Tere Tavares | Canções mínimas

 

Poente. Tere Tavares.

Tere Tavares:

Canções Mínimas 


Sororidade. Frater. Toda a cor é coração!


*


Que o vento se amacie para acarinhar as flores. Do cipó-de-são-joão. Há néctares bordando os caminhos. Como as frases que brotam e borbulham. Das escolhas que se ampliam com o badalar dos sinos. Quando te excluis das alcateias. E o escuro se apaga em cálida lã.



*


Pequena grande descoberta.

O ano novo é apenas um número inventado uma vez que o tempo não passa. Mas nós.



Rosas Celestes. Tere Tavares.


Há um nobre motivo para tudo o que é breve. O pacto com a eternidade.


*


A mais legítima crença é o amor.


*


Porque o amor e a vida são uma só matéria.



Rosas Pequenas. Tere Tavares.


Colibri. Hoje há sinais de pausa. Sem o repouso das asas. Gruda teu corpo minúsculo no balanço do galho. Que o vento não te mantém suspenso. Tem contigo a despretensão de um mínimo salto. O sabor dos avivados. A astúcia dos peixes. A rede rendida. A rosa purpúrea finalmente pura. Quando se esquece que o colibri tem pés muito leves para pousar no solo e vê por cima d'água. Cadência de vidraças.



*



Quando se tem na fala o rubor do face. Não compreenderás o contexto que só o tempo confere. O que tu lês o que tu vês o que gostarias fosse algo que pudesses alcançar é uma figura executada a bico de pena. Desconforto. As experiências de cada são é única e intransferíveis. Mesmo o que se julga longínquo está próximo. Não é simples antítese ou mera metáfora. Caminha-se sobre terrenos movediços. A cada avanço há probabilidades de vacilar vencer ou sucumbir. Ter segurança em si mesmo significa saber disso e, mesmo assim, continuar a percurso ainda com velhos chinelos. São os riscos e as emboscadas que aguçam os sentidos. Goza o instante. Porque nada volta nem retorna.


Flores. Tere Tavares.




Tere Tavares, escritora e pintora, residente em Cascavel, PR, Brasil, autora de nove livros publicados: “Flor Essência” (poesia 2004), “Meus Outros” (poesia 2007), “Entre as Águas” (contos 2011), “A linguagem dos Pássaros” (poesia Editora Patuá 2014), “Vozes & Recortes” (contos Editora Penalux 2015), “A licitude dos olhos” (contos Editora Penalux 2016), “Na ternura das horas” (ensaios Editora Assoeste 2017), “Campos errantes” (contos Editora Penalux 2018), “Folhas dos dias”, e-book, (Ensaios, Selo Ser MulherArte Editorial, 2020). Integra várias Antologias e Coletâneas, no Brasil e no Exterior. Conta com vasto material publicado em revistas eletrônicas no Brasil e no Exterior. Integra a Academia Cascavelense de Letras.


 


Comentários

  1. Obrigada à Revista Ser MulherArte pelas publicações.
    Obrigada Sandra Godinho, Lourença Lou e Esther Alcântara, pelas leituras e ecos.
    Abraços!

    ResponderExcluir
  2. Terê tem uma escrita elegante e sedutora. Suas pinturas transcendem na alma. Parabéns, querida.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

PUBLICAÇÕES MAIS VISITADAS DA SEMANA

Mulher Feminista - 16 Poemas Improvisados - Autoras Diversas

Especial Literatura | Vinte autoras de/em Cuiabá

Cinco poemas de Marta Valéria Aires F. Rosa | "Respiro lentamente o prazer da criação"

Três poemas e um conto de TAİ | "DIAMANTEMENTE NO CÉU"

Uma crônica de Dalva Maria Soares | "A janta tá pronta?"

Um conto de Evelise Pimenta | "Foi num sábado qualquer..."

Preta em Traje Branco | A autoestima concebida de Arleide Nascimento

Preta em Traje Branco | Trinca de Versos de Valéria Mendonça

Resenha do livro infantojuvenil de poemas, POEMEAR DE PERNAS PRO AR, de Adriana Barretta Almeida

MulherArte Resenhas 09 | Aos 86, Eni Fantini lança seu primeiro livro e nos ensina a libertar por meio da arte