A questionadora e inquieta Poética da mineira Lázara Papandrea




Cinco Poemas de Lázara Papandrea


A luz.
O túnel .
O fim.
O lugar.
O ligar
O lúgubre
Ao feto.
O afeto
Ao filho
Alheio.
O seio
De ontem
Na boca
Do agora.
O veio
Que escorre
Ouro e sal
O são
Que ancora,
Em sangue,
Sobre as
Cumeeiras antigas.



Um poema espera,
Ainda íntegro
Das minhas descalabrosas mãos,
Ainda íntegro
De meus olhos infames,
Ainda imenso
Dos meus ossos,
Preso aos ardis dos lírios
Amarelos.
Um poema espera que eu abra
A caixa de Pandora e pague
Pelos pecados concebidos
No jardim de eros.


                           O dia corta sem dó
                           o seu nome.
                           pó de café no fundo da
                           saudade
                           é também xícara.
                           o que vem desavisa.
                           fica o nó na divisa
                           do que foi sonho.
                           e agora põe
                           esse descalabro
                           sobre o mar passado
                           de nós.


Tenho saudades das grandes coisas
Mesmo que eu não saiba que coisas são
Saudades do cheiro das grandes coisas
Das texturas que elas tinham
Dos olhares que elas tinham
Até da dor que elas tinham
Tenho saudades das grandes coisas que sabiam doer
Que me mostravam o céu através da dor
Que me choravam o céu derramando chuvas
No verão
Que chamavam minha atenção para outras coisas que viviam do verão, que eu amava e não amo mais
Saudades do acalanto das grandes coisas
Quando elas balançavam ventanias em mim
Chacoalhando meus pés tão absurdamente que eu me punha em voos admiráveis.
Saudades do poder que as grandes coisas tinham sobre mim
Da vontade que me traziam
Do ar que me traziam
Dos alaridos que me provocavam.
Tenho saudades,
Agora, que perdi as grandes coisas e moro na floresta anoitecida.


nunca faço silêncio.
faço medo
angústia
solidão
apreço
mas silêncio, não.
nunca faço silêncio
nunca foi minha obsessão
fico claro fico escuro
 mas, silêncio, não.
nunca faço silêncio
porque tenho medo de não voltar do desconhecido.

Lázara Papandrea,  natural de Pouso Alegre MG, autora de ¨Tudo é Beija-Flor" pela editora Penalux. Escreve no blog vestesdepalavras.blogspot.com 

Ilustrações: todas as imagens são de autoria de Amadeo de Souza Cardoso


Comentários

Postar um comentário

PUBLICAÇÕES MAIS VISITADAS DA SEMANA

A terapia da palavra em quatro poemas da jovem escritora Maria Luiza Brasil

A beleza no humanismo e na denúncia da poesia de Edir Pina de Barros

PodPapo 09 - entrevista com a escritora, editora e coordenadora do Focus Brasil NY Nereide Santa Rosa

Um conto de Marithê Azevedo | "Céu Escuro"

Para não dizer que não falei dos cravos | Poemas e videopoemas de Rogério Bernardes

Divina Leitura | As multiplicidades de "Santuário" de Maya Falks

Quatro poemas de Helenice Faria | Uma poética da resistência

Três poemas de Dayane Soares | Uma poética do tempo e da ancestralidade

Um miniconto de Silviane Ramos | "De que cor ficou?"

Três poemas de Oluwa Seyi | A fagulha da vida