Cinco poemas de Eva Potiguar | Uma poética de raízes imersas

 



Cinco poemas de Eva Potiguar

Uma poética de raízes imersas



ODE AOS LIVROS

 

Livros são pássaros banidos...

Aventureiros revirando sentidos,

Quebrando vidraças de opressão,

De conceitos de tradição.

Eles rasgam cortinas de egos,

Abrem baús como martelos,

Como deliquentes rivais,

De paradigmas banais.

 

Oh livros renegados...

Reis abandonados...

Como águias famintas,

Consumam em tintas,

Versos e prosas,

Espinhos e rosas.

 

Oh aves mensageiras,

Saiam das belas estantes!

Dominem as fronteiras,

De nossos horizontes!

 

Livros, livrai-nos!

E livres,

Livremos!!

 

 

MUNDO BOLHA

 

Ah se a poesia se tornasse realidade

As palavras pregos de manutenção

Os versos cordas de arremate 

Para enlaçar e arrastar teu coração

E prender a tua atenção

O mundo poderia então

Ser uma bolha de sabão

Colorida e flutuante

Lúdica e instigante 

Poética e radiante

Feita de sorrisos

De mãos e amigos

De poesias e livros


Fonte: pixabay.com

 

Não sou apenas mulher.

Sou cacos retorcidos,

Que rasgaram a vergonha,

De choros recolhidos,

Em noites sem luar.

Venho sem medo,

Com as minhas feras,

Com as raízes imersas,

De novas primaveras. 

Trago meus vulcões,

Ecos dos gritos,

Do sangue que me gerou.

Sou fogo de brasas vivas,

Por liberdade que destila,

Sem medo, do opressor!

 

 

AOS POTIGUARAS

 

Rasgou-se o manto

dos teus cabelos

Ficaram expostas tuas queimaduras do tempo

Roubaram tua pureza e juventude

Prostituíram teu coração e cultura

Teu cocar venderam ao museu

Tuas artes são cinzas de taipa

Te restaram os tijolos como céu

As histórias e lendas de papel

 

 

PROGNÓSTICO

 

Hostilidade é o teu pleito,

De blasfêmia e preconceito.

Preferes existir em gaiolas,

E viveres de esmolas.

 

Tua língua é espada que arde,

E pensas ser o rei da verdade.

Esqueces que a razão é efêmera,

E que a vida jamais será isômera.

 

Pisastes as leis universais,

Investindo os teus votos banais,

Teu discurso de juízo final,

É arame farpado marginal.

 

Explode o teu ego opressor,

Quebra tuas belas relíquias,

Deste fel avassalador.

 

Bebe uma gota de dignidade,

Cospe teus vermes patriarcais,

E salva a tua humanidade!


Fonte: pixabay.com



Eva Potiguar é a identidade artística de Evanir Pinheiro. Escritora e poetisa, doutora em educação pela UFRN, membro da SPVA/RN e ALAMP, membro imortal da Academia de Letras e Artes do Brasil, da Seccional Campos de Goitacazes/RJ, membro da Academia de Letras e Artes de Lisboa/Portugal - NALAP, membro da Acádemie Luminescence de Letras, Artes e Ciência da França. Atua na área de formação de professores de Pedagogia e de Arte-educação. Suas principais publicações são, na poesia, Do casulo à borboleta e, na literatura infantil, Gatos diversos. Tem publicações em dezenas de antologias Recebeu diversos prêmios nacionais e internacionais, como ativista social pelas causas culturais e ecológicas do RN. Sua prática se expressa por meio de espetáculos e performances teatrais em saraus e recitais poéticos com produções líricas e lúdicas, especialmente, de caráter popular e indígena.



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