas cidades que vivenciei com igrejas, casas, janelas, portas, se fazem presentes e recompostas através de cores e luzes, em memória afetiva. São com pedaços de florestas, árvores, lagoas e plantas que a maturidade de meu caminho se faz presente em tudo aquilo que vivi nas reservas ecológicas de minha terra. Assim Minas se faz presente, mostrando que a estrada que percorri foi longa e difícil mas que, como tudo que representa nossa verdade é a visão que tenho de meu estado - a pequena aldeia que norteou minha pintura.

Uma longa caminhada foi feita por mim, em meus quadros, para mostrar a beleza e a diversidade de nossa natureza brasileira, nas imagens da floresta do Rio Doce, dos campos rupestres da serra do Cipó e dos locais criados pelos homens, como Inhotim, de onde saíram, muitas vezes, as plantas que estão nos jardins das casas.

Nesta nova série de jardins que ora mostro, detalhes de jardins domésticos onde Spatifilus e Iris abrem suas flores misturadas a Bromélias, Antúrios e Begônias, nos mostram a beleza com a qual podemos cultivar de perto e que agora se misturam, em mesas de atelier, com as cerâmicas do Vale do Jequitinhonha, figuras tiradas do barro da terra e que, feitas pelas mulheres do vale, vão alimentar seus filhos e enriquecer a cultura popular de Minas.

Agora são plantas delicadas, que precisam de cuidados especiais de água, sol e amor, assim se integrando em nossas vidas e nos dando uma grande lição que, para viver, homem e natureza se transformará em uma só unidade, assim dando continuidade a nossa vida planetária.”































Comentários

  1. A arte da Yara Tupynambá é maravilhosa e atualmente ela está em cartaz com uma exposição em Belo Horizonte comemorando 70 anos de carreira. Coisa mais linda de se vê e apreciar. É a "DIVA" brasileira da arte Mineira, do Brasil, e do mundo. I love Yara Tupynamba!

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