Camila Pina | Uma pausa pra falar de gênero

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Camila Pina é Advogada, Mestra em Relações Étnicas e Contemporaneidade e escreve muito bem. Atua como professora de várias matérias relacionadas ao Direito e descobriu que a carreira de professora a deixa muito feliz. Como escritora, é capaz de produzir variadas formas literárias. Atualmente, deseja produzir textos jurídicos de fácil compreensão e resenhas a partir de textos literários diversos, sob o olhar do Direito. Crônicas muito interessantes surgiram a partir desse desejo como a que lhes apresento hoje e outras que serão publicadas oportunamente. Vamos refletir um pouco sobre gênero e escrita?


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Uma pausa pra falar de gênero

[por Camila Pina Brito]

O início das minhas férias foi marcado por um forte desejo de produzir conteúdo jurídico de fácil compreensão. Chamei esse projeto de pro.pina porque a junção de um dos meus sobrenomes com a minha profissão deu esse resultado divertido, Pensei bastante por onde deveria começar, em uma ementa dos conteúdos, em lives, parcerias, cronograma.
Mas aí, eis que vim pra Jequié e fui arrastada para um redemoinho chamado família. Me envolvi no cuidado de pessoas que sempre cuidaram de mim, sem tempo nem cabeça para produções intelectuais. Hoje tive um dia mais tranquilo e pensei: vou submeter um trabalho para o I Seminário Crítica do Direito e Subjetividade, organizado pelo Prof. Dr. Alysson Mascaro e assim, passei o dia em uma escrita acelerada. #Dica de graça: assistam e leiam Alysson.
Ao longo do dia, refleti sobre os projetos femininos interrompidos, adiados, abandonados; em como eu dificilmente produziria algo bacana em 5 páginas e em menos de 12h, mas o que tinha para hoje, era escrever em meio ao turbilhão que é a vida de uma mulher. Bell Hooks, no texto Intelectuais negras, discute sobre o desafio que é produzir intelectualmente sendo mulher e, mais detidamente, negra, Enquanto os homens se dividem em suas múltiplas produções científicas, produzimos em meio aos cuidados de casa, criança, mais velhas. Não é uma vivência igualmente compartilhada por todas as mulheres, assim como  o espaço intelectual não é aberto para todos os homens. Tem raça, classe, disposição geográfica  e outros marcadores, determinando os livros que compõem a bibliografia dos cursos.
Antes que me acusem de mi mi mi, meu objetivo não é compartilhar minhas vivências como algo que me atrasa, mas que qualifica meus projetos e agrega valor às minhas produções epistemológicas (de conhecimento). O que produzo tem a perspectiva crítica do que leio e vivencio. Não reduzo a importância dos homens brancos europeus e, no Brasil, sudestinos e sulistas (comecei esse texto, indicando um), mas convido vocês a ler TAMBÉM, mulheres e homens não brancas, nordestinas, trans, do campo. Diferentes leituras podem gerar novas  respostas para antigos problemas.

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Camila Pina Brito é baiana, bacharela em Direito pela Universidade Estadual de Santa Cruz,  especialista em História, também pela Uesc, Mestra em Relações Étnicas e Contemporaneidade pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, atua principalmente, em Direito Civil-Constitucional, Sociologia jurídica, Antropologia jurídica e História do Direito. Tem pós-graduação lato sensu, Curso de extensão do Curso em Gestão de Políticas Públicas em Gênero e Raça, pela Universidade Federal da Bahia, fez Curso de Educação Popular em Direitos Humanos na Uesb, é Professora universitária, dona de casa, companheira de Marcelo Sena e mãe de duas gatinhas, Zefa e Diana. Escreveu artigos, publicados em Revistas impressas, participou de várias mesas como palestrante, sobre questões de gênero e outras, escreveu dissertação para o trabalho de Mestrado, sobre mulheres trans e negras, a partir de entrevistas com três mulheres  e milita em todas as áreas de combate ao machismo, racismo, homofobia e outros preconceitos.

Comentários

  1. ''...minhas vivências [não] como algo que me atrasa, mas que qualifica meus projetos e agrega valor às minhas produções epistemológicas (de conhecimento).'' muito bom ler isso, guardei pra mim.

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    1. Como é bom saber que minhas palavras te tocaram 😁 Muito obrigada Maria Luíza!

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