Coluna | Ouvindo Mulheres 11 - O poder sagrado de Auritha Tabajara


Ouvindo Mulheres - 11
por Cris Lira


Olá, leitoras e leitores!


Na coluna de hoje, trago o trabalho de Auritha Tabajara, a primeira cordelista indígena do Brasil. Natural do Ceará, a autora escreveu seu primeiro cordel aos 8 anos de idade e, em 2007, publicou seu primeiro livro Magistério indígena em verso e poesia. 
Durante o curso de pós-graduação "Deslocamentos na literatura brasileira contemporânea," ministrado pela Professora Doutora Cecília Rodrigues, da Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos, o estudante de doutorado Daniel Ferreira da Silva encantou-se com os cordéis da autora e começou a trabalhar na tradução de um deles. Nesta coluna, tenho o prazer de trazer para vocês a tradução feita por ele do cordel de apresentação de Auritha Tabajara. Como verão no vídeo, faço uma pequena introdução à autora em inglês e em seguida fazemos uma leitura bilingue do cordel. Espero que aproveitem a oportunidade de escutar a voz dessa mulher guerreira cujos versos ecoam a luta das mulheres. Vejam o vídeo até o final porque depois da leitura há um presente!
Caso tenham interesse em adquirir o último livro de Auritha Tabajara, A lenda do jurecê (2020),  em formato pdf., entrem em contato com a autora no email aurithatabajaraescritora@gmail.com. 






Deixo um abraço,
Cris Lira


Obrigada por me escutarem. Obrigada por nos escutarem.
Leiamos mulheres. Escutemos mulheres.
Até a próxima coluna!



Cordel de apresentação - Auritha Tabajara


Sou Auritha cordelista
Nascida longe da praia
Fascinada pelas rimas
E melodia da jandaia
No Ceará foi a festa
Meu leito foi a floresta
Nas folhas de samambaia.

Minha essência ancestral
Me encontra cordelizando
Em amparo faz me existir
E ao mundo eu vou contando
Que minha forma de amar
Ninguém vai colonizar
Da arte vou me armando.

Filha da mãe natureza
Mulher guerreira eu sou
Com a força feminina
Cinco século atravessou
Cada vez mais sábia e forte
Meu medo sempre é a morte
Que o preconceito gerou.

Hoje essa mulher levanta
Com letra e voz autoral
Contra toda violência
Por um amor ancestral
De um corpo ensanguentado
Usado sem ser amado
Mas com espírito imortal.

E baseado na bíblia
O homem veio ditar
Sua fé que é pecado
O mesmo sexo amar
E com massacre e doença
Nossa língua nossa crença
Tentam assassinar.

Essa força feminina
Traz um sagrado poder
Nascemos com a natureza
Com ela vamos morrer
É nossa ancestralidade
E nossa diversidade
Que nos faz sobreviver

Minha avó é referência
Desde o tempo de menina
Até me tornar mulher
Nas histórias que ela ensina
Me ensinou a falar
Que a mulher tem seu lugar
É raiz que nunca termina.





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