A eclética Poesia bilingue de Kori Bolívia, em cinco poemas

Paul Klee

En la sonrisa del más allá

Este niño ya nació huérfano,
ni siquieras los ojos de su madre
lo pudieron ver.
Este niño nació a la fuerza,
en silencio lo retiraron
a la luz de la vida,
entre lámparas,
tropezando con la ausencia.
Vivirá buscando
su sombra
en la sonrisa del más allá...

René Magritte

Sou

Sou a floresta
e cada folha caída,
cada folha verde ao vento,
pendurada.
Sou o rio
e cada remanso tranquilo,
cada passo da corrente
que leva sonhos de espuma.
Sou a terra
e cada planta,
cada flor
que busca o delírio da luz.
Sou o beijo que te dou
e o pássaro que leva
em cada asa
um universo de amor.
Sou o Amor
ardente
que abraça o espaço,
o corpo,
pousado na paisagem
do meu ninho consciente.

Paul Klee

Duele!

Duele mi pueblo hambriento,
el niño con su faz descolorida.
Duele escuchar el viento
solitario de la patria empobrecida.
Esa carcajada misteriosa
hija de la muerte.

René Magritte

Saudade

Prendo minha saudade
à tua letra estampada
em um pedaço de papel descorado
pelo tempo.
Ato minha saudade
e lá vem o aguaceiro.
Os guarda-chuvas não aguentam
e a água cai regando minhas raízes,
a tristeza, a ausência e o frio.
Ato minha saudade à aurora faminta 
de teus beijos.

Paul Klee

Suspiro

En lo más recóndito del ser
una sonrisa está guardada.
La sacas,
conoces sus secretos
y tienes otra, idéntica,
que estremece el alma.
  
KORI YAANE BOLIVIA CARRASCO DORADO (Kori Bolivia), filha do pintor Jorge Carrasco Núñez Del Prado e da psicopedagoga Julia Dorado Llosa, Kori Bolivia nasceu em La Paz, Bolivia e está no Brasil desde 1976, tornando-se também brasileira. Em 1969 teve uma crônica publicada no Suplemento feminino do jornal El Diario, e em 1974 começou a publicar sua poesia nos Suplementos: Presencia Literaria , e na Revista de Última Hora, em La Paz. Participou em vários Congressos Simpósios e Encontros de escritores e de professores, sobre Literatura e língua espanhola na Bolívia, no Brasil e outros países desde 1975 e, no “III Congreso Internacional de la Lengua” em Rosario, Argentina, convidada pela Real Academia Espanhola. Nove são seus livros publicados de poesia, de 1981 a 2020. Os dois primeiros na Bolívia e os outros no Brasil. Traduziu artigos sobre arte e cultura publicados no “Correio Braziliense”; una tradução sua foi publicada no Boletín das Nações Unidas; participou, com outros poetas brasilienses, da edição bilíngue de Poetas portugueses y brasileños – de los simbolistas a los modernistasobra publicada com o apoio do Instituto Camões e da Embaixada de Portugal en Buenos Aires no ano de 2000. Sua poesia está presente em várias antologías bem como una crônica na Antologia de Cronistas de Brasília seleção de Aglaia Souza, em Caliandra – Poesia em Brasilia de André Quicé Editor, em Parnassus of world poets do Dr. Ramassamy Devaraj, em Voces de América Latina e outras Antologias de poesia e de contos organizadas por María Palitachi, Otear en el equinoccio compilada por José Guillermo Vargas, entre outras.  É verbete no Dicionário de Escritores de Brasília de Napoleão Valadares, no Diccionario de la literatura boliviana de Adolfo Cáceres Romero, em 200 poetas paceños, de Elías Blanco Mamani, na História da Literatura brasiliense de Luiz Carlos Guimarães da Costa e na Enciclopedia Gesta de la Literatura Boliviana. Está considerada em Sob o signo da poesia – literatura em Brasíliaem Do que é feito o poetade Anderson Braga Horta e em outros artigos digitais. Em duas ocasiões foi Presidente da APEDF (Associação de Professores de Espanhol  do Distrito Federal), é membro fundador da Unión Boliviana de Escritores, membro da Sociedad Boliviana de Escritores, membro da ANE (Associação Nacional de Escritores) da que foi Presidente (2013- 2015), membro do Sindicato de Escritores de Brasília, membro da União Brasileira de Escritores, ocupa a cadeira nº XXXVII da Academia de Letras do Brasil da que  atualmente é Secretaria Geral e é membro membro Efetivo do PEN Clube do Brasil. É detentora de prêmios literários no Brasil e em outros países, recebeu o Diploma de Embajadora Universal de la Cultura, em 2016, na cidade de Tarija, Bolívia, referendado pela UNESCO e o troféu de Reconocimiento a la Contribución Cultural do Ministério de Culturas da Bolívia. Ministrou várias conferencias nas línguas espanhola e portuguesa.



Comentários

Postar um comentário

PUBLICAÇÕES MAIS VISITADAS DA SEMANA

Machismo estrutural | Quando a imprensa também exclui as mulheres

Uma resenha de Marta Cocco | "Uma Diva na passarela estreita do Jabuti"

Um poema de Mar Becker | "à parte do reino"

Uma série pictórica de Neide Silva | Flores do Cerrado

Cinco poemas de Tatiane Silva Santos | "No sonho"

Yedda Maria Teixeira | o prêmio da arte de amar

De Prosa & Arte| Nosso Corpo não é Bagunça!

IX Tertúlia Virtual | Vozes e Olhares de uma Poética do Feminino

Um conto de Ciça Ribeiro | "O doce bombom"

A poética que roça os sentidos | Banquete poético