Uma Mulher Admirável - Maria Valéria Rezende - Homenagem especial



SOBRE ELA
A Revista Marie Claire, em uma entrevista feita com Maria Valéria Rezende, colocou como título: Freira, escritora e feminista, o que seria uma boa descrição. Mas para essa mulher admirável, as descrições e biografias são sempre limitantes para o seu “vasto mundo”. Essa freira, escritora, feminista, que hoje reside na Paraíba e até ganhou título de cidadã paraibana. também esteve em tantos “outros cantos”. Deu a volta ao mundo quatro vezes, alfabetizando adultos e crianças. Mais que isso, educando pessoas para a possibilidade de ser mais, através da educação como missionária. Morou em vários países: China, Argélia, México e Timor Leste. Teve importante papel de mulher de luta nos tempos sombrios da ditadura militar no Brasil, escondendo companheiros e ajudando a libertá-los. Essa mulher destemida, que diz ter começado a ser conhecida por não ter medo de nada, que escreve muito e a partir de 2001 começou a publicar e ganhou muitos prêmios. Essa mulher que peita o machismo na literatura brasileira e inspira outras mulheres, como principal mentora do Mulherio das Letras, um coletivo feminista de mulheres escritoras que buscam maior visibilidade e oportunidade nas grandes editoras, nos prêmios e em todos os espaços ocupados apenas por homens. Essa mulher bem-humorada e acolhedora que toma pra si os problemas de outras e outros. Parceira, inspiradora, amorosa sem ser piegas. Essa mulher que despreza títulos e honrarias e prioriza direitos, igualdade social, justiça. Essa é a M Val, Valéria ou apenas Val com quem estive pessoalmente em 2017 no I Encontro Nacional do Mulherio das Letras em João Pessoa. Digna de toda admiração e reconhecimento. Nesse Oito de março de 2020, a Revista Ser MulherArte a escolhe para uma homenagem especialíssima, da qual é muito merecedora.


Fotos:  arquivo pessoal da autora

Abaixo, uma bela e importante mensagem divulgada ontem pela Maria Valéria ao Mulherio:

"Coisa de mulheres..." 

Essa expressão que muitas vezes foi usada em tom depreciativo, hoje creio que podemos empregar como equivalente a SUCESSO!

Fico aqui pensando no movimento Mulherio das Letras, que nasceu e cresce sem "dono", e sem "dona", e já ninguém segura mais!

Porque nós sabemos que para criar e crescer não se tem de pedir licença a ninguém! 
Há que fazer, juntando-nos em qualquer lugar, confiar nas companheiras e desejar que isso cresça e se espalhe sem limites!  Já ultrapassou três anos de existência, quando se dizia que "grupos literários no Brasil duram em média três meses"!

É bonito ver um movimento que continua a ser apenas isso, sem cair na tentação de se institucionalizar, de fazer-se coroar por cargos ostensivos e disputados e, por isto, não se há de romper pelas lutas para chegar ao topo, e se parece mais como uma onda que avança junta e inteira sem precisar de chefe nem ordem de ninguém!!!

Boto fé em que continuaremos assim, até que a arena das lutas pela palavra fique encharcada de palavras de mulher!  Por isso, repito com mais convicção ainda:

"MESMO QUE DÊ ERRADO, JÁ DEU TUDO CERTO"!!!

"AINDA HAVEMOS DE TER MULHERIO DAS LETRAS EM QUALQUER BURACO DO BRASIL", em cada povoado, em cada bairro, e agora já sabemos, em cada canto do mundo, todas de mãos dadas, ouvidos e olhos abertos para festejar cada uma que chega junto e que espalha a semente!!!

Quanto mais Mulherio melhor!!!

Maria Valéria Rezende


Foto da internet (Grupo Companhia das Letras)


Maria Valéria Rezende nasceu em 1942, na cidade de Santos (SP), onde viveu até aos 18 anos. Desde 1976 que vive na Paraíba, tendo já recebido o título de cidadã paraibana.

Formada em Língua e Literatura Francesa, Pedagogia e mestre em Sociologia, dedicou-se, desde os anos 1960, à Educação Popular, em diferentes regiões do Brasil e no exterior, tendo trabalhado em todos os continentes.
Às vésperas de completar 60 anos de intensos périplos, em 2001, começou a publicar literatura com a primeira versão do livro “Vasto Mundo” (Ed. Beca), livro que foi reeditado em nova versão em 2015 (Ed. Alfaguara) e posteriormente traduzida e publicada na França em 2017 (Ed. Anacaona).
Desde 2004 participa do Clube do Conto da Paraíba que a estimulou a continuar a escrever ficção. O seu romance “O voo da guará vermelha” (Ed. Objetiva, 2005) foi publicado em Portugal, França e teve duas edições em Espanha (espanhol e catalão). Participa em várias coletâneas no Brasil, Argentina, Itália, França, Estados Unidos da América e Portugal.

Escreve ficção, poesia e é também tradutora. Além disso é ainda ativista e participa do Movimento Mulherio das Letras, pelo qual deu a cara em sua primeira edição, em 2017, em João Pessoa (PB).
Ganhou um Jabuti em 2009, Categoria Infantil, com a obra “No risco do caracol” (Ed. Autêntica, 2008) e, em 2013, na Categoria Juvenil, outro Jabuti com o romance “Ouro dentro da cabeça” (Ed. Autêntica, 2012). Os Jabutis para Melhor Romance e Livro do Ano de Ficção chegaram em 2015, pelo seu romance “Quarenta Dias” (Ed. Alfaguara, 2014). O seu romance “Outros Cantos” (Ed. Alfaguara, 2016) valeram-lhe o Prêmio Casa de las Américas (Cuba, 2017), o Prêmio São Paulo de Literatura e o terceiro lugar no Prêmio Jabuti 2017.

Depois disso, lançou ainda “Ninho de Haicais“ (Ed. Casa Verde, 2018), o livro de ensaios “Conversa de Jardim“ em co-autoria com Roberto Menezes (Ed. Moinhos, 2018) e o romance “Carta à Rainha Louca“ (Ed. Alfaguara, 2019).

* Lojinha virtual onde a autora vende vários dos seus livros

Mulherio das Letras (Facebook)
www.mariavaleriarezende.com




Com carinho, da Revista Ser MulherArte



Comentários

  1. Gostei muito de saber sobre esta Senhora. Muito obrigada pela sua obra. Continuação de muita saúde para a poder levar ainda mais adiante. Farei pouquinho mas farei qualquer coisa. Deus a abençoe.

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    1. Uma biografia e história de vida dignas de serem conhecidas, Fernanda. A Revista agradece a sua visita e leitura.

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