Quatro poemas de Ângela Coradini | “...Já não podem ser amanhã”

Fonte: pixabay.com


Quatro poemas de Ângela Coradini

 “...Já não podem ser amanhã” 


12.


e então é tarde
pequenos pedaços de conversa bailam
no denso do ar
aquele resquício de abraço
ganha espaço
minutos em hora e meia
e uma confissão
se repete
sem par

é mais tarde
essas frases que não tomam solução
um corpo que não esbarra no outro

é tão tarde!
que amanhece
o espasmo não enlaça meu corpo
e eu peço
"não pense nisso"

já não é tarde
mais uma noite derruba o dia
sem solução de si
sem solução de mim 



13.


foi quando
risquei
sua cor
à unha
na minha carne



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14.


e o seu-meu nome não se dissolve
quando cala
mas dá movimento à catástrofe

me recolho e lhe aceno
você me acena e se recolhe
às vezes cedo, às vezes tarde

é sempre um dizer fantasmagórico
uma singeleza
arranhando atrás dos olhos 



15.


tentar
tentar evitar
evitar os arranhos
arranhos dos ruídos
dos ruídos meus
meus próprios
próprios pensamentos




Ângela Coradini é uma contadora de mentiras na poesia, na teoria e nos roteiros audiovisuais. Tem doutorado em cultura contemporânea [Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)] e é editora na revista eletrônica Ruído Manifesto. É autora dos livros Já Não Podem Ser Amanhã (Carlini Caniato, 2020) e Imagens-Espectro de Futuridades no Amplo Presente (Edufmt, 2020). Instagram: @angelacoradini






Comentários

  1. Parabéns pela estreia da sua primeira publicação na Revista Ser MulherArte, Divanize! E que estreia! Amei os poemas da Ângela. Parabéns a ela também. 🤍

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